Encarando vita de João Bielh



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Encarando VITA de João Biehl. Vita.

Gonzalo Díaz Crovetto70


1. Vita e Caterina, Caterina e Vita

O texto Vita percorre dois caminhos: por um lado, encontra-se o centro Vita, espaço marginal de abandono social para pessoas com diferentes tipos de doenças não tratadas pelo sistema público de internação medica; por outro, a história de vida de Catarina, uma das pacientes internadas no centro71. Nesse sentido, a obra de Biehl nos faz pensar também em obras como Tuhami, de Crapanzano (1985), onde, tal como em Vita, há uma historia de vida central, além da do próprio antropólogo. Mas, que é Vita e quem é Catarina? As respostas a estas perguntas chamam a atenção para a estrutura que Biehl escolheu para o seu texto etnográfico. Trata-se de uma lógica do descobrimento. O leitor, em conjunto com Biehl e sua experiência de campo, vai descobrindo, e por que não, vivendo, os passos da pesquisa, porém, numa ficção temporal apresentada nas margens da escrita etnográfica – quer dizer, de um presente onde os diversos passos são conhecidos.

A escolha de Biehl em conhecer melhor Catarina e o que ela e sua vida podiam lhe dizer, por meio de idas e voltas constantes à Vita marcadas por largos encontros com ela e com os diários que ela escrevia, levou-o a percorrer um caminho que foi além das falas e memórias. Ele escolheu, à diferença de Crapanzano, seguir as palavras de Catarina. Buscou seus arquivos médicos e de sua extensa família, para logo reler os próprios diários dela, querendo compreender uma doença não tratada e menos ainda classificada. Mostra, portanto, que engajamento pode ser também uma forma de conhecimento, incorporando nesse transcurso uma multiplicidade de vozes72 - num claro processo dialógico. Cabe destacar que tal trilha de conhecimento centra-se no processo contínuo de contato entre Biehl e Catarina.
2. A corporificação de/em Catarina (The embodiment)
To want my body / As a medication / My body

(Diários de Catarina, Livro II)



Esquizofrenia, psicose pós-parto, psicose psicogenética, psicoses sem especificação, desordem de humor, depressão, entre outras, foram enfermidades as quais Catarina não só foi diagnosticada, senão ainda, medicada e tratada, tornando-se rotina tal processo nas diferentes internações73, nos diversos centros psiquiátricos. Medicações que podiam causar os mais diferentes sintomas por trás daqueles estados, medicações não discriminadas, generalizadas; com as quais se adoece e/ou se é enquadrado num ser farmacológico (p. 199) depois de largos e inusuais períodos de prova e de bruscas alternâncias de receitas. Ou, pior ainda: a reação frente ao tratamento levaria à confirmação dos sintomas (p. 128). Nesse processo, ouvir a voz do paciente não existiria sequer como possibilidade74. Catarina entra na estigmatização identitária de ruim (p. 124), não sendo nunca tratada, menos ainda inquirida sobre sua doença. Etnograficamente, o trajeto de Biehl apresenta-se como um desafio que foi capaz de entrever estas diferentes relações, atores e marcos de história e de memória, sem perder a voz e vivência de Catarina e, ainda, incorporar as falas dos outros atores envolvidos, numa interessante proposta dialógica. Há uma escolha pela visibilidade antes de mais nada, uma visibilidade-denúncia. Antropologicamente, as riquezas destas relações, como conceitualização, problematização e teorização não foram ainda profundamente abordadas ou confrontadas. O autor se apóia nos trabalhos de Veena Das para elaborar a idéia de corporificação de diferentes processos políticos em Catarina, mas também de como a dor e a emoção podem falar, permitindo, ao mesmo tempo, distinguir as diferentes relações e interligações entre espaços (locais, estaduais, nacionais), políticas, instituições e atores. Por outro lado, a releitura da idéia de pharmakos, de um moderno pharmakos, teria para Biehl a possibilidade de ilustrar como operaria, nas formas de exclusão, uma conjunção, implícita ou não, de instituições e moralidades na sociedade e na cultura. Nesta dramaturgia do real são utilizadas formas legítimas para distanciar as pessoas, confinando-as para uma morte social e transformando-as, consequentemente, em ex-humanos. Por último, o outro conceito que pretendeu transcender a obra transversalmente é o de psicosis social. Biehl aborda a doença vivenciada por Catarina - e pelo seu grupo familiar - ligada a um diagnóstico obtido a partir da conjunção de forças sociais, econômicas e políticas (p. 316), caracterizando uma doença que é imposta. O grande problema do autor é conseguir uma amarração conceitual, tornando-se difícil compatibilizar a proposta de apresentar uma etnografia do descobrimento, na medida em que aparecem, no decorrer do texto, novos elementos que podem ser olhados sob outro prisma. Em relação ao problema do ensamble, a constante repetição de personagens e suas posições na historia de Vita e Catarina aborrece. O autor bem poderia ter colocado um quadro de parentesco para facilitar a sua narrativa.

Os arquivos médicos, e consequentemente a corporificação de doenças por Catarina, apresentam-nos diferentes momentos, formas de políticas e lutas, que deambulam entre diagnosticar75, medicar e tratar os pacientes. Tem-se um marco histórico da própria psiquiatria e dos movimentos sociais para uma mudança das políticas nacionais e estaduais. No plano temporal, apreciamos a incorporação massiva dos pacientes nos institutos psiquiátricos para sua posterior expulsão a formas alternativas de cuidado, sem que existisse estrutura nas comunidades para receber de volta as pessoas, proliferando-se, assim, instituições como Vita (p. 138-139). Nesse sentido, radica a força da procura etnográfica de Biehl na literalidade e o dia-a-dia deste processo, na qual se geram novas formas de exclusão que determinam o curso de vidas, como de Catarina (p. 145).


3. A condenação a uma morte social subjetivizada

Vita, a estação final de uma longa trajetória de saída de casa para Catarina, representa a conjuntura de um processo de inclusão e exclusão social. A trajetória etnográfica de Biehl nos permite adentrar em Vita nas condições de um abandono, de um pária ou de um condenado. A categoria animal estaria entre elas na medida em que pode ser a negação da humanidade. Diante disto, o autor afirma que Vita is the world for a life that is socially dead, a destiny of death that is collective (p. 40). Porém, a própria condição de ter um espaço onde morrer geraria o paradoxo de dar um tipo de personhood aos reclusos. Os livros que Catarina escreve, seus diários - lembrando que Biehl fomentou a sua continuidade - permitiriam-lhe manter, de alguma forma, ligações com um mundo exterior, e Biehl transformou-se em um grande canalizador disto.

O trabalho de Biehl, ao contrapor diferentes vozes, parece o trabalho de um perito na procura de uma verdade que nunca pode existir além das próprias subjetividades que ele mesmo propõe. A questão do engajamento tem sido sempre um tema difícil e polêmico na antropologia. Além disso, o texto apresenta uma carga emotiva, uma retórica plasmada de uma vivência e experiência que nos transpassam a dor, transformando-se numa etnografia difícil de ser lida. A escolha por seguir a trajetória da conjunção das práticas e dos discursos por trás dos diferentes atores envolvidos, e ainda, o engajamento de ir além desta trajetória para finalizar no descobrimento da enfermidade de Catarina76, um tipo especifico de Ataxia, a enfermidade Machado-Joseph, que é um sistema múltiplo de degeneração do sistema nervoso central (p. 297), levam-nos a perguntar sobre os diferentes limites de nossa experiência antropológica. Assim Ethnography became a missing nexus between the real Catarina’s body and the imaginary of its mental and relational schemes, between the abandoned and the family, the house and the city, individuals and population in Vita (p. 318).

