Psicologia & Sociedade volume 0 número janeiro/junho 1998 issn 0102-7182 Índice



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Associação Brasileira de Psicologia Social- ABRAPSO

Psicologia & Sociedade
volume 10 número 1 janeiro/junho 1998 ISSN 0102-7182


Índice

5 Entrevista com Maritza Montero

23 CODINA, N. "Autodescripción del self en el TST: possibilidades y límites"

39 GÓIS, C. W. L. eXIMENES, V. M. "Epistemologia, caos e psicologia"

54 JOVCHELOVITCH, S. "Representações sociais: para uma fenomenologia dos saberes sociais"

69 MACÊDO, K. B."Sobre a politicidade e a dinâmica do poder nas organizações: um recorte psicossocial"

86 MEDRADO, B. "Das representações aos repertórios: uma abordagem construcionista"

104 NUERNBERG, A. H. e ZANELLA, A. V. "Cidadania no contexto da escolarização formal: contribuições ao debate"

113 NUNES JR., A. B. "Encontro divino: estudo qualitativo sobre a

experiência mística de monjas enclausuradas"

121 ROSA, M. D. "A psicanálise frente à questão da identidade"

129 SÁ, C. P., Bello, R. A. e Jodelet, D. "Condições de eficácia

das práticas de cura da umbanda: a representação dos praticantes no Rio de Janeiro"

Capa: Arte de Roberto Temin a partir de quadro "O jardim dos prazeres terrenos",

de Hieronymus Bosch (1450-1516) –Museu do Prado (Madri)
Psicologia & Sociedade

Vol. 10 número 1 janeiro/junho de 1998 ABRAPSO

PRESIDENTE: Elizabeth M. Bonfim

VICE-PRESIDENTES: Omar Ardans, Vânia Franco, M. de Fátima Q.de Freitas, Neide P. Nóbrega, M. da Graça Jacques.

CONSELHO EDITORIAL

Celso P. de Sá, César W. de L. Góis, Clélia M. N. Schulze, Denise Jodelet, Elizabeth M. Bonfim, Fernando Rey, Frederic Munné, Karl E. Scheibe, Leôncio Camino, Luis F. R. Bonin, M. de Fátima Q. Freitas, M. do Carmo Guedes, Marília N. da M. Machado, Mario Golder, Maritza Monteiro, Mary J P. Spink, Pablo F. Christieb, Pedrinho Guareschi, Regina H. F. Campos, Robert Farr, Silvia T. M. Lane, Sylvia Leser de Mello.

EDITOR

Antonio da Costa Ciampa



EDITOR ASSISTENTE Cecília P. Alves
COMISSÃO EDITORIAL

Antonio da Costa Ciampa, Cecília P. Alves, Helena M. R. Kolyniak, J. Leon Crochik, Marcos V. Silva, Marlito de S. Lima, Mônica L. B. Azevedo, Omar Ardans, Salvador A. M. Sandoval, Suely H. Satow.

ADMINISTRAÇÃO

Helena M. R. Kolyniak

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Hacker Editores/Fabiane Villela Marroni
ARTE DE CAPA

AREA
IMPRESSÃO

Artcolor

JORNALISTA RESPONSÁVEL Suely Harurni Satow (MTb 14.525)


Correspondência redação:

Rua Ministro Godói, 969 - 40 andar - sala 4B-03 - CEP 05015-000

São Paulo SP fone/fax: (011) 263-0801- E-mail: pssocial@exatas.pucsp.br E-mail do Editor:acciampa@exatas.pucsp.br

ASSINATURAS: VIDE PÁGINA 157

(c) dos Autores

Solicita-se permuta/exchange desired

A revista Psicologia &Sociedade é editada pela Associação Brasileira de Psicologia Social- ABRAPSO.

Os artigos assinados não representam necessariamente a opinião da revista.


