Maçonaria e a Mente Inconsciente



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- Conceito:

Segundo Erwin Seignemartin (Past Grão-Mestre: nascido em 1912, em Ribeirão Preto - Brasil) na Conferência “Maçonaria – Sua História, Objetivos e Princípios” – 28 de setembro de 1979:

“A Maçonaria é uma Ordem Universal formada por homens de todas as raças, credos e nacionalidades, acolhidos por suas qualidades morais e intelectuais e reunidos com a finalidade de construírem uma Sociedade Humana, fundada no Amor Fraternal, na Esperança com amor à Deus, à Pátria, à Família e ao Próximo com, Tolerância, Virtude e Sabedoria e com a constante investigação da Verdade e sob a tríade Liberdade, Igualdade e Fraternidade, dentro dos princípios da Ordem, da Razão e da Justiça. Para que o mundo alcance a Felicidade Geral e a Paz Universal.

A Maçonaria é uma organização mundial de homens que, utilizando-se de formas simbólicas dos antigos construtores de templos, voluntariamente uniram-se para o propósito comum de se aperfeiçoarem na sociedade. Admitindo em seu seio homens de caráter sem consideração à sua raça, cor ou credo, a Maçonaria se esforça para constituir uma Liga Internacional de homens dedicados a viver em paz, harmonia e afeição fraternal.”

A Maçonaria, em cada país ou em cada estado de uma Federação, é regulada e dirigida por uma Grande Loja independente e soberana.

A Ordem Maçônica não inicia mulheres, pois tendo evoluído da Maçonaria Operativa que erguia templos no período da construção de catedrais, adotou a antiga regulamentação que previa o seguinte (por entender que, a mulher não é afeita ao trabalho árduo de pedreiro, ofício original dos primeiros integrantes. As corporações de pedreiros eram constituídas, exclusivamente, por pessoas do sexo masculino):

“As pessoas admitidas como membros de uma Loja devem ser homens bons e de princípios virtuosos, nascidos livres de idade madura, sem vínculos que o privem de pensar livremente, sendo vedada a admissão de mulheres assim como homens de comportamento duvidoso ou imoral”.
As Mulheres e a Maçonaria:

Apesar da Constituição de Anderson (1723), que é o marco inicial da Maçonaria Especulativa, não permitir a admissão de mulheres, há algumas correntes de pesquisas maçônicas que admitem o fato como sendo um princípio antigo. No Egito e na Índia, pelas pinturas nas tumbas e pelos manuscritos do Antigo Egito, a esposa está presente quando o marido, como sacerdote, executa cerimônias. Nas tradições das sociedades iniciáticas antigas, tanto homens como mulheres de qualquer posição social e cultural, podiam ser iniciados, e a única exigência era a de que deveriam ser puros e de conduta nobre.

Na Idade Média, (final do século XVI) havia restrições quanto ao ingresso da mulher na Maçonaria.

Em 1730, na França, alguns maçons criaram o movimento da “Maçonaria de Adoção”.

Como ensina W. Kirk MacNulty em seu livro “Maçonaria – Uma Jornada por Meio do Ritual e do Simbolismo”:

“A “Maçonaria de Adoção” foi um fenômeno da última metade do século XVII. Uma Loja de Adoção era conduzida por uma Loja Maçônica regular que promovia sessões especiais no curso das quais as mulheres eram admitidas em Loja e participavam de rituais quase maçônicos.

Tais Lojas eram particularmente bem sucedidas na França, onde houve uma revitalização da Maçonaria de Adoção depois da Revolução e que continuou pelo século seguinte. A própria imperatriz Josefina era a Grã-Mestra da “Loja de Adoção Santa Carolina”. Napoleão Bonaparte era maçom.

A Maçonaria, conserva a regulamentação, conforme reza a Constituição de Anderson, de não iniciar mulheres. Atualmente há a Maçonaria Mista e a Maçonaria Feminina, mas não são reconhecidas pelos órgãos competentes maçônicos – ainda não são regulares.

Porém, pode-se imaginar, que a tradição existente na Maçonaria, de somente iniciar pessoas do sexo masculino, seja uma herança de tempos remotos:

O grupo de primatas, do qual descendemos, provém de um tronco insetívoro. Esse grupo subdividiu-se: alguns se tornaram herbívoros, e outros, carnívoros. Esses carnívoros tiveram que se  lançar na competição com outros animais terrestres e, tornaram-se melhores caçadores. Começaram a utilizar instrumentos e aperfeiçoaram as técnicas de caça, com a cooperação social. Diferentemente dos lobos, os hominídeos não se dispersavam após o ataque - e, o grupo caçador era formado somente por machos. As fêmeas estavam ocupadas em cuidar da prole, e não podiam participar ativamente da perseguição e captura das presas. Assim, o papel de cada sexo tornou-se diferenciado.

Socialmente, os indivíduos do sexo masculino aumentaram a necessidade de comunicação e cooperação com os companheiros, e desenvolveram expressões faciais e vocais, criando maior camaradagem - em seus grupos caçadores, exclusivamente formados por machos.

Com o advento da agricultura e da domesticação de vários animais, como caprinos, ovinos, os machos tiveram  suas funções caçadoras diminuídas. Essa lacuna, muito provavelmente, foi compensada com a criação de associações exclusivamente masculinas - proporcionando oportunidade para a interação entre machos e para atividades coletivas. Nessas associações, há um forte componente emocional de união masculina, e preocupação com a interação entre machos, que existia nos primitivos grupos de caçadores cooperativos - essas entidades exercem um importante papel na vida de homens adultos, revelando a manutenção de instintos básicos ancestrais. As mulheres podem não possuir essa necessidade, pois não se associaram em grupos cooperativos, em tempos primitivos.

Fazer parte dessas associações, para os homens, significa compartilhar a masculinidade essencial, uma necessidade moderna da tendência ancestral da espécie para formar grupos de machos caçadores. É interessante observar, que grande parte desses encontros masculinos, termina com um jantar, um lanche, um banquete - o sucedâneo da partilha da comida (caça).

Assim, mulheres e homens, geneticamente, parecem possuir necessidades diferentes. Criaram-se então, “Mistérios” masculinos e femininos. Para a mulher a maternidade, a comunhão com a flora. Para o homem, a caça, a guerra, a comunhão com a fauna. A mulher, a Lua; o homem, o Sol. Porém, para recriar os ciclos da Natureza, o princípio feminino e o masculino juntam-se: são complementares, porém diferentes.

A Maçonaria reverencia o feminino - seus Templos apresentam o Sol e a Lua como símbolos: o Sol e a Lua são símbolos herméticos e alquímicos, ouro e prata, o positivo e o negativo. O Sol é a vida, o masculino. Nos Antigos Mistérios o Sol era adorado por ressurgir da “morte” de seu poente. O Sol era símbolo da regeneração da alma – A Lua, sua complementaridade, o feminino.

A Maçonaria é uma Ordem Solar (masculina), porém, os maçons, trabalham à noite, em suas Lojas, sob a energia feminina, equilibrando os dois pólos. O Sol deve estar presente na decoração do Templo, no teto, mostrando a Luz que vem do Oriente, com a Lua, que representa a Mãe Universal que fertiliza todas as coisas. A mulher é a formadora, a que reúne, rega e ceifa - a natureza do princípio passivo é reunir e fecundar. As forças da Lua são magnéticas, opostas e complementares às do Sol, que são elétricas.

A Ordem, por ter origem muito, muito antiga, respeita a diversidade entre as energias masculinas e femininas.

Os maçons usam três pontos dispostos em triângulo (.*.), como símbolo - símbolo solar, símbolo masculino. Têm uma origem bem antiga – objetos celtas do século IX a. C e, muito antes, nas cerâmicas egípcias e gregas. A tradição grega considerava o triângulo a imagem do céu. Os Três Pontos traduzem a concepção piramidal egípcia e são o símbolo sexual masculino completo: pênis mais testículos, significando o sexo em função procriativa. Procriação - masculino e feminino em equilíbrio.

A Maçonaria, mesmo não iniciando mulheres, demonstra um grande respeito à energia feminina.

A Ordem é uma associação de homens livres e de bons costumes, cultivando os princípios da liberdade, democracia e igualdade, aperfeiçoamento intelectual e fraternidade. É uma entidade iniciática, filosófica, educativa e filantrópica. A Maçonaria, através do ideal de aperfeiçoamento, conduz o indivíduo ao equilíbrio e desenvolvimento pessoal, ao exame da moral e à prática das virtudes. Virtude é a força que impele o ser humano a fazer o bem em sua mais profunda compreensão; é a força que leva ao cumprimento de deveres para com a sociedade e para com a família, sem interesses egoístas.

A Ordem, tendo por objetivo o aperfeiçoamento, conduz à instrução e à evolução moral e intelectual do indivíduo.

A Maçonaria somente considera possível o progresso (pessoal e social) com base no respeito à personalidade, à justiça e à mais estreita solidariedade entre os homens, unindo indivíduos, através do ideal de aperfeiçoamento.


A Maçonaria é uma instituição que promove um renascimento espiritual do homem, através de um realinhamento do sistema de sua conduta moral e ética. O iniciado compromete-se a vencer paixões, vícios, ambições, ódios, desejos de vingança e, o que estiver oprimindo-lhe a alma.

A Instituição não é uma sociedade secreta, porque sua existência é conhecida (mas é uma instituição iniciática: o candidato ingressa por meio de rituais, iniciado por um Mestre Maçom). É uma sociedade “discreta”. As autoridades de vários países lhe concedem personalidade jurídica. Os únicos segredos que existem, e só se conhece por meio do ingresso na Ordem, são os meios usados pelos maçons para reconhecerem-se entre si em qualquer parte do mundo, o modo de interpretar símbolos e os ensinamentos neles contidos, e os Rituais internos das Lojas.

A Maçonaria também é ciência (investigação racional ou estudo da Natureza direcionado à descoberta da Verdade), no seu aspecto mais abrangente, partindo da premissa que homem e Natureza são componentes de um único sistema. É ciência aplicada na prática, eticamente, para a evolução geral da humanidade, entendendo que a ação é decorrência do pensamento, adotando o desenvolvimento do intelecto, como via para o desenvolvimento da capacidade maior da Instituição, da sociedade, do Planeta e do Universo. Proclama a prevalência do espírito sobre a matéria.

A Maçonaria combate: a ignorância, a superstição, o fanatismo, o orgulho, a intemperança, o vício, a discórdia, a dominação e os privilégios.


A Ordem possui um “Código Maçônico” (originário da Maçonaria inglesa) - são preceitos morais e éticos, que devem orientar todo maçom - no Brasil, está presente nas instruções, desde a metade do século passado.

Quando pediram a Aristóteles um código moral por onde pautar a vida, ele disse: “Não posso dar-lhes um código; observem os homens melhores e mais sábios que vocês encontrarem e imitem-nos”.

Código Maçônico:

- Adora o Grande Arquiteto do Universo;

- O verdadeiro culto que se presta ao Grande Arquiteto do Universo consiste, principalmente, em boas obras;

- Tem sempre tua alma em um estado puro, para ser digno diante de tua consciência;

- Ama ao próximo como a ti mesmo;

- Não faças o mal para esperar o bem;

- Estima os bons, ama os débeis, foge dos maus, mas não odieis a ninguém;

- Não lisonjeies teu irmão, pois isto é uma traição; se teu irmão te lisonjeia, teme que ele te corrompa;

- Escute a voz de tua consciência;

- Seja o pai dos pobres, cada suspiro que tua dureza cause-lhes, outras tantas maldições que cairão sobre tua cabeça;

- Respeita o viajante nacional como o estrangeiro; ajuda-o. Ele deve ser uma pessoa sagrada para ti;

- Evita as discussões, evita os insultos, faz com que a razão fique sempre do teu lado;

- Reparte com o faminto teu pão, e aos pobres e peregrinos abriga-os em tua casa; quando vires o desnudo, cobre-o e não desperdices tua comida com quem não a merece - sua carne pelas tuas;

- Não se irrite com facilidade, porque a ira repousa no seio do néscio;

- Detesta a avareza, porque quem ama as riquezas nenhum fruto delas retirará, e isso também é vaidade;

- Foge dos ímpios, senão tua casa será arrasada, somente os lares dos justos florescerão;

- No caminho da honra e da justiça está a vida, mas o caminho transviado conduz à morte;

- O coração dos sábios está onde se pratica a virtude, e o coração dos néscios, onde se festeja a vaidade;

- Respeita as mulheres, não abuses jamais de sua debilidade e muito menos penses em desonrá-las;

- Se tens um filho, regozija-se; mas treme da responsabilidade que te confia. Faz com que até os dez anos te tema, com que aos vinte te ame e que até a morte te respeite. Até os dez anos seja seu Mestre, até os vinte seu pai e até a morte seu amigo. Pensa em dar-lhe bons princípios antes que belas maneiras, que te deva retidão esclarecida e não frívola elegância. Faz um homem honesto antes que um homem hábil;

- Se tens vergonha de teu destino, tens orgulho; pensa que aquele nem te honra nem te degrada, o modo com que cumpras te fará um ou outro;

- Leia e aproveita, veja e imita, reflete e trabalha, ocupa-te sempre no bem de teus irmãos e trabalharás para ti mesmo;

- Contenta-te de tudo, por tudo e com tudo;

- Não julgueis apressadamente as ações dos homens; não reproves e muito menos elogies; antes procura sondar bem os corações para apreciar suas obras;

- Seja entre os profanos, livre sem licença, grande sem orgulho, humilde sem se rebaixar; e entre os irmãos, firme sem ser tenaz; severo sem ser inflexível e submisso sem ser servil;

- Fala moderadamente com os grandes, prudentemente com teus iguais, sinceramente com teus amigos, docemente com os pequenos e ternamente com os pobres;

- Justo e valoroso defende o oprimido, protege a inocência, sem esperar por nada dos serviços que prestares;

- Exato apreciador dos homens e das coisas, não atenderás mais que ao mérito pessoal, sejam quais forem a classe, o estado e a fortuna;

- No dia em que se generalizarem essas máximas entre os homens, a humanidade será feliz e a Maçonaria haverá terminado sua tarefa e cantará seu triunfo regenerador.
Além do Código, há o “Decálogo da Maçonaria”, também originário da Maçonaria inglesa:

- Deus é a sabedoria eterna, onipotente e imutável; suprema inteligência e inextinguível amor. Deves adorá-lO, reverenciar e amar, praticando as virtudes, muito O honrarás;

- Tua religião consiste em fazer o bem, por ser um prazer para ti e não, unicamente, um dever. Constitui-te em amigo do homem sábio e obedece a seus preceitos. Tua alma é imortal; nada farás que a desagrade;

- Combaterás, incessantemente, o vício. Não farás a outrem o que não quiseres que te façam. Deverás ser submisso à Fortuna e conservar vivo o fogo da Sabedoria;

- Honrarás teus pais. Respeitarás e tributarás homenagens aos anciãos. Instruirás os jovens;

- Sustentarás tua mulher e filhos. Amarás tua Pátria e obedecerás às suas leis;

- Teu amigo será para ti, tua própria imagem. O infortúnio não te afastará do seu lado. E farás, por sua memória, o que farias por ele em vida;

- Evitarás e fugirás de falsos amigos, assim como, quando possível, dos excessos. Temerás ser a causa de uma mancha em tua memória;

- Não permitirás que as paixões te dominem. Obterás, das paixões dos demais, lições de proveito para ti mesmo. Serás indulgente com o erro;

- Ouvirás muito; falarás pouco e obrarás bem. Olvidarás as injúrias, darás o bem em troca do mal. Não abusarás de tua força ou superioridade;

- Estudarás o conhecimento dos homens. Buscarás sempre a virtude. Serás justo. Evitarás a ociosidade.    
Para pertencer à Maçonaria o candidato (a palavra “candidato” vem do latim “canditus”, que significa “branco”: na Roma antiga, o postulante vestia-se de branco quando pleiteava um cargo público) deve:


  1. Crer na existência de um princípio Criador, o “Grande Arquiteto do Universo” (G.A.D.U.);

  2. Ser homem livre e de bons costumes;

  3. Ser consciente de seus deveres para com a Pátria, seus semelhantes e consigo mesmo;

  4. Ter uma profissão ou ofício lícito e honrado que permita prover as suas necessidades pessoais, de sua família e a sustentação de obras da Instituição;

  5. Ser convidado por um maçom e ser aprovado pelos demais;

  6. Ter, pelo menos, vinte e um anos ou ser emancipado;

  7. Não ter nenhuma deficiência física que o impeça de cumprir os futuros deveres maçônicos - a Maçonaria, possivelmente, teve origem nas Corporações de Ofício na Idade Média - a corporação de pedreiros. Nas construções, os deficientes físicos não poderiam carregar pedras, subir e descer escadas etc., e por esse motivo não eram aceitos. Mais recentemente, a Ordem não aceita deficientes por causa dos sinais de reconhecimento entre maçons, com as mãos e os pés, que os deficientes não poderiam fazer. Não é uma exclusão discriminatória;

  8. Obrigar-se ao pagamento dos encargos pecuniários estabelecidos nos regulamentos.


- Objetivos:

A Maçonaria tem por objetivos:

A livre investigação da Verdade (unidade da Divindade (Deus) e imortalidade da alma), o exame da moral e a prática das virtudes. Virtude é a força que impele o ser humano a fazer o bem em sua mais profunda compreensão; é a força que leva ao cumprimento de deveres para com a sociedade e para com a família, sem interesses egoístas. Tem por objetivo o aperfeiçoamento, a instrução e a disciplina do indivíduo. O maçom, auto aperfeiçoando-se, estará pronto para contribuir, mesmo que em pequena parcela, para a grandiosa obra moral do desenvolvimento humano.

A Maçonaria tem como lema: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, e é uma sociedade que tem por objetivo unir os indivíduos, sendo esta união, entendida no seu sentido mais amplo e elevado. Logo, seu estímulo para a união entre os homens faz com que admita em seu regaço pessoas de todos os credos religiosos, sem nenhuma distinção. A Ordem não é uma religião, mas é religiosa, porque reconhece a existência de um único princípio Criador, Regulador, Absoluto, Supremo e Infinito ao qual dá o nome de “Grande Arquiteto do Universo”; é religiosa porque é uma entidade espiritualista, em contraposição à concepção do predomínio do materialismo.

A Maçonaria reconhece o Grande Arquiteto do Universo, Deus, mas um Deus entendido dentro dos princípios de tolerância religiosa do deísmo, tradição que recusa a idéia de que só uma instituição tem o poder para fazer a ligação com o Divino. Deísmo é diferente de teísmo. Para o teísmo, Deus é o autor do mundo. Para o deísmo, Deus é o princípio ou causa do mundo, infuso ou difuso na Natureza, como o Arquiteto do Universo. Trata-se de um Deus de todas as religiões. É antes um Deus da Natureza do que um Deus da humanidade. E, por isso, um maçom pode ser judeu, católico, muçulmano, etc., ou não professar nenhuma religião. Só não deve ser ateu. A Maçonaria como todas as Tradições Iniciáticas, entende a Divindade como o centro e a fonte de todas as coisas. Mas, a idéia de Deus como um “Grande Arquiteto”, é anterior à Maçonaria Especulativa.

- Missão:

Através das ações de seus adeptos, sua missão é a prática das virtudes e da caridade, é confortar os desafortunados, é não voltar as costas à miséria, é restaurar a paz de espírito aos desamparados e dar novas esperanças aos desesperados.

A Maçonaria tem a missão de aperfeiçoar as vidas dos seus membros, investigar a Verdade, conduzir seus membros a dedicarem-se às boas obras, fazer amigos e reconhecer seus semelhantes como irmãos.

O iniciado considera-se pedra bruta e, tem a missão de aprimorar-se e tornar-se “polida”.



- Propósitos:

O propósito da Maçonaria é estudar caminhos que levem à evolução do Planeta. O rumo é em direção à Luz (um dos nomes do Grande Arquiteto do Universo), através do pensamento racional – a potência mental também é uma Luz e a Luz da mente incorpora a própria Luz Divina. A proposição é que, se cada indivíduo refletir sobre suas atitudes e buscar sempre o caminho do bem e da perfeição, a sociedade vai caminhar naturalmente sob a égide do progresso. A evolução individual terá como conseqüência, a evolução da humanidade. E, cada maçom escolherá e trilhará seu próprio caminho de crescimento individual, pois tem liberdade de pensamento.



- Obediências:

A Maçonaria no mundo divide-se em Obediências Maçônicas, chamadas de Grande Loja, Grande Oriente ou Simples Ordem Maçônica. São unidades administrativas diferentes que agrupam diversas Lojas, mas que transmitem os mesmos ideais. No Brasil existem três grandes grupos de Obediências Maçônicas:

. Grande Oriente do Brasil – com Grandes Orientes Estaduais;

. CMSB – Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (Grandes Lojas Estaduais formam a CMSB);

. COMAB – Grandes Orientes Independentes (Grandes Orientes Estaduais Autônomos, que formam a COMAB).

3- Ritos e Graus:

- Ritos:

Rito, do latim “ritus”, significa algo convencional, formal. Rito é um cerimonial próprio de um culto ou de uma sociedade, determinado pela autoridade competente – é a ordenação de qualquer cerimônia.