Em Tuhami (1985) e Vita (2005), e por que não também em Reflections on a Fieldwork in Morocco (1975), de Paul Rabinow, podemos apreciar semelhanças, apesar da diferença temporal, espacial e de estilos nas narrativas. Semelhanças que residem na transposição do sentimento do etnógrafo, mais que em suas impressões. Porém, todas estas obras são marginais das obras relativas à pesquisa que se estava efetuando. Cabe perguntar-se, então, se é na marginalidade que o antropólogo encontra sua ousadia de abordagens e de temáticas.


Bibliografia
BASAGLIA et all. Razón, locura y sociedad. México: Siglo XX Editores, 1975.

BIEHL, João. Vita. life in a zone of social abandonment. Berkeley: University of California Press, 2005.

CRAPANZANO, Vincent. Tuhami. Portrait of a Moroccan. Chicago: University of Chicago Press, 1985.

RABINOW, Paul. Reflections on Fieldwork in Morocco. Berkeley: University of California Press, 1977.



CARDOSO, Clodoaldo Meneguello. Tolerância e seus limites: um olhar latino-americano sobre diversidade e desigualdade. São Paulo: UNESP, 2003.
Juliana Amoretti77
O autor trabalha o conceito da tolerância enquanto um produto do pensamento moderno em resposta a situações históricas de intolerância, e mostra um caminho para pensar a educação. Critica a racionalidade iluminista ocidental e a universalidade eurocêntrica que vê as demais culturas como subculturas em estágios inferiores, um paradigma que garante unidade e identidade à cultura ocidental. Esse paradigma estaria fundado em dois pilares: um econômico e outro filosófico. Sobre a unidade econômica, Cardoso afirma que

O processo de mundialização do sistema capitalista, tendo seu epicentro na Europa, garantiu a unidade ideológica. Daí porque a história oficial identifica-se com a própria história da civilização do homem europeu (p.13).


Para discutir a unidade filosófica, o autor retoma Heidegger, o pensamento metafísico e o princípio da identidade. A identidade aparece no pensamento ocidental fundando o ideal de unidade. “Daí porque, para a metafísica a verdade é universal, una e idêntica a si mesma” (p.16).

Frente à incompletude do projeto educacional da tradição racionalista, voltado para a convivência com o idêntico, a verdade universal e a utopia comum, o autor sugere a necessidade de uma educação que valorize uma ética voltada para a convivência democrática, com respeito à diversidade e à tolerância. O sentido da tolerância deverá emergir da tensão entre identidade e diversidade passando pelo debate sobre desigualdades sociais.

O autor desenvolve o seu texto fazendo, primeiramente, uma recuperação dos sentidos da tolerância no pensamento iluminista, pela revisão dos textos de Locke, Voltaire e Stuart Mill. Em seguida, busca mostrar ambigüidades entre emancipação e dominação quando, no conceito burguês de tolerância, nutrido pelo pensamento liberal, revela-se historicamente em formas de intolerância. No terceiro capítulo mostra o esforço de organismos internacionais, como a UNESCO, para expandir nos povos a consciência de tolerância, sob um enfoque culturalista, com um sentido novo no pensamento neoliberal em relação à modernidade: o respeito à diversidade cultural. Finalmente, remonta a discussão teórica produzida por ocasião do “Encontro pela tolerância na América Latina e Caribe”, ocorrido no Rio de Janeiro em 1994.

Entre os participantes do citado encontro estavam Paulo Freire (Br), Enrique Dussel (Ar/Mx), Leopoldo Zéa (Mx), Adriano Burgos (Pa), Juan Rivera Palomino (Pe), Maria Pietro (Cu), Sebastião Urrejola (Ch), Carlos Soukiassian (Ar). O resultado do evento fortalece a idéia de que a cultura da tolerância na América Latina e Caribe implica satisfação de necessidades fundamentais da maioria de excluídos pelas desigualdades sócio-econômicas e solução da fome, miséria e marginalização.

A tolerância enquanto reconhecimento da diversidade cultural contrapõe-se à hegemonia de qualquer cultura que domina e marginaliza as demais. Portanto, a tolerância tem limites claros. Não se pode tolerar a intolerância nas relações de exploração entre povos, classes ou grupos sociais. Sem limites a tolerância seria sua própria negação (p.20).

A contradição ao valor “tolerância”, construído sob o signo da ideologia liberal e da filosofia racionalista, está na Razão contendo pólos opostos, como emancipação e despotismo. A razão, a partir da perspectiva iluminista e moderna, emancipa o ser humano; tira o sujeito das trevas levando a ele o conhecimento, a verdade e a iluminação. Isso é analisado através de textos filosóficos. Em Sócrates e Platão o autor reconhece o nascimento da razão ocidental e de seu projeto político. Com Descartes a razão moderna assume função unificadora. A emancipação incluindo seu sentido político é tema do estudo de Kant, que harmoniza a necessidade de ordem civil e o ideal de liberdade da sociedade iluminista. Hegel mostra em momentos dialéticos que quanto maior a racionalidade maior a liberdade do espírito humano.

Nesse percurso filosófico de Platão a Hegel, o autor justifica a importância que a “razão” assumiu na cultura ocidental-européia enquanto causa, instrumento e fim do processo civilizatório. No interior do próprio projeto de emancipação, a razão que liberta o homem gera também sua dominação. A Escola de Frankfurt é apresentada como espaço de crítica ao projeto civilizatório moderno, com referência às obras de Adorno, Horkheimer e Marcuse, que formulam a Teoria Crítica, denunciando a razão instrumental e apontando os perigos do relativismo.

Segundo o autor, a razão iluminista reflete e nutre a ideologia liberal burguesa para a qual a emancipação do indivíduo depende da capacidade de possuir bens. Parte da ideologia liberal não estabelece vínculo entre diversidade cultural e desigualdade social. Assim, ao definir teoricamente a tolerância em relação à diversidade cultural, justifica na prática, a perpetuação da realidade injusta entre classes sociais, povos, nações e regiões ricas e pobres.

O autor, então, apresenta o debate atual sobre tolerância a partir do estudo de Conferências regionais e do Encontro pela tolerância na América Latina e Caribe, realizada no Rio de Janeiro (1994), sintetizando os princípios de tolerância vinculados ao Estado de Direito, à democracia e à liberdade.

Ao discutir um novo princípio para a tolerância, o autor afirma que há uma linha ideológica implícita em cada conceito de tolerância, sendo que no encontro ocorrido no Rio de Janeiro o conceito assumiu uma atitude inovadora e revolucionária afastando-se da visão de tolerância paternalista.

É a tolerância que se conquista por meio de um diálogo tenso e dramático consigo mesmo e com os outros, estimulado pela educação e garantido por atitudes políticas concretas de superação das desigualdades sociais. É a tolerância que leva em consideração não apenas os direitos humanos civis, políticos e culturais, fundados na liberdade de expressão, mas os socioeconômicos que expressam a dignidade humana pelo princípio da igualdade (p.146).

