Gêmeas psicografia Mônica de Castro espírito Leonel



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Publicado porkerlannyaraujosousa1995
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― Não estou presa? 

―  Não.  Vou  dar  um  jeito  e  evitar  manchar  a  sua  ficha 

policial.  Mas  só  desta  vez.  Da  próxima,  terei  que  fichá-la. 

Entendeu? 

Suzane  nunca  se  sentira  tão  humilhada  em  toda  a  sua 

vida.  Com  o  rosto  banhado  em  lágrimas  e  a  voz  embargada, 

apanhou  suas  coisas e  saiu.  Quando  chegou  a  casa,  encontrou 

Marilda à espera, morrendo de preocupação com sua demora. 

―  Graças  a  Deus!  ―  exclamou  ela.  ―  Depois  do  que 

aconteceu com seus pais, qualquer atraso me preocupa. 

Suzane atirou-se em seus braços, chorando copiosamente. 

― O que foi que aconteceu, Suzane? ― alarmou-se a criada. 

―  Ah!  Marilda,  você  nem  imagina.  Não  sou  quem  pensava 

que fosse... 

Ante o olhar de espanto de Marilda, Suzane contou tudo o 

que  acontecera  nas  últimas  horas:  a  perda  da  ação  e  a  ida  à 

casa  de  Cosme,  onde  descobrira  que  não  era  filha  legítima  de 

Marcos e Elza. Marilda ficou bestificada. Não sabia o que dizer. 

―  Vou  ter  que  mandar  você  embora  ―  prosseguiu  Suzane. 

― E nem tenho dinheiro para lhe pagar. 

Ela chorava descontrolada, e Marilda tentou confortá-la: 

― Não fique assim, menina. Vamos dar um jeito. 

― Não tem mais jeito. Até a polícia está contra mim. 

― Se você tem que sair, então saia. Não espere que venham 

humilhá-la novamente. 

― Para onde é que eu vou? Para onde é que nós vamos? 

―  Bom,  eu  vou  morar  com  o  meu  filho.  E  você  pode  ir 

comigo, se quiser. 




―  Obrigada,  Marilda,  mas  não  posso  ―  rebateu  Suzane 

emocionada.  ―  Não  posso  ser um peso  para  o  seu  filho.  A  casa 

dele é pequena e mal tem espaço para você. Que dirá para mim. 

― Mas eu me preocupo com você. 

―  Não  precisa.  Tenho  algumas  jóias  e  o  carro,  que  vou 

vender.  Com  o  dinheiro,  dá  para  ir  me  arranjando  até  arrumar 

um emprego. 

― E onde é que você vai morar enquanto isso? 

― Vou pensar em alguma coisa. 

As  duas  se  abraçaram  chorando.  No  dia  seguinte,  Suzane 

ligou  para  Inês,  e  os  pais  concordaram  em  acolhê-la  em  sua 

casa.  Vendeu  o  carro  e  as  jóias.  Com  o  dinheiro,  pagou  uma 

indenização a Marilda e se mudou para a casa de Inês. Foi muito 

bem  recebida,  mas  não  podia  ficar  para  sempre  morando  na 

casa da amiga; não era correto viver às custas dos seus pais. Era 

preciso  arranjar  um  emprego.  Todavia,  Suzane  não  sabia  fazer 

nada.  Estava  se  preparando  para  prestar  o  exame  vestibular, 

contudo,  com  a  morte  dos  pais,  os  estudos  ficaram  de  lado  e, 

após  o  conflito  com  o  tio,  completamente  esquecidos.  O  ano 

passou, e o sonho de cursar uma universidade ruiu junto com o 

resto de sua vida. 

Todos os dias, Suzane procurava alguma coisa nos jornais, 

mas  não  conseguia  encontrar  nada  que  lhe  agradasse.  Os 

empregos lhe pareciam medíocres, e os salários, insignificantes. 

―  Não  precisa  se  preocupar  em  procurar  emprego  ―  dizia 

Inês. ― Meus pais não estão lhe cobrando nada. 

― Sei disso. Mas não é por eles. É por mim. Preciso ganhar 

dinheiro para me vingar de tio Cosme. 

―  Isso  é  tolice.  Seu  tio  é  muito  rico  e,  por  mais  que  você 

faça, nada poderá contra ele. 

― É o que vamos ver. 



―  Esqueça  isso,  Suzane.  O  mais  importante  é  viver  a  sua 

vida. 


― Que vida? Ele me tomou tudo. Minha casa, meu dinheiro 

e, acima de tudo, meus próprios pais. 

―  Não  é  verdade.  Adotiva  ou  não,  seus  pais  sempre 

amaram você. 

― Não é fácil, Inês. Ainda mais do jeito como eu descobri. 

―  E,  isso  foi  complicado.  Mas  você  não  pode  se  deixar 

abater. 

―  Perdi  meus  pais  duas  vezes:  quando  nasci  e  agora.  Por 

que será que a vida insiste em me deixar órfã? 

A pergunta ficou martelando na cabeça de Suzane. Parecia 

até ironia do destino ou maldade de Deus, mas uma voz interior 

lhe  dizia  que  o  destino  não  costumava  ser  irônico,  e  que  Deus 

jamais  obraria  maldades.  Então,  por  que  aquilo  tudo  acontecia 

com ela? E qual seria o melhor caminho a percorrer? 

Naquela  noite,  ao  dormir,  Suzane sonhou  com um homem 

que  jamais  havia  visto  antes.  Ele  parecia  um  roceiro  e  se 

aproximou lentamente. 

―  Quem  é  você?  ―  perguntou  ela,  sentindo  estranha 

simpatia pelo desconhecido. 

― Alguém que só quer o seu bem ― respondeu ele em tom 

carinhoso. 

― Será que isso é possível? 

―  Tudo  é  possível.  Sei  que  você  está  se  sentindo 

desamparada, mas há muitos amigos aqui que se interessam por 

você. 

― Aqui onde? 



― Aqui, no mundo astral, onde você está agora. 


― Que mundo é esse? 

―  É  o  mundo  do  sono  e  dos  mortos.  Ou  melhor, 

desencarnados.  Quando  alguém  está  fisicamente  morto  e  outro 

alguém está sonhando, podem se encontrar no astral. 

― Sei que estou sonhando. E você? Está morto? 

―  Da  forma como  você compreende  a morte,  sim. Todavia, 

na verdade, estou mais vivo do que nunca nesse plano que você 

agora vivência. 

― Se estou entendendo bem, você é um espírito? 

― Sim. 


― E eu, o que sou? 

― Também um espírito, só que encarnado. Ambos estamos 

nos  comunicando  através  de  nossos  corpos  astrais.  O  seu  está 

ainda ligado ao corpo físico por esse tênue cordão de prata ― ele 

apontou  para  o  cordão  que  unia  os  corpos  físico  e  astral  de 

Suzane.  ―  E  eu,  como  não  tenho  mais  cordão  algum,  estou 

desencarnado. Não possuo mais um corpo físico. 

― Por que está me dizendo tudo isso? 

― Estou apenas esclarecendo as suas dúvidas. 

― Quem é você? 

― Pode me chamar de Roberval. 

― Eu o conheço de algum lugar? 

―  Isso  não  importa  agora.  O  importante  é  que  estou  aqui 

para ajudá-la. 

― Como? Sinto que posso confiar em você, mas que tipo de 

ajuda pode me oferecer? 

― Você está perdida com tudo o que vem lhe acontecendo. 

Entretanto, é necessário que saia de Brasília. 





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