Rito Maçônico é um conjunto de cerimônias e ensinamentos, que variam de acordo com o período histórico, interpretação, objetivo e temática dada por seu criador.

Rito é o método utilizado para transmitir os ensinamentos e organizar as cerimônias maçônicas. Rito é cada diferente sistema maçônico para instrução, para o trabalho e mesmo para o Ritual de Iniciação. Rito é a prática de se conferir a Luz Maçônica a um indivíduo, através de um cerimonial característico.

Em seiscentos anos de Maçonaria documentada, vários Ritos surgiram. Mas, de 1356 a 1740, existiu um Rito, apenas um sistema de cerimônias e práticas. Somente a partir de 1740 é que vários Ritos floresceram na Europa.

Um Rito deve ter conteúdo que consagre algumas peculiaridades estabelecidas: o símbolo do Grande Arquiteto do Universo, o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso sobre o Altar dos Juramentos, sinais, toques, palavras e a divisão da Maçonaria Simbólica em três Graus.

Não há nenhum órgão internacional para reconhecer os diversos Ritos. Acima do terceiro Grau, cada Rito estabelece sua própria doutrina, hierarquia e cerimonial. Cada Rito possui características próprias.

Segundo os ensinamentos de Papus (1865-1916: Gérard Anaclet Vincent Encausse, médico espanhol - em seu livro “ABC do Ocultismo”- maçom), os Ritos dividem-se em três categorias principais:

a)- Ritos de estudos filosóficos elementares, de ação política imediata. A tendência desses Ritos é a transformação da Maçonaria em sociedade profana. O Grande Oriente da França, ou Rito Francês Moderno, alguns Grandes Orientes do Estrangeiro estão ligados a este sistema;

b)- Ritos nos quais a hierarquia e os Altos Graus são escrupulosamente conservados. Os Ritos pertencem ao sistema Escocês. Entre os Ritos ligados a este sistema Escocês: Rito Escocês Antigo e Aceito de Morin, reformado por Pike, Rito Escocês Antigo e Aceito de Cerneau, Rito Primitivo e Original da Franco-Maçonaria , Rito Nacional Espanhol , Rito Antigo e Primitivo, etc. e o Rito Universal Misto. As palavras “antigo” e “primitivo” indicam, geralmente, a conexão ao sistema Escocês, ao passo que a palavra “moderno” indica conexão ao sistema precedente;

c)- Certos maçons, ligados a sociedades Rosa-Cruz, quiseram aprofundar esta ciência, adaptando-lhe Graus cabalísticos e místicos. Este gênero de Maçonaria tem se restringido a uma elite e, freqüentemente, compreende apenas Altos Graus, deixando aos demais Ritos a tarefa de preparar iniciados futuros. O mais conhecido desses Ritos é o de Misräin, depois o de Mênfis. O Rito de Swedenborg e as Ordens de Iluminados Cristãos estão ligados a esses Ritos especiais.
Os Ritos mais difundidos no mundo hoje são:


  • Rito Escocês Antigo e Aceito;

  • Rito de York;

  • Rito de Schröder;

  • Rito Francês ou Moderno;

  • Rito Brasileiro (só no Brasil);

  • Rito Adonhiramita.

Existem mais de cento e cinqüenta Ritos atualmente, porém, os mais praticados são o Rito Escocês e o de York.





  • Graus:

_,_._,___

A Maçonaria utiliza o sistema de Graus para transmitir seus ensinamentos, cujo acesso é obtido por meio de uma iniciação (Ritual de Aceitação) a cada Grau, e os segredos são transmitidos através de gestos, palavras e símbolos.

A Maçonaria é composta por Graus Simbólicos e Filosóficos, variando de Rito para Rito.

A constituição dos três primeiros Graus é obrigatória e, está prevista nos “Landmarks” da Ordem. A Maçonaria Simbólica compreende os seguintes Graus:

- 1º Grau – Aprendiz – Deve, acima de tudo, “saber aprender”. É o primeiro contato com o Simbolismo Maçônico. O Aprendiz “aprende” as funções de cada um no Templo e busca o desenvolvimento das virtudes e a eliminação dos vícios. Muitos maçons antigos afirmam que este é o mais importante de todos os Graus. Ferramentas (Símbolos) usadas nos trabalho do 1º Grau: Malho, Cinzel, e a Régua de Vinte e Quatro Polegadas (as Ferramentas de Trabalho representam capacidades emocionais que o maçom precisa identificar, controlar, e depois usar em sua vida cotidiana);

- 2º Grau – Companheiro – Esta fase propicia ao maçom um profundo conhecimento de símbolos, além de avanços Ritualísticos e desenvolvimento do caráter. Ferramentas usadas nos trabalhos do 2º Grau: Nível, Prumo e o Esquadro;

- 3º Grau – Mestre – É o Grau da plenitude maçônica. No âmbito do Simbolismo (Lojas Simbólicas), é o Grau mais elevado que permite ocupar quaisquer cargos. O Mestre possui conhecimentos elevados da história e objetivos maçônicos. Ferramentas usadas nos trabalhos do 3º Grau: Compasso, Lápis e o Carretel Apontador.
O trabalho realizado nos Graus Superiores é optativo e de caráter filosófico. Existem diversos sistemas de Graus Superiores, como o de Trinta e Três Graus no Rito Escocês Antigo e Aceito, o de Catorze Graus no Rito de York, etc.
- Ritos na Maçonaria:


  • Rito Escocês Antigo e Aceito:

Este Rito é uma das cerimônias mais difundidas na Maçonaria atualmente. É composto por Trinta e Três Graus. Ele foi formado ou extraído do Rito de Perfeição ou Rito de Heredon, que contava Vinte e Cinco Graus. A constituição dos Altos Graus é atribuída ao pensador escocês Andrew Michael Ramsay (1686-1743), sendo a base do Rito Escocês Antigo e Aceito. Ramsay protagonizou a criação deste Rito em solo francês, ocasião em que proferiu dois discursos de grande repercussão a respeito do assunto.

“Antigo”: porque é ex-operativo. “Aceito”: por serem seus membros aceitos ou iniciados, sem serem construtores.

A origem do Rito Escocês Antigo e Aceito é razão de muitas discussões.

Ao contrário do que se acredita, o Rito Escocês nada tem a ver com a Escócia, pois na época do aparecimento deste Rito, as Lojas da Escócia trabalhavam no Rito “Emulation Rite”. O Rito de York é praticado nos EUA. O “Emulation Rite” é praticado na Inglaterra e na Comunidade Britânica, como em toda a Grã-Bretanha.

O Rito Escocês surgiu na França, depois de lá ter sido introduzida a Maçonaria Inglesa, do Rito de “Emulation Rite”.

No final do século XVII, vários maçons escoceses fugiram para a França, em virtude de acontecimentos e convulsões sociais, que aconteceram nas Ilhas Britânicas. O tipo de cerimonial que praticavam ficou marcado como Ritual dos Escoceses ou Rito Escocês.

Foi a partir de 1732 que a primeira Loja desses maçons escoceses “Scottish Chalé” passou a funcionar em Bordeaux, um dos centros maçônicos mais antigos e influentes na França.

Entre os Ritos ligados ao sistema escocês:



  • Rito Escocês Antigo e Aceito de Morin reformado por Pike: Etienne Morin foi o fundador da Loja Mãe Escocesa de Bornéus e organizou em São Domingo e na Jamaica, na década de 1760, a Maçonaria de Perfeição, com Vinte e Cinco graus. Mas também se deve a Andrew Francken, deputado e Grande Inspetor de Etienne Morin na América do Norte, uma transcrição dos Rituais da Maçonaria de Perfeição.

  • Rito Escocês Antigo e Aceito por Cerneau;

  • Rito Primitivo e Original da Franco-Maçonaria;

  • Rito Nacional Espanhol;

  • Rito Universal Misto, etc.


Os Trinta e Três Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito:
1º, 2º, e 3º - Graus concedidos pelas Lojas Simbólicas;

Do 4º ao 14º - Graus concedidos pelas Lojas de Perfeição;

Do 15º ao 18º - Graus Capitulares concedidos pelos Capítulos Rosa-Cruz;

Do 19º ao 30º - Graus Filosóficos concedidos por um Conselho Kadosh;

31º e 32º - Graus Administrativos concedidos pelo Consistório;

33º - Último Grau Administrativo concedido pelo Supremo Conselho.


1º Grau - Aprendiz Maçom – Grau de iniciação nos trabalhos da Arte Real. Dedica-se aos ensinamentos da filosofia maçônica;

2º Grau - Companheiro Maçom – Grau intermediário; consagrado à exaltação do trabalho de como transformar a pedra bruta em pedra cúbica;

3º Grau - Mestre Maçom – O Grau que consagra a prevalência do espírito sobre a matéria;

4º Grau – Mestre Secreto – Grau de meditação; os verdadeiros segredos da Maçonaria devem ser objeto de pesquisas. Neste Grau o maçom também aprende as virtudes do silêncio. Avança no conhecimento de símbolos utilizados na Maçonaria;

5º Grau – Mestre Perfeito – Grau de meditação; estuda a filosofia da Natureza. Aprende a meditação interior. Este Grau privilegia o princípio moral de render culto à memória de honrados antepassados;

6º Grau – Secretário Íntimo ou Mestre Por Curiosidade – Esse Grau é baseado na idéia de aprendizagem do comando e sua moral resume-se no respeito que se deve ter aos segredos alheios. É dedicado à necessidade de se buscar conhecimento, sem o qual não há progresso. Contudo adverte para a vã curiosidade capaz de gerar malefícios. Investiga-se a miséria social e as maneiras de combatê-las;

7º Grau – Preboste e Juiz ou Mestre Irlandês – É consagrado à eqüidade severa com a qual, deve-se julgar as próprias ações. Neste Grau estuda-se a Eqüidade, os princípios da Justiça, o Direito Natural e alguns princípios éticos de liderança;

8º Grau – Intendente dos Edifícios ou Mestre em Israel – A liberdade é o único traço de união entre o trabalho e a propriedade. Dedica-se a estudar a fraternidade do homem através de valores como o trabalho e o direito à propriedade. Combate a hipocrisia, a ambição e a ignorância;

9º Grau – Mestre Eleito dos Nove - Grau de iluminação. Consagra-se ao zelo virtuoso e ao talento esclarecido que, por bons exemplos e generosos esforços, vingam a verdade e a virtude do erro e do vício. Estuda-se a realidade dos ciclos, as forças negativas e a força da reconstrução;

10º Grau – Mestre Eleito dos Quinze - Consagrado à eliminação de todas as paixões e de todas as tendências censuráveis. Estuda-se a extinção de tendências pouco proveitosas;

11º Grau – Sublime Cavaleiro Eleito ou Cavaleiro Eleito dos Doze – Consagrado à regeneração dos costumes, às ciências e às artes. Dedica-se à regeneração;

12º Grau – Grão-Mestre Arquiteto – Representa-se o povo e consagra-se à coragem perseverante. Estuda o poder da representação popular;

13º Grau – Cavaleiro Real Arco – Destinado à interpretação dos primeiros instituidores da Ordem. Estuda os magos pontífices do Egito e de Jerusalém;

14º Grau – Grande Eleito ou Perfeito e Sublime Maçom – Consagrado ao Grande Arquiteto do Universo. É o mais alto Grau das Lojas de Perfeição. Proclama o direito inalienável da liberdade da consciência. Defende uma educação digna para que o homem possa ter governantes que assegurem direitos e obrigações compatíveis;

15º Grau – Cavaleiro do Oriente – Esse Grau aborda o momento histórico do fim do exílio dos hebreus na Babilônia. Dedica-se à luta incessante para o progresso pela razão;

16º Grau – Príncipe de Jerusalém – O Grau é consagrado ao retorno à Terra Santa. Estuda a vitória da liberdade como conseqüência da coragem e perseverança;

17º Grau – Cavaleiro do Oriente e do Ocidente – Grau consagrado aos Cruzados. Explora o direito de reunião;

18º Grau – Cavaleiro Rosa-Cruz – Esse Grau celebra o advento de Cristo. É dedicado ao triunfo da Luz sobre as trevas. É a libertação pelo Amor;

19º Grau – Grande Pontífice ou Sublime Escocês dito da Jerusalém Celeste – Fala sobre o triunfo da Verdade, estuda o pontificado;

20º Grau – Soberano Príncipe da Maçonaria ou Mestre “Ad Vitam” – É consagrado aos deveres dos chefes das Lojas Maçônicas;

21º Grau – Noaquita ou Cavaleiro Prussiano - Estuda os perigos da ambição e o arrependimento sincero;

22º Grau – Cavaleiro do Real Machado ou Príncipe do Líbano – Estuda o trabalho como propagador de sentimentos nobres e generosos;

23º Grau - Chefe do Tabernáculo - Dedica-se à vigilância dos valores propagados pela Ordem e ao combate da superstição;

24º Grau - Príncipe do Tabernáculo - Dedica-se à conservação das doutrinas maçônicas;

25º Grau – Cavaleiro da Serpente de Bronze – Dedica-se ao combate do despotismo;

26º Grau – Príncipe da Mercê ou Escocês Trinitário – Estuda princípios de organização social através da Igualdade e Harmonia;

27º Grau – Grande Comendador do Templo ou Soberano Comendador do Templo de Jerusalém – Defende princípios de governo democrático;

28º Grau – Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto – Estuda a Verdade;

29º Grau – Grande Cavaleiro Escocês de Santo André ou Patriarca dos Cruzados – É dedicado à Antiga Maçonaria da Escócia;

30º Grau – Grande Inquisidor ou Cavaleiro Kadosh ou Cavaleiro da Águia Branca e Negra – Fecha o ciclo de estudos no Kadosh. É um Grau de estudos profundos a respeito do simbolismo e filosofia maçônicos;

31º Grau – Grande Juiz Comendador ou Inspetor Inquisidor Comendador – Estuda o exame de consciência detalhado. Só os conscientes podem ser justos. Estuda-se História;

32º Grau – Sublime Cavaleiro ou Príncipe do Real Segredo – Estuda o Poder Militar;



33º Grau – Soberano Grande Inspetor Geral – É o último Grau. Fecha o ciclo de estudos. É, em última análise, o maçom mais responsável pelos destinos da Maçonaria no país. É o Guardião Mestre e Condutor da Maçonaria.





  • Rito de York:

É considerado bastante antigo. É o mais praticado em todo o mundo - por cerca de 85% dos maçons.

O Rito de York é executado desde os tempos do rei anglo-saxão, Athelstan, século X, da cidade de York, capital do território da Nortúmbria. Segundo o “Manuscrito de Halliwell”, no ano 926 houve um grande congresso de maçons, convocado e presidido pelo príncipe Edwin, filho do rei Athelstan. Edwin tornara-se geômetra e mestre-de-obras, após ter passado por todas as etapas da Iniciação Maçônica – e, foi eleito Grão-Mestre. Daí por diante, todos os anos, é realizada uma reunião maçônica em York. Edwin escolheu três símbolos como elementos de base da Ordem: um Esquadro em ouro, um Compasso de prata com pontas de ouro e uma Trolha (pá) de prata.

Mesmo após a fundação da Grande Loja de Londres, em 1717, as Lojas Britânicas, em sua maioria, continuavam a respeitar as Antigas Obrigações e não à Grande Loja Britânica – que, ficou com sua influência bastante limitada. As Lojas Britânicas não aderiram ao Sistema de Obediência, permanecendo livres.

O centro de resistência à Grande Loja era a antiga Loja de York, de tradição Operativa e que dava aos membros da Grande Loja, o título de “Modernos”, enquanto eles próprios se autodenominavam “Antigos”, pelo respeito às antigas leis. Na união dos maçons “Antigos” e “Modernos” em 1813 - as duas Grandes Lojas rivais inglesas - foi oficialmente aprovado o Ritual dos “Antigos” como o Ritual Oficial da Grande Loja Unida da Inglaterra e, naquele momento o procedimento maçônico resultante dessa união recebeu o nome de Rito de Emulação – “Emulation Rite”.

Portanto, por força do “Act of Union” firmado pelas duas Grandes Lojas rivais, a denominação Rito de York deixa de existir, pelo menos formalmente. A nova denominação foi adotada para que não ficasse caracterizado que a Grande Loja de Londres submetera-se à Grande Loja de York, cujo Rito, até a época da união, denominava-se “Rito de York”.

O Rito de York praticado nos Estados Unidos difere do “Emulation Rite” praticado na Inglaterra. O “Emulation Rite” na Inglaterra, não possui Graus filosóficos. Nos Estados Unidos, o Rito de York é constituído pelos três Graus Simbólicos e quatro Graus Filosóficos. Estas não são as únicas diferenças. Existem outras, de ordem Ritualística.

Rito de York ou Americano é aquele praticado pelas Grandes Lojas dos Estados Unidos. Apresenta Catorze Graus, ou seja, conta com Onze Altos Graus, apesar de grande parte dos maçons americanos praticarem os três primeiros Graus da Loja Simbólica em Rito de York e o restante no Rito Escocês Antigo e Aceito.

No Rito de York existem apenas três cargos que são eletivos: o Mestre da Loja, o Tesoureiro e o Guardião (Guarda Externo, em alguns casos, quando ele não é membro da Loja) – nos demais Ritos, toda Loja tem, pelo menos, o Venerável Mestre, dois Vigilantes, o Orador, o Secretário, o Companheiro e o Aprendiz.

No Brasil existem inúmeras Lojas Maçônicas que adotam a linha inglesa, ou seja, o “Emulation Rite”, apesar do uso da denominação “Rito de York”, que acabou se consagrando.



  • Rito de Schröder:

Foi criado por Friedrich Ludwig Schröder (1774-1816: em Shwerin, Alemanha), e introduzido em sua Loja em 29 de junho de 1801, em Hamburgo, Alemanha.

É um Rito simples e, opera nos três Graus Simbólicos, não possuindo Altos Graus ou Graus Filosóficos.

Schröder aboliu o ocultismo que dominava a Maçonaria Alemã, por entender a Maçonaria como uma união de virtudes, e não uma sociedade esotérica – enfatizou o ensinamento dos valores morais e o espírito fraterno. Preservou os símbolos, resgatando o princípio que afirmava ser a “Verdadeira Maçonaria, a dos Três Graus de São João”.

Schröder restaurou o Antigo Ritual Inglês, adaptando-o para a cultura germânica de sua época. Por isso o Rito de Schröder é semelhante ao Rito de York (“Emulation Rite”), sem ser uma cópia deste.





  • Rito Francês ou Moderno:

Como se sabe, a Maçonaria Moderna surgiu quando, em 1717, quatro Lojas de Londres se uniram para formar a Grande Loja de Londres, priorizando estudos teóricos e afastando-se da prática da construção.

O Rito Francês ou Moderno criado em 1761, foi reconhecido pelo Grande Oriente de França, em 1774, com a nomeação de uma comissão para reduzir os Graus, deixando apenas os Simbólicos. No princípio houve uma forte oposição, então a comissão deixou quatro dos principais Graus Filosóficos; com o decorrer do tempo, algumas Lojas adotaram o Rito.

A denominação Rito Francês, surge inicialmente num processo de uma deliberação do Grande Oriente de França, de 25de novembro de 1799 sobre uma Loja de Nova Iorque sob o Rito Francês. No século seguinte o mesmo Rito será conhecido como Moderno.

Tudo indica que o nome de Rito Francês e depois Rito Moderno, foi utilizado pelo Grande Oriente de França, em oposição ao nome Escocês, usado por vários Ritos praticados na França no século XVIII.

Atualmente é um Rito muito praticado na França e nos países que estiveram sob sua influência.

Segundo o Rito Francês ou Moderno, o Universo é governado por leis imutáveis com as quais o indivíduo se relaciona.





  • Rito Brasileiro:

Alguns escritores afirmam que, o Rito Brasileiro foi criado em 1864, em Pernambuco, com o nome de “Maçonaria Especial do Rito Brasileiro”.

Porém, oficialmente, sua criação foi em 23 de dezembro de 1914, através do Decreto nº 500 do Soberano Grão-Mestre Lauro Sodré. Teve curta duração inicial, ficando sem uso de meados da década de 40 (1940) até a década de 60 (1960). Houve várias tentativas de reerguer o Rito, porém sem sucesso. Somente em 1968, sendo Grão-Mestre o professor Álvaro Palmeira, este Rito foi regularizado, sendo praticado por várias Lojas. O Rito Brasileiro é Regular, Legal e Legítimo. Acata os “Landmarks” e os demais princípios tradicionais da Maçonaria, podendo ser praticado em qualquer país. O Rito Brasileiro mantém os três Graus Simbólicos de acordo com a tradição maçônica e adota o sistema de mais Trinta Altos Graus ou Graus Filosóficos, que têm características nacionais, com temas atuais e relevantes. O Rito Brasileiro possui organização e doutrina bem estruturadas. Adota a legenda “Urbi et Orbi”, que significa sua atuação nacional e internacional.