O trabalho é interessante, mas alguns pontos podem e devem ser criticados. Na introdução de seu livro, o autor marca a diferença entre multiculturalismo liberal e multiculturalismo crítico, contudo, conforta-se com uma conclusão simplificada extraída do Encontro em 1994. Pontua a importância de se pensar a diversidade e a desigualdade, mas o tema é tolerância na América Latina e Caribe.

Na ampla discussão filosófica apresentada, certamente faltaram referências a Karl Marx. A compreensão marxiana sobre as relações sociais na sociedade capitalista tem contribuições fundamentais para pensar o tema da desigualdade social e de uma série de contradições da realidade atual.

Outro aspecto que o autor poderia ter incluído em sua reflexão seria uma descrição mais ampla do momento histórico em que ocorreu o Encontro pela tolerância na América Latina e Caribe e a importância política e ideológica do encontro. O foco dado ao conteúdo do debate, no âmbito internacional, deixou de fora importantes considerações para refletir a questão da tolerância. Por exemplo, o evento foi realizado em 1994 e 1995, tendo como patrocinantes a UNESCO e a ONU. Justamente neste período estava entrando em vigor o Tratado de Livre Comércio entre as Américas – NAFTA. No México, o levante Zapatista insurgia contra o tratado em um movimento que fortalecia a identidade das minorias indígenas, dos violentados e dos explorados em geral. No Brasil, a igreja católica inicia os protestos do Grito dos Excluídos, questionando a comemoração da independência em um país que há 500 anos é dependente economicamente e politicamente, estabelecendo um cenário de desemprego, analfabetismo e miséria.

Há limites no processo de pensar conceitos como tolerância e multiculturalismo que estão dados pela materialidade da vida social. A defesa da diferença pode transformar-se num processo frágil e tímido se não questiona a ordem de um sistema que é capaz, por exemplo, de reconhecer autonomia jurídica aos povos indígenas, mas incapaz de proporcionar-lhes condições razoáveis de reprodução da vida social. Nesse sentido, para superar os limites do conceito, falar em desigualdade pode ser apenas um começo.


Masculinidades e feminilidades no mundo empresarial. A riqueza da análise antropológica de gênero e parentesco no livro “Jóias de Família”.
Moisés Lopes78

Uma das lições mais básicas, e que inclusive pode definir de maneira sintética, como se processa o trabalho do antropólogo foi desenvolvida por Roberto Da Mata em seu texto (1978) “O ofício de etnólogo, ou como ter ‘Anthropological Blues’”. Nele, o autor aponta que a dupla tarefa do etnólogo consiste em: 1. transformar o exótico em familiar; 2. transformar o familiar em exótico. Se o primeiro movimento estava presente desde a origem da disciplina, o segundo emerge quando passamos a eleger nossa própria sociedade como objeto de pesquisa antropológica.

O livro “Jóias de Família”, de Adriana Piscitelli, pode ser enquadrado no segundo momento: um esforço antropológico para a compreensão de nossa própria sociedade, um esforço para tornar estranho o familiar. Essa é uma das primeiras lições – e, talvez a mais importante – da antropologia, o estranhamento. Nesse caso específico, implicou lidar com um forçoso desligamento emocional e um necessário questionamento crítico das categorias regentes de nosso mundo, que é também o da antropóloga. Isso é mais imperioso ainda quando o tema a ser tratado é a relação entre gênero e parentesco, afinal de contas são temas que nos atravessam em todos os sentidos e de muitos e diversos modos.

Claramente influenciada pela obra de Marilyn Strathern, especialmente pelo livro “The gender of the gift”, de onde retira o conceito de gênero para sua análise, Piscitelli busca aprofundar o diálogo entre gênero, partindo de leituras feministas, e teoria antropológica. Esse diálogo já havia sido formulado no livro de Strathern. A autora, através de uma análise que retoma e discute estudos sobre parentesco e gênero desenvolvidos na Melanésia, enfoca três relações básicas: a relação antropologia/feminismo, onde critica as representações produzidas nas sociedades ocidentais que se distanciam das categorias nativas; a relação dádiva/mercadoria: se a troca de dons estabelece uma relação entre sujeitos trocáveis, a troca de mercadorias está fundamentada em uma troca de objetos trocáveis; e a relação nós/eles: as duas anteriores estão imersas, e dizem respeito a uma diferença marcante entre nossos modos de socialidade e os deles.

Piscitelli, por desenvolver um estudo em nossa sociedade, não precisa lidar com muitos desses problemas e dualidades. No entanto, mostra como, mesmo na nossa sociedade, estudiosos que acreditaram “dominar a lógica” de representação do gênero e do parentesco acabaram caindo na armadilha de não estranhar o familiar: quando imersos em um imaginário de naturalidade e neutralidade acabaram não se dando conta de que essas representações têm uma história, trazendo em si elementos de construções sócio-culturais. Mais do que isso, podemos não nos dar conta de que mesmo os elementos considerados mais “neutros”, como o corpo, não são tão indiferentes assim. A autora de “Jóias de Família” mostra, inclusive, as descrições dos pioneiros como seres hercúleos que marcam descontinuidades representando o caráter distintivo do gênero (especialmente, da masculinidade) constituído pouco a pouco em seus corpos. Essas distinções são vistas como demarcaçoes da personalidade presentes nos estilos de masculinidades mais valorizados: a “força dinâmica do fundador”, a iniciativa e a coragem que se materializam no “físico robusto” do empreendedor.

No entanto, há também descontinuidades. (Não seria: “continuidades”?) Esses mesmos empreendedores são narrados como sendo intuitivos no mundo dos negócios e ternos no mundo familiar, mas esses atributos entendidos como femininos não marcariam a corporalidade (gestos, posturas ou corpo) desses homens. Assim, a pesquisadora da UNICAMP, mostra a possibilidade de pensarmos a existência de sujeitos não unitários e corpos não homogêneos, com a presença de subjetividades e agências igualmente não unitárias incorporadas. O que redundaria em uma tensão entre representações de identidades de gênero coerentes e as que podem ser consideradas como sugestões de hibridez, apesar das identidades de gênero masculinas serem apresentadas nas narrativas de maneira coerente e unitária.

Entretanto, essas tensões não são apagadas e as características pensadas como masculinas ou femininas, não recobrem totalmente homens, mulheres, masculinidades e feminilidades se expressando contextualmente em espaços e atividades do mundo empresarial. Assim, para a autora, a personalidade empresarial de sucesso é vista como uma composição de características femininas e masculinas; em suas palavras,

Levando em conta os diversos procedimentos de atribuição de gênero presentes nas histórias, é possível concluir que, no conjunto dos relatos, a “composição” da personalidade empresarial revela a presença de atributos masculinos e femininos [...] Em parte das histórias, esses atributos estão englobados na idéia de uma ação empresarial masculinizada. De maneira distinta, nos relatos mais recentes, autobiográficos, características femininas e masculinas convivem, dando lugar a uma ação empresarial que aparece como neutra (p. 114).