Psicologia & Sociedade volume 10 number 1 january/june 1998 ISSN 0102-7182

Summary
5 Interview with Maritza Montero

23 CODINA, N. "Selfdescription in TST: possibilities and limits"

39 GÓIS, C. W. L. eXIMENES, V. M. "Epistemology, caos and psychology"

54 JOVCHELOVITCH, S. "Social representations for a phenomenology of social knowledge"

69 MACÊDO, K. B. "Politics of power in organizations: a psychosocial view"

86 MEDRADO, B. "From representations to repertories: a construcionist perspective"

104 NUERNBERG, A. H. e ZANELLA, A. V. "Some contributions to the debate citizenship in formal education context"

113 NUNES JR., A. B. "Divine encounter: a qualitative study on the mystical experience of cloistered nuns"

121 ROSA, M. D. "psychoanalisis and the question of identity"

129 SÁ, C.P., Bello, R. A. e Jodelet, D."Effectiveness of umbanda's

healing practices: practitioners representations in Rio de Janeiro"


EXPERIENCIAS COMUNITARIAS EXITOSAS? ... AMÉRICA ESTÁ LLENA DE ELLAS"

Entrevista com Maritza Montero

(por Bader Burihan Sawaia e Marlito de Sousa Lima)
É com muita satisfação que apresentamos ao leitor uma entrevista sobre psicologia social comunitária realizada com Maritza Montero, psicóloga social da Universidade de Caracas.

No Vol. 8, no1, desta revista, foi publicado artigo dela sobre "Paradigmas, comentes y tendencias de la psicología social finisecular". O motivo de sua presença constante na revista é o de ser, hoje, a principal articuladora e batalhadora da psicologia social, na atualidade. Seu trabalho em prol de nossa ciência é reconhecido mundialmente. Em 1996, recebeu o Prêmio Interamericano Científico - língua espanhola, atribuído pela SIP, dada a relevância de sua produção científica à psicologia, especialmente de língua portuguesa e espanhola, nas suas diferentes dimensões - teórica, prática e metodológica.

Maritza é estudiosa e pesquisadora incansável. Seus textos publicados regular­mente, sempre respondem nossas angústias e dúvidas, pois conhece a fundo os problemas enfrentados em cada parte do mundo e, com sensibilidade, traz suas pesquisas e reflexões para orientar o debate dentro da psicologia social. Ela é uma psicóloga do mundo, crioula.

Percorre todas as Universidades que têm psicologia social comunitária Criou o grupo de trabalho nessa área, na SIP, em 1990, tendo sido sua presidente com competência e dedicação até 1997, período em que a psicologia social comunitária adquiriu um lugar sólido dentre as áreas de conhecimento da psicologia e aumentou sua publicação, ajudando a divulgar a práxis da psicologia engajada na luta contra todas as formas de exclusão.

Na Venezuela, coordena trabalhos de extensão comunitários, especialmente com crianças, faveladas, voltados à educação e conscientização.

Tem inúmeros textos produzidos e compilou outros tantos, para expor e divulgar pesquisa e idéias frutíferas em psicologia comunitária, de todas as partes do mundo.

Ela realiza na sua particularidade de pessoa a síntese que todos almejamos como ideal da práxis da psicologia social comunitária: a ética do compromisso, da solidariedade, a competência científica e a beleza da arte.

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Com uma formação sólida em psicologia e história, aliada à uma vocação ético­político indestrutível e uma paixão pela psicologia comunitária e as conexões inter­nacionais, trouxe para dentro da psicologia as teorias consideradas marginais, dialogando diretamente com a psicologia anglo saxônica, a psicologia francesa e a latino­americana, o que permitiu liderar um movimento de revisão conceitual e prática da psicologia social a partir de pesquisas, propostas de ação, criação de espaços institucionais e debates internacionais, que redundou na criação de um corpo teórico­metodológico sólido, hoje adotado como leitura obrigatória em diferentes países.

Colaborou ativamente com a fundação e sedimentação da SIP e das associações nacionais de psicologia social.


PREGUNTA: ¿Psicología comunitaria O psicología social comunitaria?
RESPUESTA: Las dos denominaciones coexisten. Históricamente, el nombre "Psicología comunitaria" antecede al de Psicología Social Comunitaria, ya que en su versión anglosajona, creada a mediados de los afios ' 60, se trata de un producto colectivo, resultado de las discusiones, reflexiones e intento de responder a la crisis de la psicología como disciplina no sólo ligada a lo psicobiológico, sino también a lo social. Y en tal sentido incluía los esfuerzos y propuestas de psicólogos clínicos, de la educación, de la salud y también sociales. Se planteaba entonces la necesidad de hacer una psicología que incorporase a la comunidad, que se dirigiese a la comunidad; que de alguna manera respondiese a las expectativas y problemas de las comunidades.