  • Rito Adonhiramita:

Esse Rito teve origem na França, no século XVIII, na crença dos franceses de que o principal construtor do Templo do Rei Salomão teria sido Adonhiram, e não Hiram Abiff. Foi uma polêmica entre estudiosos ritualistas. Na construção do Templo de Salomão Adonhiram sucedeu Hiram Abiff, chamado de Adon-Hiram (Senhor Hiram). Adonhiram era arquiteto e preposto das corvéias do Templo de Jerusalém, de acordo com os textos bíblicos. Preposto é o auxiliar encarregado de certos negócios e que age em nome e por conta de um patrão, um preponente. Corvéia era o trabalho ou o serviço gratuito – praticamente um trabalho escravo – que as pessoas tinham que prestar ao rei (também presente no feudalismo europeu). Adonhiram era o contratante dessa atividade servil, como preposto de Salomão, e depois de Roboão (filho de Salomão) - ele era encarregado dos impostos.

Os adeptos dessa teoria eram chamados de adonhiramitas, e foi um desses maçons, Louis Guillemain de Saint Victor, que em 1781 publicou um livro intitulado “Recueil Precieux de La Maçonnerie Adonhiramite”, onde constava um pequeno histórico e o resumo de quatro Graus desse Rito. Em 1787, ele publicou o segundo volume, contendo mais oito Graus, que foi modificado pelo americano Arthur Eduard Waite.

O Rito, depois de uma época de grande difusão, acabou desaparecendo. Todavia, no Brasil, (onde foi o primeiro Rito praticado), ele permaneceu, fazendo com que o país seja hoje o centro do Rito, que teve seus Graus aumentados de Treze para Trinta e Três.

4- Ritualismo, Simbologia e Símbolos:

A Simbologia é a ciência mais antiga do mundo. Através dos símbolos, os povos primitivos se expressavam e comunicavam suas tradições. O primeiro aprendizado no mundo foi constituído por símbolos. Em um tempo onde a linguagem oral era ainda incipiente, os símbolos foram o meio de comunicação. A palavra símbolo deriva da palavra grega “symbolom”, que significa juntar, reunir. Os símbolos são uma representação de objetos, idéias ou ações e são uma linguagem especial, compreensível pelo hemisfério direito do cérebro, isto é, a imaginação. Eles têm um efeito muito poderoso na mente humana, sendo mais eficientes do que palavras. Isso porque o significado contido em um termo muitas vezes, não traduz, de fato, a essência do que busca comunicar.

Segundo Jacob Bronowski (1908-1974: filósofo, matemático e cientista polonês): “o mundo que o espírito humano conhece e explora não sobrevive sem conceitos simbólicos. O símbolo e a metáfora são tão necessários à ciência, como à poesia”.

As antigas culturas que conhecemos, tinham sem exceção, uma coisa em comum: símbolos e rituais. A partir de símbolos elas criavam rituais, não só para as principais fases de transição da vida (ritos de passagem), mas também para o dia-a-dia e suas exigências.

As etapas de transição da vida exigem rituais e, eles estiveram presentes em todas as épocas – as culturas arcaicas confiavam na energia iniciática dos ritos da puberdade, por exemplo, coisa que a nossa sociedade desvaloriza. Não é muito fácil para um jovem, nas sociedades modernas, amadurecer, pois lhe faltam rituais de passagem que o liguem, com segurança, a um novo padrão do mundo dos “adultos”, que tem regras e símbolos diferentes. Como não há mais esses rituais, o jovem fuma seu primeiro cigarro, toma sua primeira bebida alcoólica, experimenta outras drogas, numa tentativa correspondente. O inconveniente desses procedimentos “substitutos”, é que não oferecem nenhuma segurança de ingresso no mundo adulto e, os jovens, muitas vezes, acabam ficando “dependentes” desses rituais.

Como não existe nenhuma cultura antiga (e mesmo moderna) sem rituais, pode-se inferir que, eles façam parte, necessariamente, da trajetória humana.

O biólogo e pensador, Rupert Sheldrake, (1942: PhD., biólogo e bioquímico inglês, pesquisador da Universidade de Cambridge, Inglaterra) com suas pesquisas sobre campos morfogenéticos ou formativos, confirmou que há relações entre distintos seres vivos que escapam a explicações lógicas. Esses campos vibram ao mesmo tempo no mesmo plano e se comportam como se fossem somente um ser. Constituem uma egrégora: egrégora é a somatória de energias criada por grupos ou agrupamentos, em virtude da força vibratória gerada por cada indivíduo. Essa força é maior e de vibração diferente da de cada um. A egrégora é resultante de uma sinergia. E, qualquer que seja a natureza da egrégora, ela estará presente em cada indivíduo do grupo que a formou (confirmando o Paradigma Holográfico, do físico David Bohm).

Um dos Princípios Herméticos postula que tudo vibra: Princípio da Vibração - “Nada está parado; tudo se move, tudo vibra.”. A ciência já comprovou a verdade por trás desse princípio. As diferenças entre as diversas manifestações da matéria, energia, mente e espírito, resultam de ordens variáveis de vibração.

Os organismos dos seres vivos são formados por células, e estas por moléculas, átomos e núcleos e, assim, são condensadores de energia.

Segundo Rupert Sheldrake, os campos morfogenéticos ou morfológicos, são estruturas invisíveis que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas. Toda célula, molécula, átomo ou organismo que existe, gera um campo organizador. Assim, sempre que um membro de um grupo aprende um comportamento e esse comportamento é repetido várias vezes, o campo é modificado e a modificação afeta o agrupamento por inteiro.

O campo morfogenético é uma região de influência que atua dentro e em torno de todo organismo vivo e está presente em pensamentos e atitudes. Cada ser cria um campo morfológico e, é aplicável a todos os sistemas: assim é o maçom em relação à Maçonaria e à sua Loja. Sua presença na Loja é muito importante para a captação dessas energias e para sua própria evolução espiritual. Se os conteúdos mentais, emocionais e espirituais são transmitidos de uma pessoa a outra, essas propriedades podem ser assimiladas por cada maçom, com sua presença nos trabalhos da Loja.

O físico brasileiro Luiz Alberto Oliveira, afirma que os seres humanos são indivíduos e, ao mesmo tempo, elementos de massa. E, essa é a simbologia da Corda de Oitenta e Um Nós. Para os maçons, uma corda com nós é o símbolo de sua comunidade. O nó simboliza o enlace e a união. Em torno do Templo é colocada uma corda, com nós simples, feitos de espaço em espaço. Os nós isolados são frágeis, mas unidos, tornam-se extremamente resistentes. Os nós representam os maçons, que se unem sem se fundir, sem perder a sua individualidade.

A egrégora da Maçonaria é criada por pensamentos, sentimentos e ações elevados, que adquire vida e que é alimentada por mentalizações e vibrações de seus obreiros. A egrégora é uma entidade autônoma que se forma pela persistência e intensidade das correntes emocionais e mentais. Pensamentos e sentimentos fracos criam egrégoras frágeis e de pouca duração, porém pensamentos e sentimentos enérgicos, vibrantes, criam egrégoras poderosas e de longa duração.
Segundo a citação maçônica:

“Se perguntarem a um maçom: Quantos sois vós? Respondereis: SOMOS UM SÓ.”

Atualmente, a Física e a Biologia sustentam o que as antigas orientações iniciáticas e filosóficas do Oriente sempre apontaram. Neste sentido, é compreensível que ensinamentos antigos, tais como os de Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus Von Hohenheim, Paracelso (1493-1541: famoso alquimista) – “além do médico Celso – Aurélio Cornélio Celso”, médico cirurgião romano, que viveu no século I, autor da mais famosa obra de medicina dos antigos romanos “De Re Medica”, “Das Coisas Médicas” - de que o homem e o mundo são um, voltem a ser considerados. E, os Rituais são o caminho mais direto para construir esses campos. Os indivíduos que vivenciam Rituais constroem campos formativos fortes.

A linguagem de todas as grandes escolas de sabedoria é expressa através dos Rituais – e, esses Rituais exercem funções emocionais, intelectuais, sociais, pedagógicas, cosmogônicas e éticas. O objetivo dos Rituais Maçônicos não é estabelecer fatos históricos, mas transmitir doutrinas filosóficas.

A Maçonaria, sempre esteve na vanguarda dessa tradição, agora já reconhecida como fato científico. A Ordem utiliza símbolos e Rituais para conduzir o consciente e o inconsciente do participante a níveis cada vez mais profundos e expandidos.

O Ritual de Iniciação é o mais significativo para o postulante maçom. É o início de uma nova fase da vida. Na Ordem, a Iniciação é um Ritual que expressa a morte simbólica do homem comum, para seu renascimento em estágio espiritual mais elevado, como membro da Maçonaria.

A Ordem possui seus símbolos e seus Rituais que, hoje, podem ser explicados cientificamente, como formadores de campos morfológicos úteis e benéficos.

Ao que parece, a decadência das Lojas Medievais ou Operativas, fez com que o Antigo Ritualismo fosse consideravelmente distorcido e corrompido (a transmissão acontecia oralmente, de Loja para Loja e de Mestre para Mestre, desde os tempos romanos).

Com o surgimento da Maçonaria Especulativa ou Franco-Maçonaria, em 1717, na Inglaterra, ressurgiu o estudo da simbologia religiosa, que se encontrava perdido na ignorância medieval. Os maçons especulativos começaram a estudar os símbolos religiosos, iniciáticos e alquímicos. Os símbolos remontam às origens da humanidade sendo, fundamentalmente, esotéricos – revelam de forma velada a sabedoria cósmica que orienta cada indivíduo nos passos da iniciação interna (Paracelso: “o homem e o mundo são um”, Hermes Trismegistos: “o que está em baixo é como o que está no alto”, etc.).

Coube aos primeiros maçons especulativos recuperar o que havia restado dos Rituais Operativos. Os Mistérios Antigos podem ser a fonte da filosofia, da doutrina e da Ritualística Maçônica - esses “Mistérios” consistiam em um grupo de crenças e práticas que, sempre existiu, nas tradições dos povos.

Os símbolos, segundo Carl Gustav Jung, (1875-1961: psiquiatra suíço, discípulo de Freud - maçom) não são apenas alegorias, porém, imagens com conteúdos que podem transcender a consciência (são arquétipos). Jung postulou: “O homem necessita de uma vida simbólica.”

A observação de símbolos místicos no interior de uma Loja Maçônica provoca estímulos no cérebro, que são processados e compreendidos pelo inconsciente, através da memória genética: religiões milenares, religiões pagãs, oráculos (tarô, runas, numerologia, etc.), mitologias. Os símbolos inspiram e ensinam, e são a matéria prima de uma linguagem atemporal. Portanto, a Maçonaria não pode ser compreendida, somente, intelectualmente. “O que interessa à filosofia maçônica não é apenas o homem em si, mas o homem-símbolo”. – Rizzardo da Camino (1918-2008: escritor maçônico).

Fundamentado na Simbologia, o ensinamento maçônico só pode ser auto-didático e pessoal - para cada maçom, será o fruto dos seus estudos e de suas próprias interpretações.

São inúmeros os símbolos maçônicos, porém, alguns se destacam, pelo seu uso mais constante entre os maçons:




  • Esquadro:

Trata-se do símbolo maçônico mais usado e conhecido. Todos os Graus da Maçonaria têm o Esquadro como símbolo primário. Por ser uma figura geométrica, indica o equilíbrio do comportamento que conduz ao aperfeiçoamento humano no “caminho reto da justiça”. Na Maçonaria o Esquadro representa a Terra e orienta o caminho do maçom do começo ao fim de sua jornada. Para os Antigos Egípcios, o Esquadro era um quadrado perfeito, usado no Culto de Osíris para julgar os mortos – o quadrado, com
sua forma limitada dá a idéia de algo estático, material. É símbolo da Terra e se opõe ao Círculo, que representa o Céu;


  • Compasso:

Há onze espécies de compassos: de pontas secas; porta-lápis; de quarto de círculo; de redução; de espessura; de tira-linhas; de três pontas; de corrediça; de calibres; de proporção e de marinha. O Compasso Maçônico é o de pontas secas.

A Maçonaria adota o Compasso como um dos seus grandes símbolos e, coloca-o sobre o Altar da Loja, enlaçado com o Esquadro, significando o macrocosmo. É emblema de medida e justiça. O Compasso remete à figura geométrica mais repleta de significados: o Círculo. O Compasso, por sua posição, pode traduzir a estática e a dinâmica – com as hastes fechadas, ele somente marca um determinado ponto: um símbolo para o início do caminho empreendido pelo Aprendiz. Abertas, as hastes traçam o círculo, que é o símbolo da perfeição, aquilo que começa e acaba em si mesmo, da unidade, do absoluto – o infinito;




  • Acácia:

A Acácia era a árvore que fornecia sua madeira aos povos hebreus – foi muito empregada na construção do Tabernáculo. Planta consagrada nas cerimônias como símbolo da inocência, iniciação e imortalidade da alma. Na lenda de Hiram Abiff, seus três assassinos marcaram o lugar onde ocultaram seu corpo com um ramo de Acácia. O Diploma da Acácia é conferido, em algumas Lojas, ao maçom assíduo;


  • Avental:

É o símbolo do trabalho. É a peça mais importante do vestuário maçônico. Distintivo indispensável às atividades dentro da Loja. Lembra ao maçom os tempos da Maçonaria Operativa, e, simbolicamente, o trabalho árduo para burilar sua própria alma – era confeccionado de pele de cordeiro ou de linho: simbolizava a pureza de propósitos. O Avental ou Mandil pode constituir uma “proteção” aos chakras fundamentais (esplênico e umbilical) – sua função é minimizar as influências relacionadas à paixão (sexo). Porém, esse símbolo remonta a maior distância no tempo – os mais célebres Aventais são dos faraós egípcios cujo modelo, bem característico, apresentava numerosos segredos geométricos utilizados na construção dos Templos. O Avental Maçônico, muito simplificado, perdeu grande parte desse esoterismo: tem a forma de um retângulo encimado por um triângulo - o Avental branco, sem adornos, do 1º Grau indica a pureza da alma, que se alcançará nesse Grau. Nos Graus Um e Dois não há nenhum metal nos Aventais, pois o maçom “despiu-se” de todas as vaidades tolas e, transmutou-as em riquezas espirituais. Os Aventais dos demais Graus têm cores e desenhos variados, conforme o Rito adotado. O fundo, porém, é sempre branco;


  • Luvas:

Têm sido usadas pelos maçons como marca de distinção e pureza. Na lenda da construção do Templo de Salomão, os Mestres-Construtores usaram Luvas e Aventais brancos durante os funerais de Hiram Abiff, para mostrar que não tinham nenhuma ligação com seu assassinato. Até hoje os Aventais e Luvas são usados, em cerimônias. Depois de sua recepção, o Aprendiz recebe dois pares de Luvas Brancas, um dos quais se destina a ele e o outro “à dama que ele mais amar” – com isso, a Maçonaria mostra seu apreço à mulher, ao feminino. A Luva Branca recebida no dia de sua Iniciação tem como objetivo, lembrar os compromissos assumidos pelo maçom. Simbolicamente demonstra a pureza, a lealdade, e a honestidade: que não há o “sangue” de Hiram Abiff nas mãos daquele maçom;



  • Pavimento Mosaico:

Ornamento formado por ladrilhos alternados, brancos e pretos. O simbolismo remete à diversidade dos homens e de todos os seres, animados ou não. Simboliza a inter-relação de todos os seres do Universo, bem como o enlace do espírito e da matéria, e a união de todos os maçons, apesar de suas diferenças quer raciais, religiosas, etc.;
- Painel:

Quadro de tecido, papel ou madeira, onde podem ser observados símbolos que servem para a instrução maçônica e para representar um determinado Grau. Os painéis são artefatos com representações visuais, imagens, para ilustrar os princípios ensinados em cada Grau. O Painel do 1º Grau mostra o esquema geral do Universo e o lugar do indivíduo nesse Universo. O Painel do 2º Grau representa, simbolicamente, o indivíduo e o caminho para seu Templo interior. O Painel do 3º Grau refere-se à morte como um renascimento, o despertar para uma nova vida interior, com mais sabedoria. Quando o Painel está aberto, indica que a sessão maçônica está em andamento;





- Delta Luminoso:

Também chamado de “Triângulo Fulgurante”. Delta é a quarta letra do alfabeto grego. Triângulo com um olho no centro. É o primeiro polígono. O Olho simboliza o vínculo do homem com o mundo, a consciência, o conhecimento da verdade, a luz espiritual. Representa também o intelecto e a sabedoria divina. É o símbolo da Tripla Força Indivisível e Divina que se manifesta como Vontade, Inteligência e Amor (cósmicos). É a representação da presença material de Deus. O Olho simboliza “Aquele que tudo vê”. Em algumas Lojas, em vez do olho, há a letra “G”, ou a letra “IOD”, em caracteres hebraicos – é a representação do Grande Geômetra, outra expressão para designar o Grande Arquiteto do Universo. Não sendo efetivamente uma religião, a Maçonaria compreende e reverencia todas as crenças e cada maçom pode ter no Delta Luminoso a representação de todos os sentimentos de religiosidade. Ele é como uma lembrança, uma advertência permanente e solene, traduzida pela compreensão fraternal, que não procura sobrepor a importância de qualquer religião em particular.

Na forma atual, o Delta Luminoso, surgiu entre os séculos XVII e XVIII, mas representações do Olho que tudo vê, podem ser encontradas na Mitologia Egípcia, no Olho de Hórus. A adição posterior do triângulo, geralmente, é entendida como a Trindade de Deus, no Cristianismo;


  • Bode:

Seu principal atributo simbólico é o da força sexual masculina. Na Grécia antiga, servia de montaria para os deuses e na Índia era consagrado ao deus do fogo. Nas narrativas bíblicas, muitas vezes o Bode é citado como o animal que o povo oferecia a Deus em sacrifício, para obter o perdão de seus pecados (deriva daí o termo "bode expiatório"). O Bode é a montaria de “Agni”, o deus regente do fogo, para os Vedas, sendo considerado um animal solar. O Bode expiatório, ou mais raramente "emissário", era um Bode que os antigos hebreus espantavam para o deserto, na festa da expiação, depois de o haverem carregado de todas as iniqüidades (crimes, pecados) e maldições que se queria afastar do povo. Graças a isso, o Bode é um antigo símbolo da animalidade, o que no homem corresponde aos impulsos que mais se assemelham ao animal. Simbolicamente, o maçom vence seus “instintos animais”. Na Idade Média, porém, o Bode assumiu uma característica mais negativa e foi associado às práticas de bruxaria porque “servia de montaria para as feiticeiras”;


  • Letra “G”:

Sétima letra do alfabeto maçônico – chama-se “gimel” em hebreu. Em geral, significa Geometria, Geração, Glória, Grande, Grão. A Letra “G” é o símbolo de Deus, o Divino Geômetra. Uma das razões da Letra “G” ser tomada como símbolo da Divindade, é que com ela, em vários idiomas, a palavra Deus é iniciada: “Gas” em Siríaco; “Gada” em persa; “Gud” em sueco; “Gott” em alemão; “God” em inglês, etc. Porém, sua origem mais provável, é o gama, do alfabeto grego que, tem a forma de um Y - para os pitagóricos representava as duas vias: a do profano e a do iniciado;


  • Estrela de Cinco Pontas:

O Pentagrama é um símbolo muito antigo: do grego "pente" que quer dizer cinco e "gramme" que quer dizer linha. É o signo do microcosmo. Ele exprime a dominação do Espírito sobre os elementos. É a Estrela de Cinco Pontas, representação da união do número dois (princípio feminino terrestre) com o três (princípio masculino celeste).

Símbolo especial da Ordem Pitagórica, a Estrela de Cinco Vértices era inscrita num pentágono. Entre os Pitagóricos, era o símbolo da saúde, pois mostrava a harmonia entre o corpo e a alma. As diagonais que formam a estrela intersectam-se de tal maneira que formam outro pentágono, menor, na direção inversa. Se as diagonais dentro deste pentágono menor forem desenhadas, formarão ainda outro pentágono, e assim sucessivamente. É o símbolo do Cérebro e do Universo Holográficos. Este pentágono e a estrela nele inscrita composta por diagonais teriam propriedades sutis, que os Pitagóricos pensavam ser místicas. O Pentagrama tem cinco pontas “protetoras” e uma forma interior defensiva, um pentágono defensor no centro. Colocada no Oriente da Loja, na parede acima da cabeça do Venerável, chama-se Estrela do Oriente ou da Iniciação. Simboliza o homem perfeito, Deus manifestando-se plenamente no homem, o Iniciado. A Estrela de Cinco Pontas é a representação do Ser Humano como corpo físico: cabeça, dois braços e duas pernas e do Homem Quíntuplo ser: físico, emocional, mental, instintivo, e espiritual. A Estrela de Cinco Pontas contém os cinco elementos encontrados dentro de um homem, e que são: fogo, terra, ar, água e éter (substância relacionada ao espírito) – é o homem de braços abertos, sem virilidade, porque já dominou suas paixões e emoções - o Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci (maçom) (Apêndice 1) - O homem natural. O símbolo da Luz, da saúde e da vitalidade. O número cinco representa o ato de amor. A quintessência que age sobre a matéria, transformando-a. Os quatro membros do corpo mais a cabeça que os controla. Os quatro dedos da mão mais o polegar que os torna funcionais. O número da mutação e transformação de tudo. O Pentagrama - união do microcosmo ao macrocosmo, do humano ao divino. Estrela Flamejante – geralmente, é feita de cristal e iluminada por dentro. O simbolismo da Estrela Flamejante evoca o Sol ou o Fogo Sagrado, reflexos da Luz de Deus:




  • Estrela de Seis Pontas:

Estrela de Davi ou Selo de Salomão. Na Maçonaria, como símbolos, há três Estrelas: uma de cinco pontas, outra de seis pontas e a terceira de sete.