Novamente vemos aqui a influência de Strathern. Ao analisar os Melanésios, não os vê como possuindo uma identidade de gênero, como a Ocidental, uma vez que podem ser duplas ou compostas e/ou unitárias. A manifestação dessas identidades depende totalmente do contexto ou da forma assumida pelas identidades com quem se está interagindo. Dessa afirmação, emerge um conceito que é fundamental para a análise de Strathern e de Piscitelli: o conceito de contexto da ação, esse é que determinará qual forma, atributos ou características a identidade de gênero (no caso de Strathern) e a personalidade empresarial (no caso de Piscitelli) irão assumir.

Além dessa influência de Strathern, que marca a obra “Jóias de Família”, na introdução do livro há uma extensa discussão sobre feminismo e antropologia referente à categoria gênero influenciada pela obra “The gender of the gift”, como já apontado anteriormente. Esse conceito é tomado como uma diferenciação categórica que assume conteúdos específicos em contextos particulares. Trata-se de uma maneira de perceber as diferenças entre os sexos: categorias dão forma e sentido às relações sociais. Nas palavras de Piscitelli, “o gênero é pensado como um operador de diferenças não preestabelecidas que marcam e que só podem ser compreendidas contextualizadamente” (p. 41).

Sendo assim, pensando o gênero como um modo de diferenciação que atravessa o social, igualmente perpassa noções associadas ao parentesco e às relações por ele delimitadas. No que tange aos relatos analisados no livro, o gênero traça diferenciações no interior de herdeiros (as) ligados (as) por laços de parentesco; e em algumas histórias marca, também, distinções entre eles (os homens). Assim, nas narrativas, vemos a presença de diversos traços relacionados a características masculinas no âmbito competitivo da luta empresarial que, no entanto, não exclui inteiramente características femininas.

A autora atenta a diversas características consideradas masculinas e femininas, bem como as diferentes masculinidades e feminilidades. A participação feminina nas sucessões empresariais mantém vinculações com modalidades de relações de parentesco e com estilos de controle acionário, pois, quando os grupos empresariais privilegiam relações patrifiliais e tendem ao controle acionário, a participação da mulher é ampliada; de modo contrário, quando a participação acionária se dilui em sócios/parentes e as sucessões circulam entre consangüíneos e afins, a participação feminina aparece mais limitada.

Desse modo, o gênero não pode ser analisado como uma categoria que tem como única característica a cisão entre pessoas, assim como o parentesco não tem a união como característica exclusiva. Isso fica mais claro nos relatos sobre o único grupo que incorpora a afinidade: (colocar o nome do grupo). Nele, gênero liga pessoas que não compartilham do mesmo sangue na gestão dos negócios, pela identidade entre homens.

Somando-se a isso, gênero é utilizado como um tipo de linguagem usada para distinguir entre modernização e estagnação. Linguagem que atravessa o mundo familiar e de negócios fixando traços da personalidade que são transferidos para os descendentes e empresas, bem como marcam a composição híbrida de pessoas no aparentemente neutro mundo dos negócios.

Resta ainda dizer que Piscitelli parte de narrativas familiares e complexas relações de parentesco estabelecidas por famílias ligadas a quatro grandes empresas brasileiras – os grupos Matarazzo, Lundegren (Pernambucanas), Sadia e Pão de Açúcar – tendo como material de análise autobiografias, biografias, livros comemorativos e algumas entrevistas. Partindo desse material a autora mostra como esses quatro grupos empresariais se diferenciam na participação das mulheres no universo da gestão, com o grupo Matarazzo sendo marcado como exemplo de incorporação e os grupos Lundgren e Sadia exemplos de exclusão absoluta das mulheres. Já o grupo Pão de Açúcar representaria a expressão moderna e igualitária de homens e mulheres na gestão empresarial.

A leitura desse livro é de fundamental importância para antropólogos e pesquisadores que lidam com temas como gênero, parentesco e mundo empresarial, principalmente por dois motivos: trata-se de uma abordagem inovadora na literatura sobre mundo empresarial por desmontar (pre)conceitos no que tange a participação feminina no mundo dos negócios, bem como ao papel importantíssimo que tem o parentesco e a família na sucessão empresarial; traz uma substancial contribuição aos estudos de gênero ao complexificar (ficaria melhor: complexar ou tornar complexa?) a discussão sobre como se dá a construção da identidade de gênero na sociedade contemporânea, mostrando a tensão entre uma construção aparentemente unívoca e estável, e outra híbrida com traços masculinos e femininos.

Além disso, “Jóias de Família” é uma leitura quase obrigatória para o estudante de antropologia, pois a autora faz reflexões inseridas no campo dos estudos de parentesco, tema clássico na antropologia que entre o início dos anos 60 e meados dos 80 sofre um intenso questionamento e abalo. Mas, em décadas subseqüentes vai se reconstruindo com ênfase em estudos centrados na própria sociedade ocidental, como uma resposta ao impacto de novas tecnologias reprodutivas e do movimento feminista; e hoje do movimento homossexual que busca a afirmação de novas formas de família e parentalidade.
Referências Bibliográficas.

DA MATTA, Roberto. O Ofício do Etnólogo, ou como ter Anthropological Blues. In: NUNES, Edson de Oliveira. (org.). A Aventura Sociológica. Objetividade, Paixão, Improviso e Método na Pesquisa Social. Rio de Janeiro: Zahar, 1978, p. 23-35.

PISCITELLI, Adriana. Jóias de Família: gênero e parentesco em histórias sobre grupos empresariais brasileiros. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.

STRATHERN, Marilyn. The gender of the gift: Problems with women and Problems with Society in Melanesia. University of Califórnia Press: Berkeley, 1988.



MALAMUD, Carlos. Historia de América. 2 ed. Madrid: Alianza Editorial, 2007 (1ª edição: 2005)
Paola Novaes Ramos79
O livro Historia de América é um bom material para fornecer informações empíricas sobre os países das Américas, em especial a América espanhola. Trata-se de uma fonte de conhecimento sobre fatos, com pouca interpretação explícita da história do continente. De fato, trata-se de um livro de história, e não de ciências sociais, e desta forma, o conhecimento ali apresentado é necessário, porém não suficiente, para se ter uma visão das Américas, mas é um bom ponto de partida para estudos comparados, principalmente para alunos de graduação.

Carlos Malamud escreve Historia de América a partir de sua perspectiva de dupla nacionalidade, argentina e espanhola, e desenvolve os conteúdos do livro de forma panorâmica, em uma abordagem já tradicionalmente explorada pelos historiadores e cientistas sociais e políticos em várias etapas do século XIX em diante. O intuito do autor é antecipar os contextos de bicentenário das independências da grande maioria dos estados hispanoamericanos na forma de repúblicas (com exceção de Haiti, cuja independência da França ocorreu em 1804, e cujas conjunturas políticas não permitiram comemoração em 2004, e Cuba, cuja independência ocorreu apenas em 1898, além do Brasil, não mencionado no prefácio do autor, mas com um capítulo dedicado apenas a essa questão, que consolidou sua independência também na década de 20 do século XIX na forma de monarquia imperial).