La denominación "Psicología Social Comunitaria" surge mas tarde y creo que los primeros en utilizarIa con claridad conceptual son los puertorriquefios, quienes desde mediados de los afios 70 habían desarrollado un campo de trabajo que tenía como raíz y como apoyo a la psicología social, a sus conceptos y a sus teorias, redefinidos, revisados, a la luz de la acción transformadora con comunidades. Quienes en otros países de América Latina iniciábamos para esa época una práctica semejante, no siempre lo hicimos bajo ese nombre. Durante dos o tres afios oscilamos entre la psicología social, a secas, y denominaciones tales como "desarrollo comunal", "desarrollo comunitario", "organiza­ción popular", "psicología comunitaria". En esos primeros momentos no había una clara conciencia de estar generando una rama nueva de la psicología. Se trataba de crear otra forma de reaccionar ante la crisis de una psicología social que cada vez era mas socialmente insensible, que

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dejaba los actores sociales fuera de los procesos de decisión y transformación, como si fuesen meros espectadores de los fenómenos sociales.

Pero ya para 1980 habíamos comprendido que era un nuevo desarrollo, no solamente práctico, sino también teórico - La práctica efectiva produce reflexión teórica; Ia teoria reflexiva produce nuevas prácticas. Como dijo Kurt Lewin, nada hay mas práctico que una buena teoria, lo que podemos complementar diciendo que nada produce mejor teoria que una buena práctica.- Así, al igual que lo venían haciendo en Puerto Rico, este desarrollo tuvo sus bases en la psicología social. Una psicología social sometida a crítica, redimensionada, en la cual los aspectos ontológicos, epistemológicos y metodológicos sufrirían una profunda transformación, a fin de poder responder al reto inicial de su nacimiento: ser una psicología para la transformación social.

Creo que lo que hago es Psicología Social Comunitaria. También es lo que hacen muchos colegas en América Latina, en algunos lugares de EE.UU., Canadá y Australia. Pero al lado de esta tendencia desarrollada en nuestra parte del continente americano, existen otras, mas o menos asistencialistas, complementarias de proyectos institucionales, con énfasis en lo que se ha llamado "Salud mental en la comunidad, y que ha generado, mas recientemente, una línea de "Salud comunitaria"; o bien realizadas desde organizaciones, en organizaciones (en el sentido de instituciones) .

Puede ser mi sesgo, pero creo que para cumplir con la necesidad de ser dialógica, transformadora, unir teoria y práctica, ser reflexiva y cri­tica, incorporar aios actores sociales y a sus formas específicas de conocimiento, debe ser Psicología Social Comunitaria. Con énfasis en ambos aspectos: social y comunitario.
PREGUNTA: Considerando que la Psicología Social Comunitaria surgió en el seno de la Psicología Social, ¿cómo analiza Ud. esa relación? ¿Cuál es la contribución de la psicología comunitaria a la Psicología social? ¿Es ella todavía necesaria?
RESPUESTA: Desde mediados de los afios ' 80 hemos visto surgir desarrollos teóricos en el seno de la psicología social comunitaria. Estos desarrollos responden al conocimiento producido mediante la nueva práctica y al uso de otros enfoques metodológicos (específicamente la investigación-acción participativa). Durante la década del ' 70, se

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produjeron revisiones criticas de teorias sociales y psicosociales, las cuales eran reformuladas a la luz de los procesos comunitarios. Ejemplo de esto son las reinterpretaciones que hacen de las teorias de la atribución, psicólogos como Julian Rappaport o Luis Escovar. Pero había también aspectos originales relativos a la definición del campo y del objeto de esta psicología. Entre ellos es necesario citar los aportes de IR. Newbrough, quien ya desde 1970 anunciaba el carácter holístico de la subdisciplina, y que para fines de los '70 había, junto con su equipo de investigación, construido un enfoque teórico que llamó ecológico-transaccional, en el cual si bien asumía desarrollos psicosociales previos o contemporâneos, ya estaba senalando una vía propia.

Irma Serrano-García y sus colaboradores hacían otro tanto en Puerto Rico, incorporando una lectura crítica, libre, de Lucien Goldmann, de la teología de liberación, del naciente construccio­nismo social (en aquella versión aun a mitad de camino, de P Berger yT. Luckman). Otros coincidimos en hacer otro tanto con los Ma­nuscritos Económicos y Filosóficos de 1844, de K. Marx, con los trabajos de fines de los anos '50 y de los anos '60 y '70, de O. Fals Borda. Y por supuesto, todos incorporamos una lectura psicológica de la obra de Paulo Freire.