O Selo de Salomão - a tríade material e a tríade espiritual. Os seis dias da Criação. A satisfação depois do esforço. O hermafrodita, segundo a simbologia grega – era perfeito, pois unia o feminino e o masculino em si. A perfeição, a harmonia. O sexto sentido: a intuição, como síntese dos cinco sentidos físicos e a porta dos sentidos metafísicos. É um emblema da unidade do espírito com a matéria manifestada no Universo. A ambivalência e o equilíbrio;




  • Estrela de Sete Pontas:

A Estrela de Sete Pontas evoca o misticismo do número sete: as sete cores do arco-íris, as sete notas musicais, os sete estados de consciência do homem, os sete raios cósmicos, etc. O número da vida - a união do ternário (espírito) com o quaternário (matéria). Os sete espíritos ante o trono de Deus. Os sete Sacerdotes da Lei Cósmica. Os sete Senhores do Carma. Os sete ciclos da terra (quatro ciclos lunares com duração de sete dias). A origem do calendário atual. A renovação celular do corpo humano (sete em sete anos). Os sete orifícios do rosto humano. A plenitude, a ordem perfeita. A medida reguladora da coesão universal: sete planetas, sete divindades, sete metais, sete cores, sete dias da semana, sete chakras, sete pecados capitais e sete virtudes que lhe são contrapostas. A lei da evolução. O número dos adeptos e dos grandes iniciados;


  • Abelha e Colméia:

A abelha extrai seu alimento das flores e vive em perfeita organização social, por isso, tornou-se um símbolo de pureza, disciplina, trabalho e realeza. Simboliza pureza (por ser um animal que vive entre as flores), disciplina (devido à organização exemplar das colméias), trabalho (pela atividade incessante das abelhas operárias) e realeza (o poder exercido pela abelha rainha é reconhecido e respeitado por todas as outras). A Abelha era um símbolo de realeza no Antigo Egito e teria sido criado a partir das lágrimas de Rá, o deus sol. Na Grécia Antiga, era o símbolo das sacerdotisas de Éfeso e Elêusis, que se chamavam "abelhas" e que preservavam a virgindade da mesma forma que as abelhas operárias. Entre os cristãos, representa o Espírito Santo. A Igreja Católica primitiva usava cera de abelhas para simbolizar a carne de Cristo, e com ela modelava pequenos cordeiros que eram distribuídos aos fiéis. A Abelha é o símbolo da alma.

A Colméia representa o próprio “corpo” da Maçonaria: um local onde há cooperação entre seus membros e trabalho. Os antigos consideravam o mel como sendo um remédio que propiciava a imortalidade, uma vez que é o único alimento natural que não estraga. Na Grécia Antiga, era costume a oferenda de mel aos deuses para que chovesse, pois se acreditava que se a oferenda fosse feita em vinho, os deuses não permaneceriam sóbrios, e não teriam condições de atender aos pedidos. O mel


simboliza a doçura, a suavidade, o alimento vital que traz a imortalidade. É também uma representação da paz, da espiritualidade evoluída e do alimento dos deuses. O favo de mel guarda a maior quantidade desse líquido sem desperdício – é o centro da Estrela de Seis Pontas. É o símbolo das ligações do carbono – hexágono – símbolo da vida e do renascimento;


  • Escada de Jacó:

É um símbolo de ascensão, de elevação gradual ou evolução, de valorização e de razão. Simboliza, principalmente, a ligação do céu com a terra. Indica também ascensão, elevação espiritual, evolução, e a conquista da sabedoria. Quando se desce a escada, porém, mergulha-se no que há de mais oculto e profundo no inconsciente.

“E Jacó sonhou: e eis que uma escada era posta na terra, porque o sol era posto; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; e eis que o Senhor estava em cima dela” (Gênesis 28:12, 13).


A escada mística vista por Jacó simboliza o ciclo retrógrado e evolutivo da vida, em seu perpétuo fluxo e refluxo, através de nascimentos e mortes, a desdobrar-se em hierarquias de seres, mundos, reinos, vida e raças. Seus degraus são tantos quantos são as virtudes necessárias ao aperfeiçoamento de cada um. As três mais importantes são a Fé, a Esperança e a Caridade, simbolizadas pela Cruz, a Âncora e o Cálice. O número de degraus em todos os antigos Templos, segundo Vitrúvio, possuíam um número ímpar de degraus – isso quer dizer que, começando com o pé direito no primeiro degrau inferior, o adepto chegaria com o mesmo pé direito ao entrar no Templo, o que era considerado um afortunado presságio. O número ímpar de degraus simboliza a idéia de perfeição, objetivo que o neófito deve almejar atingir. O sistema de filosofia Pitagórica considerava os números ímpares mais perfeitos que os pares. O simbolismo de números maçônico foi baseado nos estudos de Pitágoras – no sistema maçônico há a predominância de números ímpares: três, cinco, sete, nove, quinze e vinte e sete;
- Trolha:

Ou colher de pedreiro. Trata-se de uma espécie de pá achatada com a qual os pedreiros assentam e alisam a argamassa. Sendo um instrumento neutro, deve ser visto como um símbolo da tolerância, com a qual o maçom deve aceitar as possíveis falhas e defeitos dos demais irmãos. Pode ser vista, também, como um símbolo do amor fraternal que será, então, o cimento que une toda a Maçonaria. Desta forma, passar a Trolha significa perdoar, desculpar, esquecer as diferenças. Entendida desta forma pode ser compreendida como símbolo da Paz, que deve reinar entre os adeptos;




  • Espada:

É símbolo da energia solar, do falo, da criação e do Logos. Representa a força, a energia masculina e a coragem. No sentido negativo, lembra os horrores da guerra. É também um símbolo de justiça, da divisão entre o bem e o mal, da decisão. Uma espada dentro da bainha significa temperança e prudência.

Acessório muito usado nas cerimônias maçônicas, geralmente como símbolo do poder e autoridade, e emblema dissipador das trevas da ignorância. Nas reuniões de banquetes ritualísticos, é o nome que se dá à faca. A faca,


entre muitos povos é usada como amuleto para repelir as energias negativas. A espada representa também a força masculina que, coloca em movimento a energia que tem a capacidade de transformar a matéria;


  • Espada Flamígera:

Tem a lâmina ondulada. É usada pelo Venerável Mestre como símbolo do poder criador de Deus. Ao seu triplo tinir com os golpes do Malhete (símbolo da autoridade, de que o Venerável se acha investido pela Constituição Maçônica), o postulante é iniciado e aceito na Ordem;


  • Corda Com Oitenta e Um Nós:

Representa vínculo. Para os maçons, uma Corda com Nós é o símbolo de sua comunidade. O Nó simboliza o enlace e a união. Em torno da Loja é colocada uma Corda com Nós simples, feitos de espaço em espaço. Os Nós isolados são frágeis, mas unidos, tornam-se extremamente resistentes. A Corda representa a Cadeia de União. Os Nós representam os maçons, que se unem sem se fundir, sem perder a sua individualidade. Os Nós, também lembram ao maçom que, ele deve estar preparado para desatar os “nós da vida”: as complicações e os obstáculos. O número de Nós da Corda, oitenta e um, remete ao número nove: 8+1= 9, que é o símbolo da imortalidade, da regeneração e da vida eterna. O número nove representa as hierarquias angelicais: serafins, querubins, tronos, dominações, potestades, virtudes, principados, arcanjos e anjos. O número nove também tem relação com o Zoroastrismo: Siptman Zoroastro (6400 a.C.: fundador do Zoroastrismo, na Pérsia). O Zoroastrismo estava firmado sobre três pilares: bons pensamentos, boas palavras e boas ações. Zoroastro caminhava sempre com o seu cajado de nove nós, que representavam: um só Deus; destruição das imagens; autodisciplina; igualdade das castas; militância; organização; simplicidade; democracia e fraternidade universal. Além disso, oitenta e um é o quadrado de nove, que por sua vez é o quadrado de três – número considerado perfeito pelos maçons;


  • Águia Bicéfala:

Animal solar. A Águia tem a capacidade de voar muito alto, por esse motivo, está associada ao sol, à nobreza e à elevação espiritual. Um dos símbolos esotéricos mais antigos da humanidade identifica-se com a nobreza, e o poder divino. A rainha das aves é símbolo do sol e do céu, morada dos deuses. Seu vôo personifica a alma dos xamãs e magos em direção ao mundo dos espíritos. Entre os cristãos, simboliza a ascensão de Jesus. Na Roma antiga, uma Águia voando significava a elevação da alma de um soberano após a morte do corpo físico. Entre os gregos, representava a força e a espiritualidade, além de ser o animal favorito de Zeus. É o único ser que pode olhar para a luz do sol sem queimar os olhos. A Águia figura nos Altos Graus maçônicos - representa os Graus Administrativos no Rito Escocês: Trinta e Um, Trinta e Dois, Trinta e Três;


  • Fogo:

Simboliza tanto a purificação como a transformação. Simboliza as emoções. Na Alquimia, o sentido do fogo é o mesmo dado pelo filósofo grego Heráclito: o fogo da “calcinatio” é um fogo purgador, clareador, que atua sobre a matéria negra, tornando-a branca, a albedo. Elemento da natureza que simboliza o poder regenerador, a purificação, a destruição necessária para o renascimento. Fascina o homem desde a Antigïidade. Foi venerado por muitos povos e está presente em quase todas as cerimônias iniciáticas. Relaciona-se ao Sol e à Luz. O mais sutil, ativo e puro dos quatro elementos (terra, ar, água e fogo) é o princípio animador, masculino, em oposição à água, e fonte de energia. Nas Lojas Maçônicas mantém-se aceso sob a Estrela Flamígera, onde o Primeiro Diácono leva a luz aos seus irmãos. O que é purificado pelo Fogo, torna-se sagrado.
O Fogo Sagrado jamais deverá ser soprado, para não ser conspurcado pelo hálito humano segundo antiga tradição persa. Atravessar o Fogo representa transcender a condição humana;


  • Ar:

Elemento da natureza que simboliza a instabilidade, a mutação constante e o movimento. Representa a força masculina, está relacionado ao pensamento e à comunicação;


  • Água:

Elemento primordial – é o ponto de partida para o surgimento da vida. É o elemento símbolo dos sentimentos, das emoções. É um dos símbolos do inconsciente, sendo que o ato de mergulhar na Água e dela sair possui uma analogia com o ato de “mergulhar” no interior de si mesmo, no inconsciente. A imersão na Água pressupõe um sentido de morte e dissolução, e ao mesmo tempo, de renascimento e nova circulação. Representa a purificação, a regeneração, a profundeza e o infinito. Em quase todas as culturas, a Água aparece como símbolo da força feminina e da emoção, associada à fertilidade e à vida. No aspecto negativo, a Água simboliza a destruição. A Água é o
elemento da natureza apontado como o princípio de todas as coisas (na ciência e na maioria das religiões). Os alquimistas chamavam “água” ao mercúrio e, por analogia, ao corpo fluídico do homem;
- Mar de Bronze:

Esse metal é considerado um símbolo da incorruptibilidade. No Templo de Salomão o Mar de Bronze era uma enorme pia sustentada por doze touros em tamanho natural, tudo em bronze. Nessa pia os sacerdotes faziam suas purificações. As Lojas maçônicas representam o Mar de Bronze como uma pia de metal usada nas iniciações - O Mar de Bronze representa o elemento água e, significa o “esquecimento”, através da purificação do conhecimento profano;



- Terra:

É o oposto do Céu, e está associada à força feminina e a tudo o que é misterioso. Representa o concreto, o real e em muitas culturas, relaciona-se à “Grande Mãe”, fonte dos alimentos e da vida. Para os maçons, é o primeiro dos quatro elementos. A Terra se relaciona com o Universo e é simbolizada por Afrodite ou Vênus, deusa da beleza, na Mitologia Greco-Romana;



- Pedra Bruta:

É a matéria prima, representativa das coisas sólidas e terrenas. A pedra é considerada o mediador entre os opostos, e representa a realização do ser, a consciência da completude. Simboliza a inteligência do Aprendiz maçom, ainda rude, porque com os vestígios do Mundo Profano, está apenas iniciando sua aprendizagem nos Mistérios da Maçonaria. Ao Aprendiz cabe desbastar as arestas desta Pedra Bruta, disciplinando, educando, instruindo sua personalidade, objetivando vencer suas paixões e subordinar sua vontade à prática do bem. Assim a tarefa principal do Aprendiz consiste em trabalhar e estudar para adquirir o conhecimento do simbolismo do seu Grau e a sua interpretação filosófica;


- Malho e Cinzel:

Estas duas ferramentas servem para desbastar a Pedra Bruta.

A primeira é a vontade executiva, o Malho, insígnia do mando, vibrado com a mão direita, lado ativo, relacionada com a energia atuante e a determinação moral, comandando a realização prática. É a ferramenta de trabalho do Aprendiz, para simbolicamente, desbastar a pedra. Para educar a personalidade para uma vida ou obra superior. O Malho simboliza a vontade, energia, decisão, o aspecto ativo da consciência, necessário para vencer e superar os obstáculos. A segunda ferramenta representa as resoluções espirituais, é o Cinzel de aço, que se aplica sobre a pedra com a mão esquerda lado passivo, e corresponde à receptividade, ao discernimento especulativo;



- Pedra Polida ou Cúbica:

Havendo o Aprendiz trabalhado na Pedra Bruta com o Malho e o Cinzel, transformando-a num cubo imperfeito, cabe ao Companheiro (Segundo Grau), polir este cubo com o auxílio do Esquadro, do Nível e do Prumo, tornando-o uma Pedra Cúbica. Desbastadas as rudes arestas da personalidade, ainda como Aprendiz, cabe agora, ao Companheiro, disciplinar suas ações através do conhecimento adquirido, operando mudanças delicadas em seu temperamento, fazendo então, do seu "eu", um cubo perfeito, a Pedra Polida que assim estará apta a ser utilizada na construção do edifico do Templo, isto é, a humanidade perfeita.

Desde tempos antigos, o cubo simboliza os seres angelicais, a união de configuração emotiva e harmoniosa. Significa a evolução do Companheiro até chegar ao estágio de Mestre;


  • Nível:

Linha horizontal. Indica que todos os homens são iguais. O maçom não deve envaidecer-se por possuir bens transitórios como títulos, glória, riquezas materiais, etc. Não deve considerar-se superior aos outros homens. O que tem significado são os valores espirituais, adquiridos pelo indivíduo em seu caminho evolutivo. Todos os homens são nivelados no mesmo plano;


  • Prumo:

Linha vertical. É o símbolo para a prospecção da própria natureza humana. O prumo representa o encontro do maçom com seu interior, onde encontrará a Centelha Divina;
- Símbolos da Horizontal e Vertical: 

Entre os símbolos geométricos que revelam a estrutura do Cosmo encontramos o da horizontalidade e o da verticalidade. Ainda que se trate de uma só linha reta em duas posições distintas, permite compreender outras realidades, que podem ser observadas em outros símbolos fundamentais, como a cruz e o esquadro, que se formam pela união, num ponto, da linha horizontal e da vertical. 

A linha horizontal simboliza a terra e a matéria, o tempo sucessivo que progride indefinidamente num plano ou nível de realidade sem possibilidade aparente de sair dele. Também representa a submissão à lei que regula a retidão no comportamento. Simboliza um estado de passividade e quietude interior. 

Se a horizontal se refere ao tempo sucessivo, a linha vertical, representa o tempo simultâneo e sempre presente que, ao ser percebido na consciência, libera dos condicionamentos e limitações terrestres. No ser humano, esse eixo vertical, essencialmente ativo, incide diretamente sobre seu coração, o centro de seu ser. 

A linha horizontal equivale ao nível e a vertical ao prumo. Assim, a horizontal (a terra) é o plano de base do templo, que o homem percorre em sucessivas etapas até atingir o altar ou centro desse plano, no qual se encontra o ponto de conexão com o eixo vertical, que o comunica diretamente com a chave de abóbada da cúpula (o céu), que representa o centro do Ser Total.



  • Luz:

A Luz está associada à força Criadora – o sêmen, que é a substância que contém o princípio Criador. A Luz simboliza a presença visível do Grande Arquiteto do Universo. Os juramentos são feitos diante da Luz, significando que o indivíduo está prestando juramento perante Deus, e não para os homens. Essa ritualística lembra também que, cada maçom é uma Luz isolada, e que a soma dessas Luzes forma o Sol – que ilumina e aquece toda a humanidade;


  • Sol e Lua:

O Sol é o fogo, a força masculina. O criador e fecundante. A força vital. O falo. A Lua é a força feminina. A receptora. Positivo e negativo. O Sol e a Lua são símbolos herméticos e alquímicos (ouro e prata). O Sol é a vida, o masculino – A Lua, sua complementaridade, o feminino. A Maçonaria é uma Ordem Solar (masculina), porém, os maçons, trabalham à noite em suas Lojas, sob a energia feminina, equilibrando os dois pólos. O Sol deve estar presente na decoração do Templo, no teto, mostrando a Luz que vem do Oriente, com a Lua, que representa a Mãe Universal que fertiliza todas as coisas. A mulher
é a formadora, a que reúne, rega, ceifa - a natureza do princípio passivo é reunir e fecundar. As forças da Lua são magnéticas, opostas e complementares às do Sol, que são elétricas.

O Sol é o mais poderoso corpo do Sistema Solar e a base de toda a vida na Terra. Desde os mais remotos tempos, ele é o símbolo da luz. Por sua luz e seu calor, é assimilado nos diversos cultos solares, a um dos principais deuses.



Esotericamente, o Sol é o emblema do espírito, do “Eu Superior”. Para a Maçonaria, a luz que o Sol representa é a do conhecimento;


  • Três Pontos:

Há várias interpretações reconhecidas. Lembra o místico Delta, faz referência ao trinômio: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, e às qualidades indispensáveis ao maçom: Amor, Vontade e Inteligência. Os Três Pontos têm uma origem bem antiga – nos objetos celtas do século IX a. C. e, muito antes, nas cerâmicas egípcias e gregas. Os Três Pontos dispostos em triângulo são uma das expressões da luz interior e do Espírito que presidiu à Criação do Mundo. A tradição grega considerava o triângulo a imagem do céu. O triângulo é a mais estável das formas poligonais. É a forma utilizada para unir partes de estruturas rígidas, como pontes, etc., e fortalecer outras estruturas, reduzindo a mobilidade. O triângulo apresenta-se como dois opostos que se unem ao alto, por um terceiro elemento. Os Três Pontos traduzem a concepção piramidal egípcia; A Criação. A natureza tríplice de Deus: Criação -Conservação - Destruição. Símbolo sexual masculino completo (pênis mais testículos). O sexo em função reprodutiva. A trindade simboliza um processo de desenvolvimento que se desenrola no tempo. É um processo dinâmico, que implica em crescimento, desenvolvimento e movimento no tempo. O desenvolvimento ordenado e harmonioso do Universo. A síntese espiritual. A solução do dualismo. A fórmula da criação de cada um dos mundos. Os três ciclos de vida: nascimento, apogeu, morte. O Conhecimento (Música, Geometria, Astronomia), segundo Pitágoras. A composição do homem (corpo, alma, espírito). As três esferas concêntricas do Universo: natural, humano e divino;  



  • Régua de Vinte e Quatro Polegadas:

Representa a retidão, a observância das leis – toda a Natureza é regida por leis que garantem o que os gregos chamavam de “kosmos”: a ordem harmoniosa das coisas. Na Maçonaria a régua simboliza um método de realização. Quando o postulante é admitido na Ordem, ele dá o seu primeiro passo em linha reta. As vinte e quatro polegadas representam as horas do dia: manter-se na retidão durante todas as horas do dia;


  • Abóbada Azulada:

É o teto da Loja Maçônica que, representa o céu com estrelas, nuvens e o Sol. A Abóbada é sustentada pelas Colunas, representadas pelos maçons. Simbolicamente, o iniciado sustenta o universo mental;


  • Caixão e Caveira:

Indicam a transitoriedade – a mortalidade do homem. A morte é inevitável e, todos os “tesouros” materiais perdem o sentido. Ao mesmo tempo, o Caixão significa renovação: renascimento com novos valores, novo significado para uma nova vida. O Caixão, como símbolo maçônico é sextavado – é um hexágono, representando as ligações do carbono, do qual o corpo humano é composto – significa que a vida continua;


  • Romã:

Símbolo da união entre os maçons. Como ensina Christian Jacq (“A Franco- Maçonaria – História e Iniciação”): “A Romã era consagrada a Deméter e a Perséfone, pelos iniciados de Elêusis, que nela viam o símbolo das riquezas ocultas da terra divinizada. Para a Igreja Católica, a Romã representa a comunidade de fiéis reunidos na Igreja que, sob a mesma casca abriga muitos grãos. Em outras palavras, os povos mais diversos poderão unir-se numa mesma fé e os maçons de opiniões divergentes podem comungar no sagrado. Quando a Romã está madura, abre-se e atira longe os seus grãos. Não se poderia encontrar melhor imagem de transmissão do espírito exprimindo as inumeráveis potencialidades criadoras que os maçons tomarão a seu cargo.” As Romãs são colocadas sobre as colunas do Templo Maçônico. Emblemas que coroam as Colunas J “Jaquim” (“estabelecer”) e B “Booz” (“força”) e cujos grãos significam prosperidade e solidariedade da família maçônica;


  • Malhete:

Pequeno martelo de madeira com duas cabeças: representa a vontade ativa, o trabalho, a força. Instrumento de direção, poder e autoridade. É o instrumento de trabalho do Venerável Mestre e dos Vigilantes. O Malhete deve ser usado com discernimento e lógica; se utilizado com força descontrolada, passará a ser um instrumento de destruição, incompatível com a Maçonaria;


  • Número Nove:

É o número dos Iniciados e dos Profetas. É o princípio da Luz Divina, Criadora. O Número Nove no simbolismo maçônico desempenha um papel variado e importante. A humanidade. O número raiz do presente estado de evolução humana. O número de Adão. O número da iniciação: assinala o fim de uma fase de desenvolvimento espiritual e o início de outra fase superior. As nove esferas celestes e os nove espíritos elevados que as governam. O ilimitado. Os nove orifícios do corpo humano. Os nove meses da gravidez humana. O número dos ciclos humanos temporais na Terra;


  • Altar:

É o lugar onde o espiritual se materializa. Montado acima do nível do chão simboliza a elevação das preces e oferendas. Representa também o refúgio, a proteção e o contato com o Divino. Nas Lojas Maçônicas, não há uma uniformização do Altar;



  • Labirinto:

O Labirinto era uma construção do Antigo Egito: um imenso palácio quadrangular, tendo duzentos metros de comprimento e cento e cinqüenta de largura. Erguia-se no lugar onde atualmente está a aldeia de Hawará, a leste do lago Mêris. Havia grande quantidade de quartos, pequenos e escuros, ligados uns aos outros por muitos corredores. Egiptólogos afirmam que o Labirinto Egípcio era um depósito central, onde eram reunidas as preciosidades do faraó, do povo e do país. A construção era composta por dois andares e cada andar, segundo Heródoto, tinha mil e quinhentas salas. Não se sabe quem construiu o Labirinto, do qual existem apenas ruínas. O que se sabe é que uma parte dele foi construída pelo faraó Amenemhat III, cerca de três mil e quatrocentos anos a.C., e parte por sua filha Sebekneferu.