O livro de Malamud, historiador por formação e atuação profissional, é emblemático para as ciências sociais por dois motivos (ambos, no fundo, de natureza epistemológica). O primeiro, por escrever sobre a história das Américas de forma panorâmica, e conseguir realizar esse propósito de maneira clara e precisa (embora, em muitas passagens, de forma excessivamente sintética), demonstrando conhecimento apurado sobre cada conteúdo histórico mencionado. Tal fornecimento de informações e conhecimento é fundamental para aqueles que, dentro das ciências sociais, têm como objetivo partir dos fatos históricos para sofisticar e lapidar as teorias sociais dentro de seu campo. O segundo motivo é que o livro demonstra claramente como boa parte da academia segue ainda com olhares eurocêntricos ao analisar as Américas. No que se refere às presenças européias e especificamente ibéricas nas Américas, tanto no que diz respeito à forma de se relatar os acontecimentos quanto pela escolha de termos e vocabulários para descrever conteúdos históricos, as análises sobre os caminhos e rumos das nações americanas tendem ao eurocentrismo, tanto por autores marxistas quanto por conservadores. Malamud, fiel à tradição descritiva da história, demonstra conhecer o trabalho de arqueólogos e antropólogos (estes últimos, denominados por ele de marxistas ou não), mas posiciona-se em um campo de análise que interpreta os fatos de forma mais institucional do que qualquer outra. Embora tal postura não retire o mérito do livro, questões como economia e religião, por exemplo, são observadas de maneira tradicionalmente colonizadora, e para a epistemologia das ciências sociais, trata-se antes de um exemplo típico que descreve o atual estado da arte das produções acadêmicas sobre as Américas, do que algo inovador. Mesmo a partir da leitura de muitas descobertas antropológicas e arqueológicas, e tais informações são realmente abundantes no livro de Malamud, as interpretações e os tipos de compreensão dos fatos são ainda extremamente pautados pelo ethos de herança européia quando se analisa ou mesmo descreve os caminhos percorridos pelas realidades sociais das Américas, com foco no capitalismo e nos Estados Nacionais, tanto na Europa quanto nas ex-colônias. Tal visão demonstra-se, na obra de Malamud, ainda tão hegemônica nas produções intelectuais das humanidades quanto foi ao longo do século XIX e do século XX.

A primeira parte do livro trata dos antecedentes pré-colombiados das Américas. A segunda parte trata do período colonial e finaliza-se com as independências, sendo essa segunda parte a mais detalhada do livro, com ênfase na Hispanoamérica e no império Espanhol. Brasil, Estados Unidos e Canadá são contemplados com capítulos à parte, com descrições precisas e sintéticas, embora a maior parte do livro seja, de fato, dedicada aos países herdeiros da Espanha. A terceira e última parte trata da América Latina contemporânea, buscando agregar os países em possíveis denominadores comuns, e aproximando-se mais do pólo de unidade do que o de diversidade onde o livro navegou a maior parte do tempo, nas partes 1 e 2. Este caminho descritivo escolhido pelo autor organiza uma narrativa de inúmeros conteúdos em um movimento que começa na descrição diversidade inicial das Américas, passa para uma leitura mais detalhada das colônias (com ênfase nas relações do império espanhol com nativos e sua atuação política, econômica, demográfica e territorial, mas também contemplando o Brasil, em maior detalhe, o Caribe, o Canadá e os Estados Unidos) e segue para uma análise de acontecimentos comuns em cada país independente da América Latina contemporânea (independências, industrializações, republicanismo, autoritarismo, democratização). Tal escolha acadêmica revela, novamente, uma tentativa de se organizar o pensamento ao redor de conceitos e realidades relevantes para o imaginário acadêmico de inspiração européia, sem levar muito em conta outras possíveis formas de observação da realidade, como a atual situação dos indígenas e dos negros e descendentes, a não ser que sejam mencionados dentro do grande escopo de instituições políticas tradicionais de Estado, como os partidos políticos e, como o autor denominou, “la izquierda insurreccional”.

Do ponto de vista dos conteúdos, o autor busca analisar as semelhanças entre Europa e Américas. Em sua narrativa, a Espanha tem língua, cultura e história em comum com os países hispanoamericanos, e disso decorre um sentimento de pertencimento. A narrativa, tanto dos contextos anteriores quanto posteriores às independências, gira em torno do nascimento de nove repúblicas hispanoamericanas no início do século XIX e como tal fato deixou a marca de formatos políticos europeus com conteúdos ibéricos nas Américas. A lógica do constitucionalismo, da cidadania e da democracia eleitoral, pelo menos do ponto de vista formal, instalou-se nos países hispanoamericanos, e é essa ênfase no passado em comum dos dois continentes que marca a obra. Para descrever os acontecimentos, o autor não descarta o vocabulário eurocêntrico, como “descobrimento” e “conquista” das Américas, tomando o que é hegemônico (a presença européia e ibérica na Hispanoamérica) como totalidade (as várias realidades dos atuais estados nacionais iberamericanos). Apesar de mencionar a ocidentalização e a evangelização dos povos nativos, ou “povos originários”, na linguagem do livro, Malamud considera tais conceitos exageros que defendem os oprimidos e afirma que, antes da chegada dos europeus no século XV, muitos dos denominados “povos nativos” eram invasores de terras e culturas entre si (embora não aplique o mesmo julgamento aos europeus que desembarcaram nas Américas, e com isso desconsidere o tempo de presenças arqueológicas e relativize de forma questionável o conceito de “invasores”). Nesse sentido, utiliza uma linguagem que favorece a presença européia no continente, apontando mais pontos positivos que negativos sobre “povos refratários a incorporar valores, usos e costumes de uma cultura diferente” (Malamud, 2007, p. 12).

No decorrer do livro, nota-se que o autor preocupa-se em descrever a história do contato entre culturas separadas pelo Oceano Atlântico para finalmente desaguar na contemporaneidade e no significado da democracia eleitoral e do republicanismo para países latino-americanos. Há um grande mérito acadêmico em partir de um ponto tão longínquo na história para se chegar aos dias de hoje. Ao explicar a Hispanoamérica, aponta para a oscilação entre unidade e diversidade e para a dificuldade de se generalizar as realidades geradas a partir desse contato. O fato é que formatos políticos de estados nacionais e instituições políticas e econômicas de origem européia estabeleceram-se desde então, mas a diversidade que existe nas realidades materiais e históricas das Américas não pode ser generalizada de forma tão simples. O próprio Malamud afirma que a expressão “encontro de dois mundos”, sugerida em 1992 nos debates sobre os quinhentos anos do desembarque de Colombo nas terras Taino, é inadequada para substituir a idéia de “descobrimento das Américas”, pois muitos mundos territoriais, étnicos, culturais e linguísticos encontram-se a partir deste contato, e não apenas dois. Ao interpretar este fato, Malamud atribui aos europeus uma unidade valorativa e cultural, embora não linguística, muito maior do que qualquer possível unidade dos mundos ameríndios pré-colombianos, cuja pluralidade expressava-se em milhares de culturas desde o Alaska até a Terra do Fogo. De forma controversa, Malamud afirma que nem as sociedades sob domínio dos maias, astecas, moches, chimus e incas conseguiram o grau de unidade que os europeus forjaram a partir do império romano. A figura do índio, ou indígena, ou ameríndio, é adequadamente concebida no livro como uma invenção européia que homogeneíza as pessoas e grupos sociais das Américas. No decorrer do livro, Malamud de fato aponta para as múltiplas raízes indígenas que não foram apagadas pela presença de impérios europeus nas Américas, e afirma que a diversidade do continente, sobretudo do ponto de vista geográfico, interferiu na ocupação territorial e impediu acessos europeus a muitas culturas até o presente. A perspectiva de arqueólogos, antropólogos e mesmo de historiadores, embora reconhecidas como importantes, não definem as perspectivas políticas e econômicas adotadas no livro, e tampouco os imaginários da maioria dos acadêmicos como Malamud e dos povos constitucionais das Américas e da Europa.