Usando los términos de F. Moghaddam, se puede decir que se comienza con un enfoque modulativo, pero que modula teorias sociales o psicológicas de carácter generativo, que pronto pasarán (anos '80) a ser generativas ellas mismas. En efecto, la teoria de las necesidades, la teoria del poder, la noción de compromiso, la noción de fortalecimiento (empowerment), el concepto de comutiidad, entre otros aspectos, van a ser redefinidos en los afíos ' 80 (cf.: Martí-Costa; Serrano-García y López; Rappaport; Lane y Sawaia; Sarason; Wandersman; entre otros). Una corriente que podemos calificar como "ecológico- cultural" y que reúne diversos aportes (Newbrough et al.; Kelley et al.; Rappaport), se perfila claramente en los EE.UU. Y una psicología social comunitaria, que para entonces denominaba como psicología de la acción y transformación social, introduce su sello en la América Latina.

Con los '90, los aportes teóricos de la Psicología Social Comunitaria se muItiplican: una redefinición de la teoría de las minorias activas, vista desde una perspectiva holística y dialéctica (Montem); el concepto de entrega sistemática del conocimiento popular como correlato del de devolución sistemática del conocimiento científico producido en la aplicación práctica (Gonçalves de Freitas); el concepto de episteme po­pular (Moreno), la idea de la ontología de la relación (Moreno; Montero);

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una teoria del liderazgo comunitario (Hernández); del compromiso (Lane y Sawaia; Gonçalves de Freitas; Montero).



Sin embargo, esto no significa abandono de los nexos psicosociales. Las teorias provenientes de ese campo continúan haciendo aportes a la Psicologia Social Comunitaria y continúan siendo revisadas criticamente, con lo cual la reflexión sobre ellas termina en algunos casos por convertirse en enfoque teórico. A su vez, en el campo metodológiço, y a partir del concepto de investigación -acción participativa (IAP) proveni­ente de Fals Borda y de Freire y sus seguidores, la psicologia social comunitaria desarrolla numerosas formas específicas de intervención que modulan sobre esa base y que llevan a revisar y reformular el concepto de participación (Hernández, Montero; Sánchez). Hago hincapié en el origen de esa base, pues a veces se ha acusado, injustamente según creo, a la psicologia social comunitaria y a la psicologia comunitaria en gene­ral, de ignorar los aportes de Kurt Lewin y su labor fundante en relación con la investigación-acción (I-A). Pero basta revisar los trabajos publi­cados en el campo, tanto en América Latina (donde se producen las primeras aplicaciones francamente sociales de ese método), cuanto en el campo anglosajón, para ver que la referencia aI articulo de Lewin de 1946, en el cual habla de la I-A y la describe someramente, son referencia obligada. Pero es en la obra del sociólogo Fals Borda y del educador Paulo Freire donde encontramos incorporada la participación con carácter horizontal, dialógico y de donde la noción de agente o investigador ex­terno (psicólogos, investigadores de fuera de la comunidad) y agente o investigador interno (miembro de la comunidad) como co-participes, va a desarrollarse.

Hay un cierto repetir las criticas que en los afios '70 y a inicios de los '80 se hacían a la IAP, que revela poco conocimiento de lo que se hace desde hace casi 20 anos. Parece ignorarse todo el desarrollo epistemológico de la psicologia social comunitaria en la segunda mitad de los ' 80 y en lo que va de esta década, que es, a mi modo de ver, la principal contribución que está dando la PSC a la PS. Y los origenes de estos aportes están en la constitución misma de la PSC, primero como modo de hacer psicologia y luego como reflexión sobre el conocimiento producido, sobre el modo de producirlo y sobre ia relación entre sujeto cognoscente y objeto cognoscible. Creo que la PSC introdujo,de hecho, un nuevo paradigma en la PS, pues redefinió al sujeto de la psicologia, redefinió el rol de los psicólogos sociales en su trabajo con comunida­des; introdujo la dimensión ética en su definición del otro y redefinió la dimensión política, tradicionalmente vista como una mezcla de activismo

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y partidismo, con mucho de romanticismo revolucionario, que aun cuando era inconsciente de ello, no dejaba de ser clasista. Algo evidente en los afios '60 y '70, cuando se pensaba que los intelectuales "comprometi­dos" irían a iluminar a los oprimidos-alienados, de manera casi "misio­nera".