É também o nome dado ao palácio do Rei Minos, construído na ilha de Creta e que era todo formado por inúmeras passagens secretas e corredores subterrâneos. Segundo a mitologia grega, mais tarde esse palácio se transformaria na morada do Minotauro. Esotericamente, por seus caminhos tortuosos e desconhecidos, o Labirinto é considerado um símbolo da iniciação e representa a descoberta do centro espiritual oculto, a dissipação das trevas para o renascimento na Luz, a superação dos obstáculos e o encontro com o caminho da verdade;




  • Pelicano:

Representa o Amor e a Abnegação. Na antiga Era Cristã, era considerado emblema do Salvador que derramou seu sangue pela humanidade. Ave que, segundo a lenda, se fere e mutila com o bico para alimentar com o próprio sangue seus filhotes. O Pelicano tira de suas entranhas o alimento de seus filhotes; ele expressa a idéia de auto-sacrifício como etapa necessária para se atingir a perfeição (que, a bem da verdade, nunca se alcança). Nesse particular, assemelha-se à Fênix, pássaro mítico que se deixa consumir no fogo para depois renascer das próprias cinzas. A presença de ambos os pássaros bem indica que a morte anunciada aqui, da qual devem ser separados os elementos que serão transformados e reunidos, é uma experiência transcendente. Tanto o Pelicano quanto a Fênix são emblemas que, através da morte, anunciam o renascimento, sugerindo a imortalidade da alma em seu eterno caminho de doloroso aprendizado.

A Lenda do Pelicano:

“Enquanto o pelicano foi buscar alimento, uma cobra, escondida entre os galhos, dirigiu-se para o ninho. Os filhotes dormiam tranqüilamente. A cobra aproximou-se, e com um brilho de maldade nos olhos, deu início à matança.

Uma mordida venenosa em cada um, e as pobres criaturinhas passaram diretamente do sono à morte. Satisfeita, a cobra voltou para seu esconderijo a fim de observar a reação do pelicano. Dentro em pouco o pássaro estava de volta.


À vista de tal carnificina começou a chorar, e seu lamento era tão desesperado que todos os habitantes da floresta ouviram e se entristeceram.
- Que sentido tem minha vida sem vocês? - disse o pobre pássaro, olhando para os filhotes mortos - quero morrer com vocês! E pôs-se a bicar o próprio peito, bem no lugar do coração. O sangue jorrou da ferida e escorreu para cima dos filhotes que a cobra matara. Porém de repente o pelicano agonizante teve um sobressalto. Seu sangue morno devolvera a vida aos filhotes. Seu amor ressuscitara-os. Então, finalmente, feliz morreu.” - Leonardo da Vinci;



  • Escada em Caracol:

Simboliza a difícil trajetória do Companheiro. Com seus degraus em espiral, ela representa a dificuldade em subir, aprender e auto aperfeiçoar-se, mostrando que a evolução não se desenvolve de uma forma constante e retilínea. Representa a regeneração periódica;


  • Livro da Lei:

Simboliza a Lei Divina. É o volume colocado sobre o Altar dos Juramentos - ou “Livro da Sabedoria”. Para os cristãos, a Bíblia; para os hebreus, o Talmude ou o Antigo Testamento; para os muçulmanos, o Alcorão; para os adeptos do bramanismo, os Vedas; para os seguidores de Zaratustra, ou Zoroastro, o Zenda-Avestá;

- Colunas Zodiacais (Rito Escocês Antigo e Aceito):

Os Signos Zodiacais, assim como todos os mitos solares e agrários da Antiguidade, representam a morte e o renascimento anual da Natureza. Por isso, eles simbolizam o iniciado, desde que, como candidato, ele é encerrado na Câmara de Reflexão - representado por Áries, passo inicial da renovação da natureza pelo Fogo, simbolizando o Fogo Interno, o ardor do candidato à procura da Luz – até o ápice de sua caminhada maçônica, quando recebe o Grau de Mestre - representado por Peixes, a total renovação da Natureza, a volta do Sol e da vida, pronto para mais um ciclo. Os Signos relacionados com o Grau de Aprendiz são: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem. Simbolizam solidez, força, a ligação entre a terra e o céu. Os atuais Templos Maçônicos (Rito Escocês Antigo e Aceito) têm Doze Colunas que correspondem aos Signos do Zodíaco, e podem ser consideradas a base mental da Loja.

As Colunas, nos antigos cultos de fertilidade, podem aparecer como representação do órgão sexual masculino;
- Colunas Gregas:

A Coluna simboliza limites, pois possui um eixo ou centro. As Três Colunas, das três ordens arquitetônicas gregas (Dórica, Jônica e Coríntia) são as que, simbolicamente, sustentam a Loja de Aprendiz, sendo, por isso, assimiladas ao Venerável Mestre e aos dois Vigilantes. Três das principais Colunas são representadas pelo Venerável Mestre e pelos Primeiro e Segundo Vigilantes. Há outra Coluna, totalmente invisível, que se eleva do Altar até o Grande Arquiteto do Universo. As Colunas colocadas na entrada da Loja representam as Colunas de Salomão: “Jaquim” (“ele firmará” – pilar da direita – tem esse nome por causa do sumo sacerdote que realizou a sagração dessa seção no Templo de Salomão) e “Booz” (“nele está a força” – pilar da esquerda – é assim denominado por causa de Booz, o bisavô de Davi, rei de Israel), construídas por Hiram Abiff. A unificação desses dois pilares representa “estabilidade”. A Coluna Dórica, a mais forte, sem base e com um capitel (cabeça da coluna) simples, mas de alta plasticidade é a personificação da Força do homem, sendo, por isso, assimilada pelo Primeiro Vigilante, responsável pela Coluna da Força. A Coluna Jônica, mais esbelta, com uma base e um capitel trabalhados, com quatro voltas é a representação da Sabedoria, sendo, portanto, assimilada pelo Venerável Mestre, personificação da Sabedoria. A Coluna Coríntia, com um capitel de maior sutileza plástica é a representação da Beleza, sendo assimilada pelo Segundo Vigilante, responsável pela Coluna da Beleza;




  • Ouroboros:

O Ouroboros é um símbolo antiqüíssimo resgatado pela tradição alquímica, onde se vê uma serpente que morde a própria cauda e devora a si mesma. Foi largamente usado nos desenhos celtas. Representa o equilíbrio entre o masculino e o feminino universais. É também a representação simbólica do Infinito e do Equilíbio Dinâmico Universal. O Ouroboros é o símbolo da meta a ser alcançada, a união dos opostos. Sem início nem fim, o círculo simboliza a eternidade, a imortalidade, a perfeição. O círculo simboliza a eternidade, posto que é alfa e ômega. O início e o fim da vida humana;


  • Borda Festonada:

Este ornamento é, geralmente, colocado no perímetro da Loja. Tem várias interpretações e, relembra a Cadeia de União, a unidade constante entre os maçons. Em geral, a Borda Festonada ou Orla Dentada, é dourada.

5- Maçonaria e Hermetismo:
Desde a Pré-História, o homem sempre teve a necessidade de desenvolver uma cultura mística. O medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao mundo que o cercava, levaram o homem primitivo a criar sistemas de crenças e rituais “mágicos”. O homem buscava o significado dos fenômenos da Natureza e de sua própria existência.

O Período Pré-Histórico é o considerado sem documentação escrita. A Pré-História divide-se em Idade da Pedra, do Bronze e do Ferro. A Idade da Pedra divide-se em dois períodos: Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada, e Neolítico ou Idade da Pedra Polida.

O Período Paleolítico, a etapa mais antiga da Pré-História, começou há cerca de dois milhões de anos e terminou há cerca de dez mil anos. Nessa época ocorreu uma importante evolução física entre os hominídeos: surgiram os primeiros homens modernos, isto é, os da espécie “homo sapiens” - evolução física acompanhada de evolução cultural correspondente ao tamanho de seus cérebros.

O Período Paleolítico ou da Pedra Lascada, divide-se em três etapas: Inferior, Médio e Superior. Seu desenvolvimento está ligado às quatro fases da Era Glacial, separadas por intervalos de clima temperado conhecidos como eras inter-glaciais.

No Paleolítico o homem divinizava as forças da Natureza.

Uma descoberta primordial do Período Paleolítico foi o fogo - depois disso, o homem passou a assar a carne e a cozinhar vegetais. Junto ao fogo os grupos de hominídeos se reuniam, protegiam-se do frio, dos ataques de predadores, e através da linguagem, desenvolviam suas crenças. Com a utilização do fogo, o ser humano, passou a ter mais controle em relação ao que acontecia à sua volta.

O homem chega ao Período Neolítico com maior desenvolvimento físico, intelectual e espiritual, como comprovam achados fósseis. Desenvolvia sua inteligência, sua linguagem verbal e a linguagem simbólica. Também adorava deusas que representavam a fecundidade, pois uma das principais preocupações do homem primitivo era a preservação da espécie.

No Neolítico o homem continuou divinizando as forças da Natureza, e muito provavelmente acreditava na vida após a morte, pela maneira como enterrava seus mortos: debaixo de grandes lajes de pedra suspensas, com suas roupas, armas, enfeites e oferendas.

O homem é o único animal com percepção clara da inevitabilidade de sua morte. A capacidade de prever (que aconteceu com a evolução dos lobos pré-frontais) teve como conseqüência a consciência da morte. Essas cerimônias fúnebres que incluíam o sepultamento de alimentos e utensílios com o falecido sugerem não apenas a consciência da morte, mas também uma cerimônia ritual já desenvolvida para manter o morto na vida além da vida.

Com o tempo houve uma evolução e, à medida que o homem passou a organizar sua existência numa base mais racional, sentiu a necessidade de ir além das relações com as forças que povoavam o Universo: passou também a temer as ações do “ser superior” que “criara” todo aquele Universo. Assim nasceram as religiões - as religiões consistem em um corpo organizado de crenças que ultrapassa a realidade da ordem natural e tem por objeto o sagrado ou “sobrenatural”.

Hermes é um dos doze deuses do Olimpo, mensageiro dos deuses, correspondente ao deus Mercúrio dos romanos, filho de Zeus com Maia, uma das plêiades, filhas do gigante Atlas. Hermes criou a lira, cujo som encantou o deus Apolo, que trocou seu rebanho e o caduceu (bastão com duas cobras entrelaçadas e duas asas na parte superior) por ela. Ganhou também, de Apolo, o dom da profecia, obtido em troca da Flauta de Pã. Era protetor dos pastores e seus rebanhos, dos cavalos e animais selvagens. Mais tarde tornou-se deus dos viajantes, dos comerciantes e dos ladrões.

O Hermetismo baseia-se na figura de Hermes Trismegistos, que combinava aspectos do deus Hermes com os do deus egípcio Thot (deus da sabedoria, representado com a cabeça de íbis).

No Egito Antigo, todos os textos religiosos contêm a suposição da continuidade da vida em outro plano e, estão no “Livro dos Mortos”. Além da religião propriamente dita, havia a parte iniciática ou filosófica, contida nos livros de Hermes Trismegistos - ou seja, o possuidor das três quartas partes da sabedoria universal (o qual teria vivido no século XX a.C.): esses livros formam o “Hermetismo” - o “Pimandro”, o “Asclepios” e a “Tábua de Esmeralda”, cuja origem é remotíssima, sendo anterior às civilizações grega e romana e, ainda anterior a Pitágoras e a Platão. Esses livros surgiram no século XII, através das Cruzadas e dos contatos com o mundo islâmico - apareceram na Europa Ocidental esses textos herméticos traduzidos do árabe para o latim. O mais conhecido de todos esses textos é a “Tábua de Esmeralda”, assim denominada porque foi gravada em uma pedra verde, já que os antigos atribuíam à cor verde as artes mágicas, e teria sido escrita pelo próprio Hermes (mas, alguns relatos informam que Hermes Trismegistos escreveu mais de trinta livros sobre teologia e filosofia e seis sobre medicina e parece que todos desapareceram nos períodos de invasões e guerras que o Egito sofreu ao longo da história. Os egípcios atribuíam a Hermes a autoria de quarenta e dois livros sobre ciências ocultas).

Hermetismo é a doutrina esotérica e filosófica resultante do estudo dos escritos atribuídos a Hermes Trismegistos - “Hermes Três Vezes Grande”: porque foi considerado o maior dos filósofos, o maior dos sacerdotes e o maior dos reis - uma deidade sincrética.

Segundo São Clemente de Alexandria (150-215), Hermes seria autor, ou inspirador de quarenta e dois livros: trinta e seis conteriam a ciência dos egípcios e os restantes conhecimentos de medicina. Entre as obras atribuídas a Hermes, e compiladas a partir do século III d.C., podem ser citadas: a “Tábua de Esmeralda”, o “Corpus Hermeticum” do século VI d.C., “Pistis Sophia”, o “Pimandro” (Pastor de Homens) e o “Kratere” do século III d.C., o “Asclépios”, o “Koré Kosmou” (Virgem do mundo) e o “Liber Hermetis” (Livro de Hermes).

Esta figura percorre toda a história do Ocidente, até nossos dias, já que não só é o Trismegistos alexandrino, o Hermes grego, o Mercúrio romano - mas também o Thot egípcio, o Odin e Wotan nórdicos, o Enoch, Elias e Eliseu bíblicos e o Quetzalcoatl tolteca e seus análogos em toda a América.

A divindade de Hermes Trismegistos provém da introdução do deus Thot na religião grega. Thot é um deus egípcio que simboliza a lógica organizada da Vida. Ele é relacionado aos ciclos lunares, que expressam a harmonia do Universo. É também assimilado como deus do Verbo e da Sabedoria e foi identificado com o Hermes grego. Como deus da Sabedoria, a Thot foram atribuídos vários textos sagrados que descrevem os segredos da Existência. Os textos herméticos antigos podem ser considerados também veículos de ensinamentos e base à iniciação e ao esoterismo egípcio.

A doutrina esotérica hermética supõe relações misteriosas entre as partes visíveis e invisíveis do Universo, misturando Filosofia e Alquimia: alguns pesquisadores afirmam que a palavra “alquimia” vem da expressão árabe “al khen”, que significa “o país negro”, nome dado ao Egito na Antigüidade. Outros acham que está relacionada ao vocábulo grego “chyma”, que diz respeito à fundição de metais. A Alquimia é uma tradição que busca a sabedoria e a compreensão da Natureza, através de elementos da química, física, astrologia, arte, metalurgia, medicina, misticismo e religião. 

A arte alquímica, ao tratar da transmutação dos metais, considera estes como os símbolos das mudanças psicológicas. A ciência alquímica é um espelho em que o aprendiz deve se olhar para compreender a estrutura do Cosmo e de sua própria constituição.._,___

Os três principais objetivos da Alquimia são:

- Transmutação dos metais inferiores em ouro;

- Obtenção do Elixir da Longa Vida, uma panacéia universal, um “remédio” que curaria todas as doenças e daria vida eterna àqueles que o ingerissem.

Esses dois primeiros objetivos poderiam ser atingidos ao obter-se a Pedra Filosofal, uma substância mística que amplificaria os poderes de um alquimista;

- O terceiro objetivo era criar vida humana artificial, os “homúnculus”.

Alguns estudiosos postulam que o Elixir da Longa Vida e a Pedra Filosofal são temas simbólicos, metáforas para um caminho espiritual.
Todos os preceitos fundamentais e básicos introduzidos nos ensinos esotéricos de cada raça foram formulados por Hermes. Mesmo os mais antigos, da Índia, tiveram a sua fonte nos preceitos herméticos originais. Da Índia muitos estudiosos deslocaram-se para o Egito, para aprenderem com Hermes. De outros países também viajaram vários mestres para o Egito, percebendo-se atualmente a influência dos Princípios Herméticos em todas as religiões.

No século XIX, três Iniciados escreveram o livro “Caibalion”, que registra as Sete Leis do Hermetismo. Não é um livro oriundo da era pré-cristã como se supõe. É um livro sobre os Princípios Herméticos, e foi publicado pela primeira vez em 1908, em inglês.

Os Sete Princípios ou Preceitos Herméticos:

- Princípio do Mentalismo: “Tudo é Mente.” De acordo com esse princípio, todo o mundo fenomenal ou Universo é simplesmente uma criação mental do Todo. Pode-se interpretar, também, que não existe “realidade absoluta” – cada indivíduo cria sua “interpretação de realidade”, conforme seus processos mentais de distorções, omissões e generalizações;

- Princípio da Correspondência: “O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima.” Segundo alguns autores, esse preceito afirma a existência, no Universo, de três grandes planos de correspondência: O Plano Físico, Plano Mental e o Plano Espiritual. Explica que há uma harmonia, uma correlação e correspondência entre esses diferentes planos de Manifestação, Vida e Existência, unindo o microcosmo e o macrocosmo. Tudo emana da mesma fonte - o macrocosmo é como o microcosmo (as galáxias e os átomos);

- Princípio da Vibração: “Nada está parado; tudo se move; tudo vibra.” Ensina a verdade de que no Universo nada está parado, tudo está em constante vibração e movimento. A ciência já comprovou a verdade por trás desse princípio – as estruturas moleculares não são inertes – elas se movem. Toda matéria está em movimento. Mas vai mais além quando afirma que toda a manifestação do pensamento, emoção, raciocínio, vontade e desejo determinam vibrações que podem afetar a mente de outras pessoas por indução, explicando os fenômenos de telepatia, influência mental e outras formas de poder da mente. Essa tese está sendo seriamente investigada pelos cientistas atuais. As diferenças entre as diversas manifestações da matéria, energia, mente e espírito, resultam de ordens variáveis de vibração. Segundo Cláudio Blanc (escritor maçônico), Masaru Emoto em seu livro “Hado-Mensagens Ocultas na Água” cita um artigo de Warren J. Hamerman publicado em 1989 na revista “21st Century Science and Technology”. Nesse texto, Hamerman explica que “a matéria orgânica da qual os seres humanos são formados, gera uma freqüência que pode ser representada pelo som de aproximadamente quarenta e duas oitavas acima do dó maior central do piano”. O padrão do dó central é cerca de 262 hz. Isso significa que essa nota vibra 262 vezes por segundo. Com base nessa afirmação, Emoto calculou que os seres humanos vibram 570 trilhões de vezes por segundo;

- Princípio da Polaridade: “Tudo é duplo; tudo tem dois pólos; tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em graus; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados.” Esse preceito, afirma que todas as coisas manifestadas têm dois lados, dois pólos opostos, dois aspectos com muitos graus de diferença entre os extremos. Ensina que os pares de opostos são uma mesma coisa diferindo apenas no seu grau: calor e frio são idênticos em natureza, mas diferentes em grau, assim como amor e ódio, a luz e a escuridão, o bem e o mal, etc, também o são. “Tudo é duplo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto”. A complementaridade quântica, que reúne naturezas aparentemente opostas e antagônicas - se um objeto qualquer for “quebrado” na menor porção de matéria física, obtém-se o átomo. Se for “quebrado” em partes menores, obtém-se o próton, se o próton for “quebrado”, consegue-se o méson, béson e píon; “quebra-se” o íon e obtém-se os seis quarks; quebra-se o menor deles e, poderá haver uma chance de 50% de obter matéria, partícula ou 50% de onda, energia;

- Princípio do Ritmo: “Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce. Tudo se manifesta por oscilações compensadas: a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda. O ritmo é a compensação.” Tudo se manifesta para frente e para trás. A criação e destruição de civilizações. O auge e a queda. Nada é linear - tudo vai e vem. Há um constante fluxo e refluxo, uma maré alta e uma baixa, um constante movimento entre os dois pólos de todas as coisas manifestadas nos três Grandes Planos. Esse Princípio relaciona-se com o Segundo Princípio (Correspondência) e com o Quarto Princípio (Polaridade);

- Princípio da Causa e Efeito: “Toda a causa tem seu efeito. Todo o efeito tem sua causa. Tudo acontece de acordo com a lei; o acaso é simplesmente um nome dado a uma lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à lei.” O acaso é um nome dado para indicar que uma causa não foi reconhecida ou percebida. No nosso Universo sempre há uma causa antecedendo a todo o efeito, em todos os planos. Todo ato tem suas conseqüências. Não existe acaso, mas sincronicidade – sincronicidade (do grego “syn”, e “chronos”, tempo) é um princípio que deve explicar a relação significativa de acontecimentos, a “coincidência significativa” entre dois ou mais fatos. A hipótese foi desenvolvida por Carl Gustav Jung (1875 – 1961: psiquiatra suíço, maçom) num trabalho conjunto com o físico Wolfgang Pauli (1900-1958). Jung distingue três categorias de sincronicidade:

1) coincidência de um estado psíquico do observador com um acontecimento objetivo simultâneo, que corresponde ao estado psíquico, sem que se possa pensar em uma relação causal;

2) coincidência de um estado psíquico com um acontecimento exterior correspondente, de que o sujeito não tenha conhecimento;

3) coincidência de um estado psíquico com um acontecimento futuro.