O formato institucional de origem européia e seu desenvolvimento tecnológico tende ainda a moldar as formas de enxergar realidades hegemônicas de Estados Nacionais antes mercantis e atualmente industriais nas Américas, utilizando as definições de Elias (2001). Ainda que a realidade não seja a totalidade homogênea visada por tais formatos universalizantes de origem européia, ela recebe constantemente tal interpretação, tanto legalmente quanto, em muitas obras, academicamente, inclusive por parte de autores com trabalhos acadêmicos pretensamente mais descritivos do que declaradamente interpretativos.

Um dos maiores méritos do livro de Malamud parece ser a hábil descrição do que já foi inúmeras vezes descrito, de forma panorâmica, ao tratar das realidades de todos os países das Américas, ainda que priorize uns em relações aos outros (o que faz sentido, dentro da perspectiva hispanoamericana do livro). O uso de generalizações conceituais, embora não problematizado e tomado como um dado da produção de conhecimento, acaba sendo necessário para abranger os diversos conteúdos das histórias de todas as diferentes localidades tais como são concebidas atualmente (na forma de estados nacionais e tudo que a existência deles implica, principalmente as formas econômicas e valorativas que os sustentam). Exemplos disso são a consideração cuidadosa da questão demográfica e da diversidade territorial ao longo da narrativa, bem como os critérios políticos e sociológicos de população (com especial cuidado quanto aos números, à composição, ao aumento e diminuição de segmentos da população, às questões de miscigenação e problemas epidemiológicos que devastaram e extinguiram muitas populações das Américas), território (com atenção à administração de fronteiras e deslocamento populacional) e soberania, finalizando com a independência e a forma como os países conduziram-se após tais eventos.

Dentro de uma proposta panorâmica tanto temporal quanto territorialmente, o autor fornece muitas informações detalhadas em suas descrições, embora raramente ou quase nunca pontue as fontes de dados estatísticos no corpo do texto, ou mesmo no contraste de teses e interpretações acerca de conteúdos não consensuais (como a demografia das Américas pré-colombianas e interpretações sobre a conduta dos europeus nas Américas na época colonial, ou ainda sobre as transições de ditaduras para democracias em diferentes países na segunda metade do século XX). Em síntese, para uma visão global da história das Américas, com ênfase na Iberoamérica, o livro é uma rica fonte de informações detalhadas e precisas, produzidas a partir de conhecimento profundo sobre cada tema. Não se deve esperar, contudo, uma visão sociológica ou marcos teóricos definidos na narrativa de Malamud, e embora essa não seja a proposta do livro, trata-se de uma referência útil para pesquisas comparadas sobre o continente americano.

Referências Bibliográficas

BOURDIEU, Pierre. Os Usos Sociais da Ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: UNESP, 2003.

DIAMOND, Jared. Guns, Germs and Steel: a short history of everybody for the last 13.000 years. Londres: Vintage Publishings, 2005.

ELIAS, Norbert. A Sociedade de Corte. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

RAMÍREZ, Susan Elizabeth. El Mundo al Revés: contactos y conflictos transculturales en el Perú del siglo XVI. Lima: Pontifícia Universidad Católica del Peru, Fondo Editorial, 2002.

ROSTWOROWSKI, María de Diez Canseco. Historia del Tahuantinsuyu. Lima: IEP ediciones, 1988.



In Memoriam – Lygia Sigaud


Antonádia M. Borges80 e Marcelo Rosa81

A importância da contribuição de Lygia Sigaud para as ciências sociais pode ser expressa na palavra inglesa scholarship. Lygia, ao longo de sua carreira, foi capaz de introduzir e desenvolver um campo específico de conhecimento e de criar um estilo de pesquisa que transcendeu os limites da Antropologia Social. Defendidas com paixão, a sutileza e precisão teórica emergiam nos seus trabalhos a partir do envolvimento visceral com pessoas de “carne e osso”, dentro e fora dos ambientes acadêmicos.

Com trabalho de campo continuado por mais de 40 anos, em uma área geográfica circunscrita - a zona da mata pernambucana - e dedicação à uma área específica da vida social - o trabalho rural - Lygia Sigaud confrontou e contribui sistematicamente para a forma como muitos de nós pensamos hoje temas como reciprocidade, direitos e transformações sociais. Lygia teve ainda fôlego para nos revelar os efeitos dos grandes projetos hidrelétricos sobre os trabalhadores rurais do nordeste e do sul do Brasil.

Ao longo de sua carreira, Lygia Sigaud se dedicou ao estudo sitemático das obras e da vida intelectual de Leach, Malinowski e Mauss - sujeitos que em sua perspectiva tinham igualmente pensado profundamente e desafiado pessoalmente temas como poder, trocas e formas rituais.

Essa scholarship permitiu a Lygia, mais do que a qualquer outro, acompanhar, com reinvenções teóricas, as mudanças porque passaram seus interlocutores de longa data. Ao procurar compreender as ocupações de terra que nos anos 90 grassaram por sua antiga zona de pesquisa, Lygia cunhou a expressão forma acampamento que dizia respeito a uma inusitada relação social entre o Estado e os moradores de zonas rurais em todo o país.

Estas experiências múltiplas e diálogos teóricos de diversos matizes permitiam a Lygia conectar politica e intelectualmente o que se passava com os clandestinos de Pernambuco, com o colono e o atingido do Rio Grande do Sul, com o sindicalista da CONTAG, com o militante do MST, o piquetero argentino e o landless sul-africano.

As sendas que abriu e sua generosidade em emprestar seu campo aos neófitos, possibilitaram a diversos pesquisadores desenvolverem pesquisas não apenas na zona da mata, mas também na Argentina e na África do Sul. Hoje, em todos esses seus lugares, suas lições são sempre lembradas com carinho.

Sua ligação de pesquisa com temas prementes da vida política como as lutas por direitos e por terra foi, a todo tempo, complementada com o compromisso íntimo com as pessoas e suas causas. Sua relação com os sindicalistas durante os períodos de campanha salarial que vimos em Greve nos Engenhos, ou com os sem-terras na exposição Lonas e Bandeiras (que ocupou por quatro meses as salas nobres da antiga morada do imperador em São Cristóvão com lonas pretas, bandeiras e retratos de militantes) não nos deixa esquecer que nossos trabalhos são feitos de carne, ossos e lágrimas e alegrias.

As lições nas salas do Museu Nacional, da Universidade de Brasília, na Unicamp e em universidades da França e da Argentina, eram sinônimos de um compromisso extraordinário entre o rigor teórico e o exercício exaustivo da pesquisa de campo em busca das “evidências”, em outras palavras, de reiteradas fontes inspiradoras para nossa vitalidade intelectual.

Talvez por ter nascido em um bissexto 28 de fevereiro, sua eterna inconformidade juvenil com as doxas de nossas disciplinas nos faça agora sentir que o último abril foi cedo demais para ela nos deixar.