La PSC ha apartado además la práctica de la perspectiva crítica, si bien es cierto que ya en la PS, para fines de los '70 e inicios de los '80, esa perspectiva estaba instalada (recuérdese a Wexler, a Armstead, o el impacto causado por la obra coordinada por Henriques: Changing the subject, 1984). Actualmente la perspectiva crítica está muy en boga y han surgido inclusive cursos de postgrado en Psicología Crítica (Pe.: Bolton Institute, Inglaterra), pero contrario a lo que parece empezar a plantearse par ahí, no es la psicología crítica la que influye en la PSC, sino que me atreveria a decir que son desarrallos paralelos, en los cuales la PSC hace un aporte a la posición critica. Y es la PSC la que primero se desarrollará como rama independiente del conocimiento psicológico.

A su vez, el procedimiento de la acción-reflexión-acción y la necesidad de construir un marco conceptual y teórico en el cual integrar las explicaciones e interpretaciones que la práctica exigía, ha sefialado los excesos del realismo, del relativismo, del dualismo y de la prapia PSC. Ha demostrado la transitoriedad de las teorías y, a la vez, su necesidad, a la vez que ensefia la modestia y la precaución necesarias unidas a la asunción de riesgos.


PREGUNTA: ¿Cuáles son los autores y obras de referencia, hoy, en psicología comunitaria?
RESPUESTA: Si debo hacer una lista de autores y de obras de referencia, pienso que pecaré por omisión. Hay muchos aportes. Hay una creciente producción de artículos y de libras en el campo de la PSC y el de la PC (sobre todo en el ámbito anglosajón) . No obstante, debo decir que faltan obras, particularmente en el ámbito latinoamericano. Me gustaría ver trabajos de síntesis, pues hay múltiples aportes analíticos, pera muy pocos estudios sobre esos análisis y descripciones. O varios buenos libros de texto, a pesar del temor que me inspira la tendencia codificadora que a veces reside en ellos. Por otra parte, algunas de las obras mas inspiradoras no han sido escritas dentro del campo propio de la PSC.

De 10 hasta. hoy publicado, creo que la obra coordinada por Irma Serrano-Garcíay Wayne Rosario Collazo (1992), es una excelente

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co1ección en la cua1 se pueden encontrar acuciosos artículos tanto teóri­cos y metodológicos como descriptivos de acciones específicas. La obra de Wiesenfe1d y Sánchez (1995) suministra buena información sobre las tendencias desarrolladas en la PSC Iatinoamericana. La compi1ación de ReginaHelena Freitas Campos (1996) discute igualmente, interesantes aspectos conceptuaIes, teóricos y prácticos. Mi propia recopi1ación (1994) incorpora trabajos de colegas latinoamericanos que constituyen impor­tantes aportes teóricos y metodo1ógicos. En los EE.UU., un medio mas rico en pub1icaciones sigue destacando la obra de Newbrough, de Rappaport (su Handbook of Empowerment Studies, es una obra de base para el estudio del fortalecimiento), la de Kelley (hay una traducción castellana en Argentina, de algunos artículos suyos y de personas que siguen su linea, acompanada de una acuciosa introducción histórica hecha por Emique Saforcada,). También una obra como la recopilación publicada por la A.P.A., a cargo de Tolan, Keys, Cherton y Jason (Searching Comunity Psychology. Issues of Theory and Methods. 1990), contiene artículos de interés. De los manuales sobre "Community Psychology" de los afios '70, creo que el mejor fue el de Rappaport. En el no sólo se definia con claridad el campo, sino que se hacia ya un aporte teórico, se fijaba una linea y se establecía un estilo de acción.

En Espana se comienza a publicar sobre un campo afin a la psicología comunitaria, la intervención comunitaria y la intervención psicosocia1, pero' se trata de una línea distinta a la desarrollada en América Latina, mas cercana a la psicólogía de orden institucional dirigida a prestar servicios a la comunidad, entendida ésta en sentido muy amplio, como grandes sectores de población. De lo publicado hasta ahora alli, me pa­rece que la obra de Sánchez Vidal y Musitu (1996) es la mas completa.