Essas coincidências se compõem de dois aspectos:

1) uma imagem inconsciente torna-se consciente; essas imagens são diretas, quer dizer, reproduzem diretamente o acontecimento exterior, ou são indiretas, simbolizam o acontecimento. Segundo Jung, a maior parte das imagens é de natureza arquetípica;

2) o acontecimento exterior.

Com a hipótese da sincronicidade, Jung tenta compreender não apenas manifestações paranormais em sentido estrito, mas também a Astrologia e a Clarividência. Nas reflexões de Jung a respeito da sincronicidade, conceitos como o “pleroma gnóstico” desempenham também um papel: pleroma significa no gnosticismo o lugar de Deus e de todas as revelações; se se concebe um espaço intermediário, nem psíquico, nem físico, pode-se entender os fenômenos de sincronicidade como uma participação do espiritual e da realidade exterior nos acontecimentos desse mundo intermediário;

- Princípio do Gênero: “O gênero está em tudo; tudo tem o seu princípio masculino e o seu princípio feminino; o gênero se manifesta em todos os planos.” Há gênero manifestado em tudo, como Princípios Masculino e Feminino, presentes e em ação em todos os fenômenos e planos de vida. Seu objetivo é criar, produzir e gerar, sendo o aspecto feminino o que manifesta a geração ou produção de novas formas de energia, procurando unir-se ao aspecto masculino, por um impulso natural de criar novas formas de matéria ou energia - e o aspecto masculino o que dirige uma determinada energia para o feminino pondo em atividade o processo criativo. O feminino é passivo e negativo e o masculino é ativo e positivo. Explica as atrações e repulsões, inclusive elétricas e eletromagnéticas, nos Universos macrocósmico e microcósmico. Em todas as coisas existe uma energia receptiva feminina, e uma energia projetiva masculina – o Yin e Yang dos chineses;

Outros axiomas herméticos:

“Os lábios da sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos de entendimento.”;

“Em qualquer lugar que se achem os vestígios do mestre, os ouvidos daqueles que estiverem preparados para receber o seu ensinamento se abrirão completamente.”;

“A mente (tão bem como os metais e os elementos) pode ser transmutada de estado em estado, de grau em grau, de pólo em pólo, de vibração a vibração.”;

“Para mudar a vossa disposição ou vosso estado mental, mudai a vossa vibração.”;

“Para destruir uma desagradável ordem de vibração mental, ponde em movimento o Princípio da Polaridade e concentrai-vos no pólo oposto ao que desejais suprimir. Destruí o desagradável mudando sua polaridade.”;

“O ritmo pode ser neutralizado pela aplicação da Arte da Polarização.”;

“Sob as aparências do Universo, do tempo, do espaço e da mobilidade, está sempre encoberta a realidade substancial: a verdade fundamental.”;

“Na sua essência, o Todo é incognoscível.”;

“O Universo é mental: ele está dentro da mente do Todo.”;

“O Todo cria na sua mente infinita inumeráveis Universos, que existem por “eons” de tempo; e contudo, para o Todo, a criação, o desenvolvimento, o declínio e a morte de um milhão de Universos é como o tempo do piscar de um olho.”;

“A mente infinita do Todo é a matriz dos Universos.”;

“Não há nenhum órfão de pai ou de mãe no Universo.”;

“Enquanto tudo está no Todo, é também verdade que o Todo está em tudo. Aquele que compreende esta verdade alcançou o grande conhecimento.”;

“Os falsos sábios, reconhecendo a irrealidade comparativa do Universo, imaginaram que poderiam transgredir as suas leis: estes tais são vãos e presunçosos loucos; eles se quebram na rocha e são feitos em pedaços pelos elementos, por causa da sua loucura. O verdadeiro sábio, conhecendo a natureza do Universo, emprega a lei contra as leis, o superior contra o inferior; e pela arte da Alquimia transmuta aquilo que é desagradável naquilo que é agradável, e deste modo triunfa. O domínio não consiste em sonhos anormais, em visões, em vida e imaginações fantásticas, mas sim no emprego das forças superiores contra as inferiores, escapando assim das penas dos planos inferiores pela vibração nos superiores. A transmutação não é uma denegação presunçosa, é a arma ofensiva do Mestre.”;

“A posse do conhecimento sem ser acompanhada de uma manifestação ou expressão em ação, é como o amontoado de metais preciosos, uma coisa vã e tola. O conhecimento é, como a riqueza, destinado ao uso. A lei do uso é universal, e aquele que viola esta lei sofre por causa do seu conflito com as forças naturais.”

Os Princípios Herméticos permitem a transmutação da mente, que é a evolução. Maçonaria e Hermetismo buscam transformar tudo que é grosseiro em algo sutil - a pedra bruta em pedra polida. Maçonaria e Hermetismo têm como objetivos a transmutação do homem. O homem, através de sua essência Divina, pode realizar-se e ser “feliz” - é o que a Maçonaria ensina, estimulando o desenvolvimento e trilha pessoais que, desabrocharão no ser espiritual que todo ser humano é. E, esse preceito estava gravado na entrada do Templo de Apolo, o “Oráculo de Delfos” (Grécia): “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses”. O caminho para o “divino”, em cada um, é o caminho individual - a senda do auto-conhecimento.

Hermes é considerado o pai e fundador também da Alquimia, de onde surgiram as Ciências Ocultas ou Herméticas que originaram, na Maçonaria, os Ritos e Graus Herméticos. A influência do Hermetismo foi marcante, já que nos primeiros tempos do cristianismo, Hermes era considerado como o criador de toda inteligência humana, citado, inclusive, em documentos da fase operativa da Ordem.

O Hermetismo foi cultivado durante a Idade Média sob várias denominações: Ocultismo, Esoterismo, Alquimia, Astrologia, Cabala e influenciou quase todas as correntes de pensamento filosófico da época.

Mas, sob o nome de Hermetismo designou-se particularmente a parte teórica e filosófica da Alquimia medieval, segundo a qual existem íntimas e misteriosas relações entre todas as porções do Universo visível e invisível.

Os maçons operativos, que escreveram as Antigas Constituições (“Old Charges”), obtiveram seus conhecimentos através do famoso “Polycronycon”, do monge Ranulfo Hidgeu, traduzido em 1482, onde ele repete várias vezes que o “Manuscrito Cooke”, cuja data provável é dos fins do século XV, já era familiar aos escritores das Constituições anteriores. Em todos os registros e manuscritos antigos que contêm as lendas da Ordem, fazia-se referência a Hermes Trismegistos como fundador da Maçonaria. Assim, o manuscrito da Grande Loja dos Operativos, que data de 1632, afirma que “o grandioso Hermarino, filho de Cuby, filho de Sem e neto de Noé, foi identificado posteriormente como Hermes, o Pai da Sabedoria”.

Durante o século XVIII, muitos ocultistas foram Iniciados na Maçonaria, impregnando-a com seus conhecimentos. Surgiram e floresceram vários Graus Maçônicos dedicados ao estudo das ciências ocultas.

6 - Maçonaria e Astrologia:

Astrologia pode ser definida como um sistema simbólico que relaciona o macrocosmo (os Planetas) e o microcosmo (o indivíduo na Terra).

Os fenômenos da Natureza e os astros (Sol, Lua, Estrelas), sempre exerceram curiosidade, atração e respeito no homem primitivo. Os hominídeos do Paleolítico divinizavam as forças da Natureza. No período Neolítico, além da Natureza, os hominídeos criaram novos deuses, sempre relacionados ao universo que os envolvia. Com o advento da agricultura (cerca de dez mil anos atrás), o homem percebeu que a vida das plantas obedecia a um determinado ciclo, comandada pelos astros, no céu, e que havia um momento propício para arar, semear e colher. Eis aí, o nascedouro da Astrologia. Porém, há registros das fases da Lua inscritas em ossos, quinze mil anos atrás, na Mesopotâmia (terra entre os rios Tigre e Eufrates).

O estudo dos astros pode ter se iniciado na Mesopotâmia. A Caldéia era uma região ao sul da Mesopotâmia, principalmente na margem oriental do rio Eufrates, mas muitas vezes o termo é usado para se referir a toda a planície mesopotâmica. A Astrologia, possivelmente, teve origem na antiga Caldéia. Com seus conhecimentos astronômicos, os caldeus conheciam os planetas até Saturno. Conheciam muito bem as fases da Lua, prevendo com precisão os eclipses. Foram eles que, criaram os Doze Signos do Zodíaco. Os caldeus perceberam que determinadas épocas ou signos produziam certos traços de caráter, e com isso criaram toda a base da simbologia que hoje é a Astrologia.

A civilização mesopotâmica nasceu há cerca de quatro mil anos a.C. com o povo ubaida. Depois vieram os sumérios, com a escrita cuneiforme. Em 1350 a.C., tem início o Império Assírio, que controla a antiga Pérsia, Síria, Palestina e Egito. Os sumérios criaram o sistema sexagesimal que, facilitou operações matemáticas e o desenvolvimento da astronomia. Os egípcios adotaram esse sistema e, construíram obras arquitetônicas alinhadas às estrelas fixas, com precisão.

Por todos os séculos seguintes, os povos que viveram entre os rios Tigre e o Eufrates continuaram a registrar suas observações do céu.

Com a dominação do rei Ciro II da Pérsia, a região estabiliza-se. Os persas, no contato com os astrólogos da Mesopotâmia, introduziram a matemática no cálculo astronômico e astrológico - há um grande avanço com a regularização dos calendários, como conseqüência de um entendimento maior dos ciclos celestes.

Depois que Alexandre, O Grande, conquistou o Egito (331 a.C.), houve um destaque na historia da Astrologia. O período alexandrino foi rico na produção intelectual.

O avanço das tropas de Alexandre, fez com que o idioma grego se espalhasse como língua cultural. Assim, os métodos babilônicos anexados à Astrologia egípcia, puderam chegar, em idioma grego, à Índia.

Mesmo após a dominação romana, a cultura era helenista.

Data do primeiro século d.C. o mais longo tratado astrológico - o autor é Doroteu de Sidon e o trabalho é o “Pentateuco”, um longo poema astrológico em cinco livros.

O imperador romano Adriano (117 d.C.) foi considerado o patrono da Astrologia e seu mapa natal chegou até nossos dias.

Cláudio Ptolomeu (100-170 d.C.?), egípcio de nascimento, cidadão romano e que escrevia em grego, foi o organizador de uma corrente representativa do conhecimento astrológico - escreveu o “Almagesto”.

No final do século II d.C., Antióquio de Atenas compila textos de astrólogos anteriores - uma das partes é o “Thesaurus”.

Em 313 d.C., o cristianismo torna-se a religião oficial, mas o paganismo ainda é tolerado.

Em 410 d.C., Roma caiu, com a chegada dos visigodos. Em 476 d.C. o Império Romano do Ocidente chegava ao fim.

A primeira fase do Império Bizantino vai de 324 a 640 d.C.

Os dias gloriosos da Astrologia terminaram oficialmente, em 357 d.C., com Constâncio.

Próximo ao ano 227, a região do atual Irã foi tomada pelos exércitos sassâmidas do persa Adachir I, que transformou o Zoroastrismo em religião do estado.

A Astrologia árabe foi uma extensão da tradição Astrológica grega e recebeu influências da Astrologia hindu.

Após a dominação árabe, a maior parte dos textos de astrologia persa foi destruída.

Na Idade Média os astrólogos eram chamados “mathematici”, pois a Astrologia era a aplicação mais importante da matemática. A prática da medicina era baseada na determinação astrológica do tratamento adequado, portanto os médicos também eram matemáticos, como Tycho Brahe. A Astrologia e a Astronomia eram, de início, um mesmo estudo. Tycho Brahe, por exemplo, nascido em 1546, era médico e astrônomo em Copenhague, mas também astrólogo do rei da Hungria.

A Astrologia era respeitada e, somente criticada por fatores intercorrentes: Dante Alighieri (maçom) expõe ao ridículo, no Inferno da “Divina Comédia”, os astrólogos Guido Bonatti (conselheiro de Guido de Médici) e Michael Scott, mas por misturarem necromancia à Astrologia, abusando dos conhecimentos obtidos. Cecco d'Ascoli, professor de astrologia em Bolonha, foi queimado vivo na fogueira em 1327 não por ser astrólogo, mas por suas opiniões consideradas heréticas.

O Renascimento trouxe uma difusão da Astrologia, apoiada inclusive pelo papado.

Na Maçonaria, a presença da Astrologia é patente. Um exemplo são as Doze Colunas do Templo (Rito Escocês Antigo e Aceito), que correspondem aos Signos do Zodíaco. O Zodíaco é uma faixa celeste imaginária, que se estende entre oito a nove graus em cada lado da eclíptica e   que com esta coincide. Eclíptica é o caminho que o Sol, do ponto de vista da Terra, parece percorrer anualmente no céu. Essa faixa foi dividida em doze casas de trinta graus cada uma, e o Sol parece se mover um grau por dia.  Os Planetas conhecidos na Antiguidade (Mercúrio à Saturno) também faziam parte do Zodíaco, pois suas órbitas se colocavam no mesmo plano da órbita da Terra.  O Zodíaco então é dividido em Doze Constelações, que são percorridas pelo Sol, uma vez por ano. Os Signos representam o aprendizado percorrido pelo maçom, desde sua iniciação na Ordem até o Grau de Mestre Maçom.

 Nos Templos, (Rito Escocês Antigo e Aceito), cada uma das Doze Colunas, que representa uma das Constelações Zodiacais, sustenta simbolicamente a calota celeste e representa um mês do ano maçônico.


As Doze Colunas Zodiacais estão situadas no Ocidente, estando seis no lado Norte, onde têm assento os Aprendizes, e seis no lado sul, onde têm assento os Companheiros.
De um modo geral, essas Colunas simbolizam o caminho iniciático do Aprendiz, Companheiro e Mestre, resumido pelo “desbastamento da pedra bruta”, ou seja, o seu aperfeiçoamento moral e espiritual. As seis Colunas que estão no Norte, relacionam-se a essa caminhada do Aprendiz.
O início do aprendizado começa na Cerimônia de Iniciação, isto é, “a abertura da porta que autoriza o começo das passadas”.
Se olharmos horizontalmente para o céu no equador celeste, o limite do Universo são as Doze Constelações. As Doze Colunas transmitem a idéia de que as leis do Universo chegam até nós pelo que representam os Signos Zodiacais e as Constelações.

Outro exemplo são as três colunas gregas Dórica, Jônica e Coríntia, que representam a Força, a Sabedoria e a Beleza correspondem a Ares (ou Hércules), Minerva e Vênus.

Os quatro elementos: Terra, Água, Ar e Fogo, que formam toda a Criação na Astrologia, fazem parte da simbologia maçônica.

Alguns autores traçam um paralelo entre os Três Graus Simbólicos e os Signos:

- Aprendiz: áries, touro, gêmeos, câncer, leão e virgem;

- Companheiro: libra;

- Mestre: escorpião, sagitário, capricórnio, aquário e peixes.

O maçom, em seu caminho iniciático, pode percorrer e aprender com as características de cada Signo do Zodíaco:

- Áries: representado por Marte e pelo Fogo - é o fogo interior, a força que estimula o crescimento e o desenvolvimento;

- Touro: representado por Vênus e pelo elemento Terra - é a matéria, na qual se dá a fecundação, a elaboração interior;

- Gêmeos: representado por Mercúrio e pelo Ar - é a criatividade, a versatilidade, a engenhosidade e a vitalidade criadora;

- Câncer: representado pela Lua e pela Água - é o aprendizado em relação à tenacidade e a cautela;

- Leão: representado pelo Sol e pelo Fogo - é o emprego da razão com base crítica;

- Virgem: representado por Mercúrio e pelo elemento Terra - é o emprego do espírito analítico;

- Libra: representado por Vênus e o Ar - simboliza o equilíbrio entre os dois pólos, que são a construção e a destruição;

- Escorpião: representado por Marte e a Água - simboliza emoções e sentimentos como o rancor e a obstinação;

- Sagitário: representado por Júpiter e pelo Fogo - simboliza a mente aberta e o julgamento crítico;

- Capricórnio: representado por Saturno e pelo elemento Terra - simboliza determinação e perseverança;

- Aquário: representado por Saturno e pelo Ar - simboliza o sentimento humanitário e solidariedade;

- Peixes: representado por Júpiter e pela Água - simboliza o desprendimento das coisas materiais.

O iniciante maçom, também pode observar como aprendizado, as características de cada Planeta:

Sol: Regente do signo de Leão. Simboliza a vida, marca o signo do nascimento. Símbolo de autoridade, de poder, de orgulho e de desenvolvimento.

Lua: Regente do signo de Câncer. Tal como o Sol, representa a vitalidade física e o grau de evolução, principalmente na área psíquica.

Mercúrio: Regente dos signos de Gêmeos e Virgem. Na mitologia grega (e romana), Mercúrio é o mensageiro dos deuses do Olimpo. É o planeta da inteligência, da adaptabilidade, regendo a vida mental. Mercúrio marca a adolescência do ser humano.


Vênus: Regente dos signos de Touro e Libra. Vênus era a deusa do amor, da beleza e das artes.

Marte: Regente dos signos de Áries e Escorpião. Deus da guerra, Marte simboliza a energia, a vontade de empreender, a coragem, a ação, que pode chegar à violência. Potencial de agressividade, sobre o espírito de conquista. Rege a indústria, o fogo, o ferro.

Júpiter: Regente do signo de Sagitário (e, secundariamente, Peixes). Pai e soberano dos deuses do Olimpo, Júpiter reina sobre as leis e a religião. É o planeta da autoridade, do êxito social e das honras, da burguesia. Com Mercúrio partilha o domínio sobre a razão e sobre o intelecto. Júpiter marca a idade madura do ser humano.

Saturno: Regente do signo de Capricórnio. Deus do Tempo, Saturno marca a velhice do indivíduo. Representa a paciência, a prudência, a meditação, espírito cientifico, e a solidão. Desempenha um papel na doença, na fatalidade, na ruína, no isolamento. Num sentido positivo, Saturno apóia os esforços de longa duração, o trabalho obstinado, a capacidade de organização.


Seguem-se os planetas de descoberta recente:

Urano: Regente do signo de Aquário. A descoberta deste planeta, no final do século XVIII, coincide com vários fatos históricos que perturbaram o mundo: Revolução Francesa, Guerra da Independência nos Estados Unidos, inicio da Revolução Industrial, etc. Urano é o planeta de todas as mudanças. Rege o progresso, as invenções, as reformas, as ciências.

Netuno: Regente do signo de Peixes. Deus dos oceanos, Netuno é o planeta das águas, das viagens marítimas, dos lugares aquáticos e simboliza o que é vago, impreciso. A sua ação tanto se exerce nas grandes correntes de pensamento, nas reformas, como também no caos e na anarquia.