Dissertações e Teses defendidas nos Programas vinculados ao ICS/UnB



DAN
Dissertações 2006


Título: Do Tempo da Sussa ao Tempo do Forró: Música, Festa e Memória entre os Kalunga de Teresina de Goiás
Autora: Thaís Teixeira de Siqueira
Orientador: José Jorge de Carvalho

Título: Viver em Primeira Pessoa: uma proposta de humanização como técnica corporal
Autora: Cristina Dias da Silva
Orientador: Luís Roberto Cardoso de Oliveira

Título: Os Bakairi: da Passagem de Karl von den Steinen ao projeto do PDPI
Autora: Fernanda Magalhães Lamego
Orientador: Stephen Grant Baines

Título: Quilombo Tapuio (PI): Terra de Memória e Identidade
Autor: Carlos Alexandre Barbosa Plinio dos Santos
Orientadora: Ellen Fensterseifer Woortmann

Título: Os Afectos Mal-Ditos: o indizível das sexualidades camponesas
Autor: Paulo Rogers da Silva Ferreira
Orientadora: Ellen Fensterseifer Woortmann

Título: Choque Ideológico em um Escritório Modelo Rural de Antioquia, Colômbia. Reconhecimento, Identidade e Superposição de Valores
Autora: Silvia Monroy Alvarez
Orientador: Luís Roberto Cardoso de Oliveira

Título: Projeto é como branco trabalho; as lideranças que se virem para aprender e nos ensinar: experiências dos povos indígenas do alto rio Negro
Autor: Gersem José dos Santos Luciano
Orientador: Henyo Trindade Barretto Filho

Título: CAJE: Retratos de um cotidiano de conflitos
Autora: Viviane de Araújo Aguiar
Orientador: Luís Roberto Cardoso de Oliveira

Título: Conhecimentos Tradicionais do Cerrado: sobre a memória de Dona Flor, raizeira e parteira
Autora: Iara Monteiro Attuch
Orientador: Paul Elliott Little

Título: Diferenças Indissolúveis: um estudo sobre a sociabilidade Borum
Autora: Luana Lazzeri Arantes
Orientador: Roque de Barros Laraia

Título: Os Katukina e o Kampô: Aspectos etnográficos da construção de um projeto de acesso a conhecimentos tradicionais
Autor: Homero Moro Martins
Orientadora: Alcida Rita Ramos

Título: O Policial Militar em Tempos de Mudança: Ethos, Conflitos e Solidariedades na Polícia Militar do Estado de São Paulo
Autora: Beatriz Porfírio Graeff
Orientadora: Carla Costa Teixeira

Título: Yu Kan Vertrouw Mi. Você pode Confiar
Autora: Carolina Carret Hoffs
Orientadora: Mireya Suárez de Soares

Título: Acendendo as Luzes da Ciência para Iluminar o Caminho do Progresso: uma análise simétrica da Lei de Biossegurança brasileira
Autora: Letícia Maria Costa da Nóbrega Cesarino
Orientadora: Carla Costa Teixeira

Título: O Grito das Garotas
Autora: Fernanda Gomes Rodrigues
Orientadora: Eurípedes da Cunha Dias

Título: Espelho ante Espelho: a troca e a guerra entre o neopentecostalismo e os cultos afro-brasileiros em Salvador
Autor: Bruno Mafra Ney Reinhardt
Orientadora: Rita Laura Segato

Título: Homem Preto no Gueto: um estudo sobre a masculinidade no Rap brasileiro
Autor: Waldemir Rosa
Orientadora: Rita Laura Segato

Título: O Conselho do Parque Nacional da Serra do Divisor: (Sobre)Posições e Representações Territoriais
Autor: Eduardo Vieira Barnes
Orientador: Paul Elliott Little

Título: Relatos sobre o Jongo no Rio de Janeiro: Reflexões e Episódios de um Pesquisador Negro
Autor: Adailton da Silva
Orientador: José Jorge de Carvalho


Teses 2006
Título: Cosmologias Políticas e Neocolonialismo: como uma política pública pode se transformar em uma política do ressentimento
Autor: Ronaldo Joaquim da Silveira Lobão
Orientador: Luís Roberto Cardoso de Oliveira

Título: Ainda Estamos Vivos: uma etnografia da saúde Sanumá
Autora: Rosangela de Sousa Biserra
Orientadora: Alcida Rita Ramos

Título: Etnografia, Modernidade e Construção da Nação: Estudo a partir de um Culto Afro-Brasileiro
Autora: Daniela Cordovil Correa dos Santos
Orientador: Roque de Barros Laraia

Título: Os cocaleros do Chapare: coca, cocaína e políticas internacionais antidrogas na Bolívia
Autor: Rosinaldo Silva de Sousa
Orientador: Gustavo Lins Ribeiro

Título: O cinema brasiliense em uma narrativa antropológica
Autora: Ariana Timbó Mota
Orientadora: Eurípedes da Cunha Dias

Título: As Raízes da Congada: a renovação do presente pelos Filhos do Rosário
Autora: Patrícia Trindade Maranhão Costa
Orientador: Wilson Trajano Filho


SOL
Dissertações 2006
Título: Um Toque de Midas: Transformações observadas na Comissão de Orçamentos no período de 1988 a 2003
Autora: Mônica de Castro Mariano
Orientador: Luís Augusto Sarmento Cavalcanti de Gusmão

Título: Percursos na Teoria das Práticas Sociais: Anthony Giddens e Pierre Bourdieu
Autor: Gabriel Moura Peters
Orientador: Luís Augusto Sarmento Cavalcanti de Gusmão

Título: Brasília: narrativas urbanas
Autora: Maria Cecília Campos Castello Branco
Orientadora: Maria Salete Kern Machado

Título: O campo da anemia falciforme e a informação genética: um estudo sobre o aconselhamento genético
Autor: Cristiano Guedes de Souza
Orientadora: Berlines Astrid Küchemann

Título: Não deixando a cor passar em branco: O processo de implementação de cotas para estudantes negros na Universidade de Brasília
Autor: Ernandes Barboza Belchior
Orientadora: Wivian Weller

Título: Espaços de lazer e culturas jovens em Brasília: o caso de bares
Autor: Gilberto Luiz Lima Barral
Orientador: Arthur Trindade Maranhão Costa

Título: Os Ritmistas e a Cidade: Sobre o processo de formação da música baiana contemporânea orientada para a diversão
Autor: Fernando de Jesus Rodrigues
Orientadora: Maria Angélica Brasil Gonçalves Madeira

Título: Das relações sociais em duas capitais coloniais portuguesas: Rio de Janeiro e Lourenço Marques
Autor: Eugênio José Brás
Orientador: Brasilmar Ferreira Nunes

Título: Narrativas de Reforma Psiquiátrica e Cidadania no Distrito Federal
Autora: Marcela Corrêa Martins Amaral
Orientadora: Christiane Girard Ferreira Nunes

Título: Lições de Catende: um estudo sobre a luta pela construção de uma autogestão na zona da mata sul de Pernambuco na década de 1990
Autor: Fernando Kleiman
Orientadora: Christiane Girard Ferreira Nunes

Título: Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-BRASIL) e a Formação do Estado Eletrônico
Autor: Marcello Cavalcanti Barra
Orientador: Fernanda Antônia da Fonseca Sobral

Título: Valores e Democracia em Cabo-Verde: entre adesão formal e embaraço cultural
Autor: Leão Domingos Jesus Lopes de Pina
Orientador: Luís Augusto Sarmento Cavalcanti de Gusmão

Título: Condições de Vida no Nordeste Brasileiro: retratos da política local
Autor: Fábio Alves
Orientadora: Maria Francisca Pinheiro Coelho

Título: Vozes Femininas na Política: uma análise sobre mulheres parlamentares no pós-Constituinte
Autora: Luana Simões Pinheiro
Orientadora: Debora Messenberg Guimarães

Teses 2006
Título: Milagre Político: catolicismo da libertação
Autora: Roniere Ribeiro do Amaral
Orientador: Eurico Antônio Gonzalez Cursino dos Santos
Título: Microcrédito ou Crédito Pequeno? A experiência dos financiados do Programa Providência no Recanto das Emas e Riacho Fundo II do Distrito Federal
Autora: Barbara Lúcia de Sena Costa
Orientadora: Berlines Astrid Küchemann

Título: Distinção, Cultura do Consumo e Gentrificação: o Centro Cultural Banco do Brasil e o mercado de bens simbólicos
Autor: Marco Estevão de Mesquita Vieira
Orientadora: Mariza Veloso Motta Santos

Título: Somos todos Brasileiros? Estudo Sociológico sobre o Vínculo Social Brasileiro Moderno (trajetórias ocupacionais de trabalhadores brasilienses da construção civil – 1992-2003).
Autor: Marcelo Alvares de Sousa
Orientadora: Christiane Girard Ferreira Nunes

Título: Regras da Metrópole: campo urbanístico e ordem social na Região Metropolitana de São Paulo
Autor: Jeová Dias Martins
Orientador: Brasilmar Ferreira Nunes

Título: Representações do medo e das catástrofes em Goiás
Autor: Eliézer Cardoso de Oliveira
Orientadora: Maria Angélica Brasil Gonçalves Madeira

Título: Qual é o seu Trabalho, Mulher? Mulheres Empreendedoras no Contexto da Economia Popular Solidária
Autora: Tânia Cristina da Silva Cruz
Orientadora: Berlindes Astrid Küchemann

Título: Programa de Atendimento ao Superdotado da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (1991-2002): Inclusão Social ou Tergiversação Burocrática?
Autora: Marília Gonzaga Martins Souto de Magalhães
Orientador: Lúcio de Brito Castelo Branco

Título: Burocracia e Participação: a Experiência do Orçamento Participativo em Porto Alegre
Autora: Marianne Nassuno
Orientadora: Maria Francisca Pinheiro Coelho

Título: Educação e Conversão Religiosa: os Batistas de Richmond e o Colégio Taylor-Egídio de Jaguaquara, Bahia 1882-1936
Autor: João Pedro Gonçalves Araújo
Orientador: João Gabriel Lima Cruz Teixiera
Título: Por que as empresas investem em responsabilidade social?
Autora: Cinara Gomes de Araújo
Orientador: Danilo Nolasco Cortês Marinho

Título: Trabalho docente nas Instituições de Ensino Superior Privado em Brasília-DF
Autora: Tânia Cristina Alves de Siqueira
Orientadora: Fernanda Antônia da Fonseca Sobral

Título: Ultramontanismo e Catolicismo Popular em Goiás de 1865 a 1907 à Luz da Sociologia da Religião
Autora: Leila Borges Dias Santos
Orientador: Eurico Antônio Gonzalez Cursino dos Santos

CEPPAC
Dissertações 2006
Título: “As Fronteiras da Liberdade: O Campo Negro como Entre-Lugar da Identidade Quilombola.”

Autor: Cristian Farias Martins

Orientadora: Mireya Suárez.
Título Mecanismos de Participação Social no Cone Sul: As Experiências de Montevidéu e Porto Alegre.

Autora: Ana Carolina Querino.

Orientador: Luis Felipe Miguel.
Título: Uma Nova Esquerda”? A Tensão Entre Capital e Trabalho nas Candidaturasde Luiz Inácio Lula da Silva(Brasil, 2002) e de Tabaré Vázquez (Uruguai, 2004).

Autor: Flávio Marcelo Busnel

Orientador: Henrique Carlos de Oliveira de Castro.
Título: A Importância da Ciência e Tecnologia no Desenvolvimento da Amazônia e o Caso do Acre.

Autora: Mayra Juruá Gomes de Oliveira

Orientadora: Ana Maria Fernandes.
Título: A Organização Social das Fronteiras: Etnografia do Cotidiano Fronteiriço Chuí/Chuy.

Autora: Ana Rosa Domingues dos Santos

Orientador: Cristhian Teófilo da Silva.
Teses 2006
Título: Etnodesenvolvimento: nova/velha Utopia do Indigenismo.

Autor: Ricardo Verdum

Orientador: Gustavo Lins Ribeiro
Título: Antropologia. Migração, Identidade e Cidadania Palikur na Fronteira do Oiapoque e Litoral Sudeste da Guiana Francesa.

Autor: Álvaro Augusto Neves Musolino

Orientador: Roberto Cardoso de Oliveira.
Título: A Implementação do Controle da Lavagem de Dinheiro no Brasil e EUA em Perspectiva Comparada.

Autor: Francisco de Assis Campos da Silva

Orientadora: Maria das Graças Rua
Título: Capital Social, Aprendizado e Inovação: Um Estudo Comparativo Entre Redes de Inovação na Indústria do Petróleo e Gás no Brasil e Canadá.

Autor: Moisés Villamil Balestro.

Orientador: Danilo Nolasco Cortes Marinho.
Título: Controle Social e Responsabilização Familiar: A Administração da Emergência Psiquiátrica em Brasília e na Cidade do México.

Autora: Janaína de Cássia Carvalho

Orientadora: Lia Zanotta Machado.
Título: Federação, Desigualdade Federativa e Barganha no Brasil e no Canadá nas Décadas de 1980 e 1990.

Autor: José Deocleciano de Siqueira Silva Júnior

Orientador: Benício Viero Schmidt.
Título: A Construção do Conceito de Ordem Pública nas Politícas de Segurança dos Distritos Federais do Brasil e do México (1980-2005).

Autora: Cristina Zackseski.

Orientadora: Elizabeth Cancelli.
Título: Promoção de Saúde: Desafio ou Adaptação? A Construção Social do Conceito, de Alma-Ata aos Dias Atuais, no Brasil e no Canadá.

Autora: Lucíola Santos Rabello.

Orientador: Benício Viero Schmidt.
Título: Confiança, Governos e Estabilização Econômica: Os Casos do Plano Real no Brasil e do Plano Cavallo na Argentina.

Autor: Jacques Salomon Crispim Soares Pinto

Orientadora: Maria das Graças Rua
Título: Derechos Territoriales Indígenas, movimientos Etno Politicos y Estado: Un Estudio Comparativo En La Amazonía de Brasil y Ecuador.

Autora: Ivette Rossana Vallejo Real

Orientador: Roberto Cardoso de Oliveira (In Memoriam) Prof. Dr. Paul Elliot Little.




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