Plutão: Regente do signo de Escorpião. Descoberto em 1930, Plutão é o planeta mais afastado do nosso sistema solar pelo menos, segundo os conhecimentos atuais. Plutão assinala as metamorfoses profundas e representa as forças psíquicas, misteriosas e violentas. É um fator de destruição e de possível regeneração.

7- Maçonaria e Holismo:

A Maçonaria, considerando que homem e Natureza, são componentes de um mesmo sistema, alinha-se ao conceito de Holismo.

A idéia de Holismo não é recente. Ela permeia várias concepções filosóficas ao longo de toda a evolução do pensamento humano. “A parte é diferente do todo, mas também é o mesmo que o todo. A essência é o todo e a parte”. Heráclito de Éfeso (544 a.C – 484 a.C.), filósofo grego. O pensamento holístico é profundamente ecológico, e de acordo com ele, o indivíduo e a Natureza não estão separados, mas formam um conjunto único, que não pode ser dissociado.

A palavra Holismo vem do grego “holos”, que significa “o todo” – a integração das partes num todo. Aparece pela primeira vez na obra “Holismo e Evolução”, de Jan Smuts, em 1921, governador britânico no sul da Índia, que assim a definiu: “A tendência da natureza a formar, através de evolução criativa, todos que são maiores que a soma de suas partes”.

Holismo é o conceito-chave do paradigma que afirma haver uma integração abrangente do mundo e do homem. Em contraste com a experiência de uma fragmentação na ciência e na vida cotidiana, a integralidade é apresentada como um conceito filosófico-científico. A humanidade está presente no Universo como parte de um único organismo vivo, de uma rede harmoniosa de relações dinâmicas. A humanidade faz parte de uma rede universal (ecossistema, família) de Natureza e Mundo, e cada indivíduo deve procurar estar em harmonia com cada elemento desta rede transcendente. Quando se compreende qual é o próprio papel na Natureza e no Cosmo, então se compreende que “integralidade” e “sagrado” são uma só coisa.

A concepção do Universo como um todo harmonioso e indivisível é o enfoque central do paradigma holístico; e como evidencia a teoria holográfica, cada parte constitutiva do Universo contém informações sobre todo o Universo e, portanto, alterações nas partes afetam o todo.

Essa concepção substitui o modelo fragmentado e reducionista baseado na orientação mecanicista do paradigma newtoniano/cartesiano.

A percepção holística preocupa-se com o bem-estar do ser total, integrado em seu meio. Ela está baseada na suposição que corpo, mente e emoções, formam uma unidade.

Por sua liberdade e conhecimentos abrangentes, antigos e ecléticos, a Maçonaria e seus membros buscam nas mais diversas áreas do saber, suas verdades e experiências, resultando em uma filosofia ampla e holística.

A Maçonaria, sempre estimulou seus adeptos, a superar formas de dualismo (o número dois – o opositor), em busca da totalidade: ser humano e Natureza, energia e matéria, corpo e espírito, etc. O Holismo é uma visão de mundo que se contrapõe à visão dualista, fragmentadora e mecanicista que despojou o ser humano da sua unidade, ao longo dos séculos. A Maçonaria propõe o simbolismo primevo da Trindade.

O Holismo impregna os conceitos maçônicos, desde o interesse pelo aperfeiçoamento pessoal, conduzindo necessariamente, ao da sociedade, até a busca da consciência unicista; e desde a sensibilidade ecológica até a idéia de uma “rede” global.

A Maçonaria faz o “bem”, física e moralmente. Seus adeptos unem-se em sentido fraternal – e, segundo Helena Blavatsky, em seu livro “As Origens do Ritual na Igreja e na Maçonaria”: “é a única “religião” no mundo, se consideramos o termo como derivado da palavra “religare” (ligar), pois que une todos os homens que a ela se filiam como “irmãos”, sem preocupações de raça ou fé”.

Holismo, basicamente, é uma atitude diante da realidade, uma forma de perceber e compreender o mundo, onde há “permissão” para um intercâmbio dinâmico entre Ciência, Arte, Filosofia e as Tradições Espirituais.

 Sendo assim, o pensamento holístico e Maçonaria formam um conjunto, que permeia todos os níveis de atuação individual e social do maçom; esse conjunto admite todas as religiões; admite todos os sistemas filosóficos - mas não os mescla, não os mistura (Corda de Oitenta e Um Nós – todos juntos, porém, cada maçom conserva sua individualidade). Respeita o que cada um tem de importante e entende que a diversidade é aceitável e é até recomendável e essencial para a proliferação e riqueza das idéias. Não exclui, não condena, não separa. Somente constrói pontes, estabelecendo correlações entre áreas consideradas inconciliáveis como a Ciência e o Misticismo, a Arte e a Filosofia. Considera que em cada coisa está representado o Todo e que este transcende a simples soma de suas partes.




8 - Os Templos Maçônicos:

Templo, do latim “templum”, local sagrado, é uma estrutura arquitetônica dedicada ao serviço religioso. O termo também pode ser usado em sentido figurado, como um lugar respeitável. É um local sagrado onde são celebradas instruções e cerimônias.

Porém, no início de sua história mística o homem usava locais ao ar livre, para suas orações e rituais.

Acredita-se, que uma mudança de clima obrigou nossos ancestrais a descerem das árvores e a andar sobre dois pés, para competir pela sobrevivência, com predadores que os caçavam. Muito provavelmente, o homem primitivo já fazia suas preces nos cultos aos mortos (visto que os enterrava, fato atestado pela paleontologia) e diante de fenômenos naturais, que estavam acima de sua capacidade de compreensão e que lhe causavam medo. Hominídeos, ao observarem os ciclos de sua própria espécie, da Natureza e suas manifestações, criaram uma ponte com o Universo, estabelecida por intermédio de suas orações.

Os primeiros Templos surgiram na Mesopotâmia, por volta do século IV a.C. Esses Templos primitivos, feitos de tijolos secos ao sol, eram muito simples, tendo a estátua do deus colocada na parede do fundo e cercada pelas demais paredes, sem teto.

Entretanto, os mais importantes Templos foram os da Babilônia, em forma de zigurate - o Grande Templo era o do deus “Marduk”, chamado “Esaguil”, “casa do teto alto”, flanqueado ao norte pela torre em degraus, o zigurate, chamada “Etemenanqui”, “Templo dos Fundamentos dos Céus e da Terra” e, conhecida pelo nome de “Torre de Babel”. Essa torre, destruída pelo rei assírio Senasqueribe, foi refeita por Nabopolassar e seu filho Nabucodonosor.

Os Templos egípcios que surgiram depois tiveram seu apogeu no Novo Império, a partir de 2200 a.C. e obedeciam a um mesmo modelo: havia uma alameda para as procissões, cercada pelos dois lados por uma fileira de esfinges - esta série de esfinges terminava com obeliscos (colunas quadriláteras, formadas de uma só peça de granito; seus lados eram cobertos de hieróglifos, que eram sinais ideográficos, alfabéticos e silábicos) - conduzindo à porta de acesso, situada entre suas colunas e através da qual se chegava a um pátio interno, e em seguida ao santuário. Os Templos egípcios eram a representação da Terra, da qual brotavam as colunas em direção ao Céu (no início o próprio Céu e depois um teto imitando a abóbada celeste). Eram grandes construções sem janelas que terminavam em plataforma, e constavam de ante-sala, sala e santuário; este era menos espaçoso, e às vezes esculpido de um só bloco de granito. A cobertura dos Templos era feita de enormes lâminas de pedras que eram apoiadas pelas colunas. As paredes e as colunas eram ornamentadas com pinturas. Diante do Templo havia um pátio no qual se entrava por uma porta com torres dos lados. Os Templos não eram somente lugares de culto, mas também as únicas escolas e, além disso, observatórios astronômicos, locais para exposições de obras de arte e até casas de saúde.

Os Templos egípcios e babilônicos influenciaram os Templos hebraicos, inclusive o Grande Templo de Jerusalém, o “Templo de Salomão”, que viria a ser o protótipo, o arquétipo das igrejas medievais.

Mas foi com os gregos que a construção de Templos tornou-se a mais alta expressão da arquitetura antiga, desenvolvendo formas e estilos que refletem a essência da antiga arte de construir. Os gregos sendo politeístas e acreditarem na semelhança entre deuses e homens, fez com que uma expressão religiosa singular em seu mundo, sendo que os Templos dos mais variados deuses se espalharam por todas as cidades gregas.

O Templo grego é, essencialmente, a habitação do deus. A característica mais evidente é a simetria entre o pórtico de entrada e o dos fundos.

O Templo era construído sobre uma base em degraus: o degrau mais elevado chamava-se “estilóbato” (“estereóbato” era a infra-estrutura) e, sobre ele eram erguidas colunas - as colunas eram construídas segundo os modelos da Ordem Dórica, Jônica e Coríntia:

- Ordem Dórica: era simples e maciça. O capitel (cabeça da coluna) era uma almofada de pedra. Nela o pensamento é representado. Sendo a mais antiga das Ordens arquitetônicas gregas, a Ordem Dórica por sua simplicidade e severidade, empresta uma idéia de solidez e imponência;

- Ordem Jônica: representava a graça e o feminino. O capitel era formado por duas espirais unidas por duas curvas. A Ordem Dórica traduz a forma do homem, e a Ordem Jônica a forma da mulher;

- Ordem Coríntia: o capitel era formado com folhas de acanto (planta espinhosa, de flores brilhantes, cujas folhas compridas, verdes e recortadas, são muito decorativas. Com o tempo, a folha de acanto passou a ser associada à pureza e à honestidade) e quatro espirais simétricas. Sugere luxo e beleza.


A construção de Templos diminuiu durante o Império Romano, apesar do “Panteão” (o qual se encontra ainda em perfeito estado de conservação) de Roma ter sido uma grande exceção - era um Templo dedicado a todos os deuses romanos. Foi construído por Marco Vipsânio Agripa (cônsul romano), em 27 a.C., durante a República Romana. O Panteão de Agripa foi destruído por um incêndio em 80 d.C., sendo totalmente reconstruído em 125 d.C., pelo imperador Adriano.

Com o refinamento da arte da construção, os homens passaram a representar a Natureza e seus fenômenos em sua arquitetura e em seus rituais. As construções sagradas procuraram exaltar e representar a Natureza com suas leis e princípios.


Algumas tradições religiosas dedicam nomes específicos a seus Templos:

- Igreja ou Catedral, no Cristianismo;

- Mesquita, no Islamismo;

- Pagode, no Budismo;

- Sinagoga, no Judaísmo, etc.

Denomina-se “Loja” a sociedade de maçons. Pode ser um local ou não. A Loja simboliza o Mundo, e deve satisfazer determinadas características “arquitetônicas” - assim sendo, a Loja tem por comprimento a distância do Oriente ao Ocidente; a largura do Norte ao Sul; a altura do Nadir (ponto imaginário, que se supõe situado diretamente sob nossos pés; oposto ao Zênite) ao Zênite (ponto imaginário da esfera celeste que, supõe-se situado diretamente sobre nossas cabeças; oposto a Nadir).

Cada Loja Maçônica é composta pelo Venerável Mestre, que preside e orienta a reunião por um mandato; Primeiro Vigilante, que conduz os trabalhos e trata da organização e disciplina em geral; Segundo Vigilante, que orienta os aprendizes; Orador, que sumariza os trabalhos e reúne as conclusões; Secretário, que redige as atas e trata da sua conservação e é responsável pelas relações administrativas da Loja; Mestre de Cerimônias, que introduz na Loja e conduz aos seus lugares os visitantes, e ajuda nas cerimônias de iniciação; Tesoureiro, que recebe as contribuições e outros fundos da Loja e zela pela sua organização financeira. Os cargos do Venerável Mestre ao Secretário são chamados “Luzes da Oficina”.
Na Loja, a “Câmara de Reflexões” é o local onde é recolhido o profano - do latim “profanus”, “aquele que é estranho ao que é sagrado” - “diante do templo”. Na Maçonaria é a pessoa não iniciada - antes de ser introduzido no Templo. Na “Câmara de Reflexões” o postulante senta-se sozinho e escreve suas razões de querer juntar-se à Ordem. Seus motivos são examinados por Mestres Maçons, e é nesse local que espera, antes do início da Cerimônia de Iniciação. A “Câmara de Reflexões” é iluminada por uma lâmpada e, não recebe a luz do sol. É o local onde o candidato, lida com a “morte”: morte de sua vida profana, e renascimento para uma nova vida: maçônica - é representado como uma câmara mortuária. As paredes são pintadas de preto. No Rito Escocês Antigo e Aceito, na “Câmara de Reflexões” há a inscrição: V.I.T.R.I.O.L: “Visita Interiorem Terrae. Rectificandoque Invenies Occultum Lapidem” (“Visita o interior da terra. Seguindo na retidão, encontrarás a Pedra escondida”), que é um preceito alquímico. “Vitriol” significa “vitríolo”. Para os alquimistas, vitríolo era sulfato de ferro, cobre ou zinco, e o azeite de vitríolo, o ácido sulfúrico. O processo de visitar o interior da Terra, para os alquimistas era químico. Para os maçons, trata-se de um processo interior, que pode acontecer tanto pelo nascimento quanto pela morte. Só quando o homem tiver mergulhado profundamente em sua dor, encontrará a Pedra Filosofal, que é o que dá sentido à existência, que é a unidade consigo próprio: o vitríolo. Segundo o alquimista Paracelso: “todas as coisas são feitas de sal (terra-matéria), mercúrio (água-energia) e enxofre (fogo-espírito)”. Para os alquimistas, tudo é substância, e ela é composta de corpo (não combustível) e espírito (combustível).

A “Câmara de Reflexões” cumpre a mesma função simbólica que o “athanor” hermético: um espaço fechado e íntimo onde se produzem as mudanças regenerativas de estados, exemplificados pela gradual purificação da matéria densa e caótica do composto alquímico.


Um prédio maçônico é composto por três partes essenciais (além da “Câmara de Reflexões”):

- “Sala dos Passos Perdidos” – local onde os maçons podem conversar livremente e realizar atividades recreativas;

- “Átrio ou Vestíbulo” – local que precede o Templo. Lugar onde os maçons se preparam para entrar no Templo (colocam seus aventais, etc.);

- “Templo” – local com decoração apropriada à sua finalidade. O Templo é o lugar das reuniões dos maçons. O Templo não tem janelas e a entrada é voltada para o Ocidente, onde a pintura é mais escura. No outro extremo, o Oriente é mais claro – para a Ordem é do Oriente que vem o conhecimento. É nessa área que também fica o Altar, de onde o Venerável Mestre conduz a sessão. Nas paredes há os vários símbolos e, durante as cerimônias, os maçons usam aventais (originariamente vestimentas Operativas, que protegiam os adeptos dos ferimentos que poderiam ser causados pelos estilhaços da pedra bruta. Na Maçonaria Especulativa, o avental é uma proteção para que o maçom não seja “ferido” por seus próprios estilhaços, que são os fragmentos de suas dificuldades).

Cada Grau, na Maçonaria, possui um painel próprio com símbolos representativos. O Templo deve perpetuar ensinamentos sobre simbolismo.
O Templo Maçônico reúne em si, o espaço e o tempo sagrados. O Templo é um modelo do Universo (macrocosmo): o teto simboliza o céu e o chão a terra. O Templo também representa o homem (microcosmo).

O Templo Maçônico reproduz alguns dados arquitetônicos do Templo que Salomão mandou erigir em Jerusalém. A Maçonaria fundamentou seus ensinamentos na alegoria da construção do Templo de Salomão que, é a imagem da representação do Universo e de todas as suas maravilhas. O Templo Maçônico representa o Universo e também o ser humano.

A idéia de que um Templo deve refletir a estrutura tanto do Universo como do homem tem, provavelmente, quatro mil anos, quando Moisés construiu o Tabernáculo: a palavra “Tabernáculo” vem do hebraico “mishkan”, “local da Divina morada” e designa a estrutura portátil que os hebreus (as Doze Tribos de Israel) construíram para a adoração a Deus. Durante o Êxodo até os tempos do rei Davi, os hebreus guardavam e transportavam a Arca da Aliança (é descrita na Bíblia como o receptáculo no qual as Tábuas dos Dez Mandamentos teriam sido guardadas. Sua construção foi orientada por Moisés, que teria recebido as instruções da Divindade. Em 587 a.C., Nabucodonosor II, rei da Babilônia, invadiu o reino de Judá e tomou a cidade de Jerusalém. A Arca passara a ser guardada no Templo de Jerusalém, e depois de um grande incêndio provocado pelo exército de Nabucodonosor II, o Templo foi destruído. A Arca desaparece completamente da narrativa bíblica a partir desse ponto), a menorá (candelabro de ouro maciço, de sete braços, em semicírculo) e outros objetos sagrados.

Moisés construiu o Tabernáculo compondo-o em três partes: “Átrio Exterior”, “Santo Lugar” e “Santo dos Santos”. Salomão construiu o Templo em Jerusalém, seguindo o mesmo projeto de três níveis do Tabernáculo mais a parte externa.

A idéia de que o Universo e o indivíduo são “construídos” de acordo com o mesmo plano de três níveis, foi fundamental para quase todo o pensamento filosófico ocidental, até o começo do século XIX. Esses três níveis foram claramente representados no planejamento das catedrais da Europa, na Idade Média.


9 - A Maçonaria no Brasil:

Não há registros da chegada da Maçonaria no Brasil, mas teria sido trazida por comerciantes ingleses e franceses, no início do século XVIII. Muitos pesquisadores postulam que, havia clubes e academias literárias, cujos ideais eram, na realidade, maçônicos.

Há muitas controvérsias, com relação à primeira Loja Maçônica instalada no Brasil.

Segundo antigos registros, 1786 teria sido o ano do surgimento da Maçonaria no Brasil, com a volta do maçom José Alves Maciel da Europa. Alguns pesquisadores apontam a instalação da primeira Loja, em 1787, “Cavaleiros da Luz”, na povoação de Barra, em Salvador, Bahia. Outros autores defendem a hipótese de que a primeira Loja brasileira teria surgido em Pernambuco, em 1796 - o “Areópago de Itambé” - que foi fundada pelo ex-frei carmelita, médico e botânico formado pela Faculdade de Montpellier, França, Manuel de Arruda Câmara e dissolvida em 1801, por autoridades portuguesas, que descobriram conspirações contra a Coroa.

Outros autores, afirmam que a primeira Loja Maçônica fundada no Brasil foi na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1800, e recebeu o nome de "União"- um ano depois, devido ao grande número de adeptos, sofreu reestruturação e passou a denominar-se "Reunião". 

De acordo com o Mestre Maçom Raimundo Rodrigues (SP):


“Segundo o manifesto de José Bonifácio publicado em 1832, a primeira Loja Simbólica regular no Brasil foi instalada em 1801, debaixo do título de Reunião, filiada ao Oriente da Ilha de França, e nomeado para seu representante o cavaleiro Laurent, que a fortuna fez aportar às formosas praias da Bahia de Niterói e que presidira a sua instalação.

Na mesma página, o autor informa:

Em 1801 a Loja “Reunião” é regulamentada e instalada sob o reconhecimento do Oriente da Ilha de França, seguindo-se as Lojas “Constância” e “Filantropia”, subordinadas ao Grande Oriente Lusitano. Se a Loja “Cavaleiros da Luz”, foi a primeira Loja Maçônica no Brasil e o “Areópago” o primeiro núcleo secreto revolucionário, a Loja “Reunião”, à luz dos documentos, respeitadas as leis e tradições maçônicas foi a primeira Loja Maçônica Regular no Brasil.
Mário Verçosa, Past Grão-Mestre da Grande Loja do Estado do Amazonas, relaciona as primeiras Lojas do Brasil:

“Reunião”, no Rio de Janeiro, RJ – 1801;

“Virtude e Razão”, em Salvador, BA – 1802;

“Constância”, no Rio de Janeiro, RJ – 1803; 

“Filantropia”, no Rio de Janeiro, RJ – 1803; 

“Emancipação”, no Rio de Janeiro, RJ – 1803; 

“Beneficência”, no Rio de Janeiro, RJ – 1803; 

“Distintiva”, em Niterói, RJ – 1812; 

“Comércio e Artes”, no Rio de Janeiro, RJ – 1815; 

“Pernambuco Oriente”, em Recife, PE – 1817; 

“Pernambuco Ocidente”, em Recife, PE – 1817; 

“Revolução Pernambucana”, em Recife, PE – 1817; 

“União e Tranqüilidade”, no Rio de Janeiro, RJ – 1817; 

“Esperança de Niterói”, em Niterói, RJ – 1821; 

“Conciliação de Pernambuco”, em Recife, PE – 1822; 

“Nove de Janeiro”, no Rio de Janeiro, RJ – 1822.”


Em 1802, o capitão-mor de Olinda, Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque, fundou na cidade do Cabo (província de Pernambuco), no Engenho de Suassuna, de sua propriedade, a “Academia de Suassuna.” E em Recife, foi instalada pelo padre João Ribeiro Pessoa a “Academia do Paraíso”, tendo como secretário o monsenhor Muniz Tavares.
O “Areópago”, embora citado como marco inicial das organizações maçônicas no Brasil, não pode ser considerado como Loja Maçônica, pois, não formava novos maçons.

Com  a chegada ao Brasil de D. João VI, em janeiro de 1808, depois de uma fuga precipitada de Portugal ante a invasão napoleônica, automaticamente o governo passou às suas mãos. Em sua corte havia inúmeros maçons portugueses, que colaboraram para a diminuição das restrições à Maçonaria, promovendo o revigoramento da atividade no Brasil.

A partir de 1809 foram fundadas várias Lojas no Rio de Janeiro e em Pernambuco.

A História do Brasil e Maçonaria estão intimamente ligadas. Os mais importantes eventos da História Brasileira, foram gestados dentro de Lojas Maçônicas: a Revolução Pernambucana de 1817, o Fico, a Proclamação da Independência, a Abolição da Escravatura, a Proclamação da República.

Na Inconfidência Mineira, não há registros de participação da Ordem. Porém, ressalta-se a contribuição de um maçom ilustre, Francisco Antonio Lisboa, o Aleijadinho. Este grande gênio da humanidade, autor de esculturas sacras, homenageou a Maçonaria em seu trabalho. Os três anjinhos, formando um triângulo, os quais se tornaram sua marca registrada, reverenciam a Maçonaria, com seus três pontos em formato de triângulo.

A própria bandeira do estado de Minas Gerais foi inspirada na Maçonaria: o triângulo, no centro da bandeira é o Delta Luminoso, o Olho da Sabedoria, símbolo maçônico.

A Revolução Pernambucana de 1817 teve seu embrião no desejo de Independência que crescia nas Lojas maçônicas. Mas, a insurreição fracassou e, a Maçonaria passou a ser duramente perseguida, e em 1818, Portugal proibiu o funcionamento de sociedades secretas.

Em 1821, a Coroa determinou a volta a Portugal do príncipe Dom Pedro I. Sem seu príncipe regente, o Brasil voltaria à condição de colônia. O maçom Francisco Maria Gordilho de Barbuda, coronel do Exército Colonial, que mais tarde tornou-se o Marquês de Paranaguá, ficou encarregado de falar com o príncipe e, obteve sua adesão à idéia de permanecer no Brasil. Depois de alguns contratempos, Dom Pedro I resolveu ficar, dizendo a célebre frase: “se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto, diga ao povo que fico.” Por esse gesto, Dom Pedro I foi condenado por autoridades portuguesas e, deveria ser conduzido preso a Lisboa. Maçons orientaram o povo num levante, apoiando a atitude do príncipe. Houve uma batalha entre o povo e o exército português - os ideais libertários e o povo foram os vencedores.

Dom Pedro I foi iniciado maçom em 13 de julho de 1822 (na Loja “Comércio e Arte”), com o nome simbólico de “Guatimozim” (último chefe asteca). Três dias depois foi elevado a Mestre e, em 2 de agosto de 1822, elevado a Grão-Mestre. Essa ascensão tão rápida aconteceu, para não melindrar o príncipe - para que ele não recebesse ensinamentos de maçons que estavam numa posição hierarquicamente superior - Dom Pedro I como autoridade máxima no Brasil, não deveria se sentir constrangido.

A Independência do Brasil foi engendrada pela Maçonaria, em 22 de agosto de 1822, no Grande Oriente do Brasil. O grito de Independência dado por Dom Pedro I, “Independência ou Morte!” em 7 de setembro de 1822 foi uma confirmação. O Brasil já estava, praticamente, desligado de Portugal, desde 9 de janeiro de 1822, o dia do Fico.


A Abolição da Escravatura, no Brasil, aconteceu por iniciativa maçônica. A Maçonaria, cumprindo sua missão de lutar pelos direitos humanos, considerando a igualdade entre os seres, empenhou-se pela emancipação dos escravos.

Confirmando essas afirmações, verifica-se a presença de vários maçons entre os líderes abolicionistas. Destacaram-se: Visconde de Rio Branco, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Eusébio de Queiroz, Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, Cristiano Otoni, Castro Alves, e outros.


A Proclamação da República, também foi um empreendimento maçônico. O primeiro Ministério da República, sem exceção de um só ministro, era constituído por maçons - e, não foi um acaso, pois foi organizado por Quintino Bocaiúva, maçom, que havia sido Grão-Mestre.



Hipólito José da Costa:

O jornalista brasileiro,  Hipólito José da Costa (nasceu em 1774, em Sacramento, que na época pertencia a Portugal) teve papel decisivo durante os movimentos de libertação, na divulgação dos ideais republicanos e na representação da Maçonaria Brasileira na Inglaterra.

De Sacramento, a família de Hipólito mudou-se para Pelotas, RS. Ele concluiu seus primeiros estudos em Porto Alegre, e cursou em Portugal, a Faculdade de Direito de Coimbra. Formou-se bacharel em Direito na Universidade de Coimbra (formou-se em três cursos superiores: Filosofia aos vinte e dois anos; Direito aos vinte e três anos; e em Letras aos vinte e quatro anos), ingressando na Maçonaria nesse período.

Em 1798 Hipólito foi enviado aos Estados Unidos (Filadélfia) por D. Rodrigo De Souza Coutinho, Conde de Linhares e Ministro da rainha Dona Maria I, como Encarregado de Negócios de Portugal. Viveu nos EUA por dois anos e ingressou na Maçonaria Americana.

Em 1801 voltou a Portugal, onde foi nomeado Deputado Literário da Junta da Impressão Régia. No mesmo ano viajou a serviço da Coroa Portuguesa a Londres, oficialmente, para comprar obras para a Real Biblioteca e máquinas para a Imprensa Régia. Porém, secretamente, seu objetivo era estabelecer contatos entre as Lojas Maçônicas Portuguesas e o Grande Oriente em Londres.

Assim que retornou a Portugal, foi preso por ordem de Diogo Inácio de Pina Manique, sob a acusação de disseminar idéias maçônicas na Europa, o que era considerado uma heresia. Hipólito foi capturado pela Inquisição Portuguesa, e permaneceu encarcerado por três anos.

Em 1805, conseguiu fugir para a Espanha, com o auxílio de outros maçons. Da Espanha é conduzido à Londres, onde é protegido pelo também maçom, Duque de Sussex, filho do rei George III da Inglaterra. O Duque conseguiu sua naturalização como cidadão inglês, para evitar qualquer possível pedido de extradição pela Coroa Portuguesa. Em Londres é iniciado na Maçonaria Inglesa e casa-se com uma inglesa. De Londres, passou a editar o primeiro jornal brasileiro, o “Correio Brasiliense” ou “Armazém Literário”, que circulou de 1 de junho de 1808 a 1823 (vinte e nove edições). Hipólito defendia idéias liberais, e contribuiu para a emancipação do Brasil colonial, dando ampla cobertura à Revolução Pernambucana de 1817, à Revolução Liberal do Porto de 1820 e aos acontecimentos que conduziriam à Independência do Brasil.

Morreu em 1823, sem saber que fora nomeado cônsul do Império do Brasil em Londres. No Brasil é considerado o patrono da imprensa.



PROGRAMAÇÃO NEUROLINGÜÍSTICA (PNL) E MAÇONARIA:

Os conceitos fundamentais de antigos ensinamentos como Alquimia, Hermetismo, coincidem com a Doutrina Aristotélica de que todas as coisas tendem a alcançar a perfeição. E, a perfeição do interior, da própria alma, é o que almejam os obreiros maçons e praticantes da PNL.

A Maçonaria, além de preservar e ensinar conhecimentos esotéricos de várias civilizações do passado, sempre foi e será uma escola de formação humanística. O maçom, desde sua Iniciação, tem por objetivo, uma dupla finalidade: o aperfeiçoamento de si mesmo e a contribuição para a construção positiva da humanidade. Ao desenvolver-se o indivíduo, desenvolve-se o gênero humano.

A Maçonaria transforma o “bom” em “melhor”. Esse também é um dos Pressupostos da PNL - “As pessoas já possuem dentro de si todos os recursos necessários para realizar as mudanças desejadas” - já existe, interiormente, algo intrinsecamente “bom” (a Centelha Divina), apenas aguardando um “despertar”. Segundo Richard Bandler (co-criador da PNL), o ser humano pode ser o que escolher ser: “Para que ser você mesmo, se você pode ser alguém melhor?”.

A Luz Oculta existe em todos os homens - é preciso despertá-la, por esforço próprio e com ajuda de Mestres sábios e experientes. Assim, a Maçonaria inicia candidatos, visando o aperfeiçoamento pessoal e espiritual do indivíduo, porque a Luz está no coração do homem.

A PNL possui muitos conceitos que se entrelaçam com os da Maçonaria - e, a finalidade, de ambas, é uma só: o desenvolvimento, a evolução individual e coletiva.




1- Conceito, Origem e História:
- Conceito:

A Programação Neurolingüística (PNL) pode ser definida como um conjunto de técnicas que ensina a entender os processos internos das pessoas através da identificação dos padrões de linguagem verbal e não verbal. PNL é, basicamente, comunicação: do indivíduo consigo mesmo, com as outras pessoas e com os acontecimentos.

O nome “Programação Neurolingüística” vem de “Neuro”, referindo-se ao cérebro: aos processos neurológicos que permitem ver, ouvir, sentir, saborear e cheirar – os sentidos usados nos processos internos de pensamento, bem como para experimentar o mundo externo. Toda compreensão e o que descrevemos como consciência chega ao cérebro por meio dessas janelas neurais.

“Lingüística”, referindo-se à linguagem: linguagem que ocorre tanto na comunicação com os demais, como na maneira como são organizados os pensamentos. A PNL ensina a usar a linguagem do dia-a-dia para pensar eficientemente e para desenvolver um comportamento mais útil.

“Programação” é a instalação de um plano ou procedimento: refere-se à maneira como programar pensamentos e comportamentos.

PNL é o estudo de como a linguagem, tanto verbal quanto não verbal, afetam nosso sistema nervoso. É a ciência de como dirigir o cérebro de uma maneira favorável para conseguir os resultados desejados.

PNL é a ciência que estuda a maneira como são filtradas, através dos cinco sentidos, as experiências de cada um do mundo externo, e como esses mesmos sentidos internos são usados, com ou sem intenção, para conseguir os objetivos almejados.

Neurolingüística é uma ciência que estuda o funcionamento do cérebro humano. A Neurolingüística parte do princípio que o cérebro humano tem linguagens próprias e, precisa de comandos adequados para funcionar bem, isto é, conseguir alcançar os resultados desejados de uma forma positiva.

A PNL, ensinando a usar eficientemente a linguagem verbal (interna e externa) e a linguagem corporal, utiliza técnicas e procedimentos que, vão auxiliar as pessoas a atingir mais rapidamente seus objetivos, que podem ser os mais variados como: melhorar a saúde (física, mental e emocional), comunicar-se eficazmente (no trabalho, na família), livrar-se de comportamentos indesejados (álcool, tabaco, drogas, depressão, fobia, estresse, medos, compulsões), motivação no trabalho, etc.

É uma tecnologia que produz mudanças profundas num curto tempo de intervenção. A PNL produz resultados e os mantém, melhorando a qualidade de vida de quem a utiliza.

A PNL é a arte e a ciência da excelência pessoal. Arte, porque a maneira de pensar e agir é específica em cada um, e qualquer descrição (sentimentos, atitudes, crenças, etc.), será sempre subjetiva. É também ciência, embora ainda embrionária, porque incorpora métodos bem pesquisados que podem ser usados para identificar padrões do comportamento bem sucedido.

A Maçonaria considera o neófito uma pedra bruta. À medida que ele vai assimilando os ensinamentos e vivenciando-os, a pedra bruta vai tornando-se polida. O maçom pratica a arte de construir a si mesmo. Um dos objetivos do maçom é sua própria evolução, que simbolicamente, significa construir um templo em seu “interior”. A PNL pode ser um caminho para o maçom, na senda do autoconhecimento.

-Origem e História:

A PNL foi iniciada no começo da década de setenta (1973), por dois norte-americanos: John Grinder (1940) e Richard Bandler (1950). Grinder é lingüista, um dos mais proeminentes do mundo e Bandler é matemático e perito em computadores. Os dois perceberam que, algumas pessoas, alcançavam pleno êxito em seus campos de atuação e outras não. Decidiram juntar seus talentos numa tarefa: “copiar” as pessoas que fossem as melhores em seus respectivos ramos e, depois, “instalar” essa excelência em outros seres humanos. Estudar como indivíduos vitoriosos em diferentes campos de atividade obtêm resultados excelentes, e como seus pensamentos e comportamentos são reproduzidos.

Grinder e Bandler estudaram os métodos de quatro destacados cientistas que, invariavelmente, conseguiam produzir mudanças notáveis no comportamento humano:
- Dr. Milton Erickson (1901-1980): de Phoenix, Arizona (EUA) – psiquiatra, um dos maiores hipnoterapeutas que já existiu (Apêndice 2);

- Drª. Virginia Satir (1916-1989): uma extraordinária terapeuta de família, americana: “Tento ajudar as pessoas... a experimentar a conexão com a sua espiritualidade, levando-as a entrar em contato com a sua ternura e com a sua força. Para tanto... precisamos entender que nascemos para evoluir... É um crescimento - e não há por que ter medo. Já ouvimos essa mensagem antes. É sobre isto que falavam Jesus, Buda e tantos outros. Mas, no passado, a maioria das pessoas... dizia: Eles estão acima de nós, eles são divinos... somos apenas humanos, portanto não podemos estabelecer a mesma conexão. Mas agora, começamos a perceber que podemos.”;

- Dr. Gregory Bateson (1904-1980): antropólogo britânico (famoso por seus estudos com golfinhos) e por ter desenvolvido a Teoria do Duplo Vínculo no estudo da esquizofrenia;

- Dr. Fritz Perls (1893-1970): psiquiatra alemão, criador da Gestalt Terapia. Gestalt Terapia é uma terapia experiencial e do presente, fundada por ele e Laura Perls na década de 1940. Ela ensina a terapeutas e pacientes o método experiencial da “awareness”, no qual perceber, sentir e agir são distintos da interpretação e das atitudes evasivas preexistentes. A ênfase está em observar, descrever e explicar a estrutura exata do que está sendo experienciado no aqui e agora.

Esses profissionais usavam seus métodos e, se técnicas existem, elas podem ser estudadas, codificadas e ensinadas. Utilizando os padrões fundamentais que copiaram desses quatro mestres, Grinder e Bandler começaram a criar seus próprios padrões e a ensiná-los também. Esses padrões são conhecidos como PNL.

A história da PNL é uma história curiosa, que resultou em uma mudança de paradigmas. No início dos anos 70, o futuro co-criador da PNL, Richard Bandler, estudava matemática na Universidade da Califórnia (Santa Bárbara), em Santa Cruz. Richard Bandler veio de um gueto pobre da cidade de San José, judeu de origem miserável, perdeu parte dos seus intestinos e tem várias marcas de facadas, resultado das brigas de rua que travava diariamente. No princípio, ele passava a maior parte do seu tempo estudando computação. Inspirado por um amigo de família que conhecia vários dos terapeutas inovadores da época ele resolveu estudá-los. Após estudar cuidadosamente alguns desses famosos terapeutas, Richard descobriu que, repetindo totalmente os padrões pessoais de comportamentos deles, poderia conseguir resultados positivos similares com outras pessoas. Essa descoberta se tornou base para a abordagem inicial da PNL conhecida como Modelagem de Excelência Humana. Bandler dizia que a matemática é uma linguagem que se expressa através de fórmulas numéricas e que obedece a algumas regras, e essas regras quando alteradas, produzem resultados diferentes. Bandler imaginou, que a linguagem das palavras também obedecia a certas regras, que se mudadas, poderiam acarretar mudanças no comportamento humano. O comportamento humano, para Bandler, é um resultado do fenômeno lingüístico no cérebro humano.

Depois, ele encontrou o outro co-criador da PNL, o Dr. John Grinder, professor adjunto de Lingüística da Universidade da Califórnia. A carreira de John Grinder era tão singular quanto a de Richard. Sua capacidade para aprender línguas rapidamente, adquirir sotaques e assimilar comportamentos tinha sido aprimorada na Força Especial do Exército Americano na Europa nos anos 60 e também depois, quando membro dos Serviços de Inteligência Americanos em operação na Europa. Grinder como agente do Serviço Secreto das Forças Armadas Americanas viajou pelo mundo atuando com vários disfarces, sua especialidade. Grinder era capaz de disfarçar-se em quem ele quisesse. Fala várias línguas (mais de quinze) e conseguia observar detalhes do comportamento das pessoas e imitá-las com perfeição. O interesse de John pela psicologia alinhava-se com o objetivo básico da Lingüística – revelar a gramática oculta de pensamento e ação. Descobrindo a semelhança de seus interesses, eles decidiram combinar os respectivos conhecimentos de Computação e Lingüística, junto com a habilidade para copiar comportamentos não-verbais, com o intuito de desenvolver uma “linguagem de mudança”.

No começo, nas noites de terça-feira, Richard Bandler conduzia um grupo de Terapia Gestalt formado por estudantes e membros da comunidade local. Ele usava como modelo o seu fundador iconoclasta, o psiquiatra alemão Fritz Perls. Para imitar o Dr. Perls, Richard chegou a deixar crescer a barba, fumar um cigarro atrás do outro e falar inglês com sotaque alemão. Nas noites de quinta-feira, Grinder conduzia outro grupo usando os modelos verbais e não-verbais do Dr. Perls que vira e ouvira Richard usar na terça. Sistematicamente, eles começaram a omitir o que achavam comportamentos irrelevantes (o sotaque alemão, o hábito de fumar) até descobrirem a essência das técnicas de Perls – o que fazia Perls ser diferente e mais eficaz que outros terapeutas. Haviam iniciado a disciplina de Modelagem da Excelência Humana. Encorajados por seus sucessos, eles passaram a estudar uma das grandes iniciadoras da terapia de família, a Drª. Virginia Satir, e o filósofo inovador, pensador de sistemas (Teoria Sistêmica) e antropólogo, Gregory Bateson. Richard reuniu suas constatações originais na sua tese de mestrado, publicada mais tarde como o primeiro volume do livro “The Structure of Magic”. Grinder e Bandler tinham se tornado uma equipe, e continuaram suas pesquisas com determinação. O que diferenciava seu trabalho do de muitas escolas de pensamento psicológico, ditas “alternativas”, cada vez mais numerosas na Califórnia naquela época, era a busca da essência da mudança. Quando Grinder e Bandler começaram a estudar pessoas com dificuldades variadas, observaram que todas que sofriam de fobias pensavam no objeto de seu medo como se estivessem passando por aquela experiência no momento. Quando estudaram pessoas que já haviam se libertado de fobias, perceberam que todas elas pensavam nesta experiência de medo como se a estivessem vendo acontecer com outra pessoa – semelhante a observar um parque de diversões à distância. Com esta descoberta simples, mas profunda, Grinder e Bandler começaram a ensinar sistematicamente pessoas fóbicas a experimentarem seus medos, como se estivessem observando suas fobias acontecerem com outra pessoa à distância. As sensações fóbicas desapareciam instantaneamente. Uma descoberta fundamental da PNL havia sido feita. Como as pessoas pensam a respeito de uma coisa faz uma diferença enorme na maneira como elas irão vivenciá-la. Grinder e Bandler, ao buscarem a essência da mudança nos melhores mestres que pesquisaram, questionaram o que mudar primeiro, o que era mais importante mudar, e por onde seria mais importante começar. Por sua habilidade e crescente reputação, rapidamente conseguiram o número do telefone do Dr. Milton H. Erickson, M.D., fundador da “Sociedade Americana de Hipnose Clínica”, e amplamente reconhecido como o mais notável médico psiquiatra e hipnoterapeuta do mundo.



O Dr. Erickson era uma pessoa tão excêntrica quanto Grinder e Bandler. Jovem e robusto fazendeiro de Wisconsin, na década de 20, foi atacado pela poliomielite aos dezoito anos. Incapaz de respirar sozinho, ele passou mais de um ano deitado dentro de um pulmão de aço na cozinha de sua casa. Embora para qualquer um, isso pudesse ter significado uma sentença de prisão, Erickson era fascinado pelo comportamento humano e se distraía observando como a família e os amigos reagiam uns aos outros, consciente e inconscientemente. Ele construía comentários que provocavam respostas imediatas ou retardadas nas pessoas a sua volta, aprimorando a sua capacidade de observação e de linguagem. Recuperando-se o suficiente para sair do pulmão de aço, ele reaprendeu a andar sozinho observando sua irmãzinha dar os primeiros passos. Embora continuasse precisando de muletas, participou de uma corrida de canoagem antes de partir para a faculdade, onde acabou se formando em Medicina e depois em Psicologia. Suas experiências e provações pessoais anteriores o deixaram muito sensível à sutil influência da linguagem e do comportamento. Ainda estudando medicina, começou a se interessar muito por hipnose, indo mais além da simples observação de pêndulos e das monótonas sugestões de sonolência. Ele observou que seus pacientes, ao se lembrarem de certos pensamentos ou sensações, entravam naturalmente em um breve estado semelhante a um transe e que esses pensamentos e sensações poderiam ser usados para induzir estados hipnóticos. Mais velho, ele se tornou conhecido como o mestre da hipnose indireta, um homem que podia induzir um transe profundo apenas contando histórias.



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