PREGUNTA: ¿Cómo trazaría Ud. el mapa de las divergencias epistemo­lógicas fundamentales existentes en este campo, en la actualidad?

RESPUESTA: Creo que la principal divergencia epistemológica existe entre la posición latinoamericana de acción y transformación social y la posición asistencialista muy expandida en la mayor parte de Estados Unidos y ahora en Europa. No se puede hacer psicología social comunitaria para el cambio social, excluyendo a los sujetos de ese cam­bio. El cambio se puede decretar, pero de alli a que ocurra concretamen­te, a que penetre y sea asumido por los sujetos a los que está destinado o que se supone que' deben ser sus beneficiarios, eso es otra cosa.

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Moghaddam y Crystal (1997) en un interesante artículo publicado en el Journal of Polítical Psychology, seiíalan que el cambio social es mucho mas rápido en el nivel institucional que en las personas, y que por lo tanto su ritmo tiene la velocidad de la aceptación de las modificaciones o transformaciones, por las personas. Igualmente, sabemos que si no hay participación comprometida de las personas que forman una comunidad, las acciones o proyectos se mantendrán sólo en la medida en que sean impulsadas y financiadas por los agentes externos, pero que al salir estos, caerán por falta de mantenimiento, apoyo y acción de las comunidades que no los hicieron suyos. También sabemos de la dificultad en extinguir ciertas conductas profundamente arraigadas en una pobla­ción. Pueden ser prohibidas, castigadas, se puede borrar su mención, no hablar de ellas y aun así conservarse en la memoria colectiva, mantenerse ocultas pero vivas, esconderse en prácticas aceptadas.

Entonces, lo que pareciera sólo una diferencia práctica es en realidad un profundo sisma epistemológico, pues se refiere a una concepción del sujeto, a una concepción de la producción del conocimiento y a una concepción de la relación entre ambas y del paradigma mismo que sus­tenta a una y otra posición. Desde sus inicios, la PSC hadefinido sus principios fundamentantes: Se parte de una concepción del sujeto como actor social, constructor de su realidad; de una relación entre dos sujetos igualmente activos: uno externo, el o la investigadora de fuera de la comunidad, y otro interno: las personas de la comunidad con sus diver­sas formas y niveles de participación. Y ambos poseen formas de conocimiento necesarias para producir la transformación: el conocimiento científico y el conocimiento popular. Y el error, como el acierto, pueden estar en ambos. Y las decisiones en cuanto a modos y rumbos que tome la investigación no son ya coto exclusivo de los agentes externos, sino que tienen como centro a la comunidad, si bien no excluyen a los/as psicólogos/as. Y el conocimiento que se produce en esa relación pertenece a ambos. Mas aun, la prueba última de la eficiencia del trabajo psicosocial estará dada por el hecho de que los agentes externos (psicólogos) sean innecesarios, ya que su función es catalizadora y facilitadora, no de experto director, ni tampoco de benefactor.

Esta diferencia se muestra de variadas maneras. Si analizamos la producción publicada hasta el momento en uno y otro campo, algo que resalta es que la reflexión epistemológica es evidente en la PSC de orientación transformadora y crítica, pero no en la de corte asistencialista. Sólo hay reflexión sobre el sujeto en el primero de esos campos. Sólo hay elaboración teórica y conceptual sobre la relación entre sujeto y

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objeto de conocimiento en ese campo. Yeso me parece natural, pues sólo cuando aceptamos que hay un Otro respondi ente, independiente, podemos pensar en ese otro, en nosotros, en yo, en mi y en lo que nos une, nos separa, nos incita a indagar y a relacionamos para lograr cosas en común. De otra forma solo hay nosotros y ellos: los otros que no son como nosotros, a quienes falta algo o sobra algo, y cuya diversidad debe ser corregida desde nuestro punto de vista. Aun con las mejores intenciones, siempre hay un algo (o un mucho) de exclusión, de separación. No puede haber diálogo, ni relación horizontal en la posición asistencialista, aun cuando haya compasión y buena voluntad. Esto también ocurría con las posiciones "iluministas" en las cuales se veía al agente externo como un iluminador de masas o de grupos ignorantes y carenciados, que llevaban muchas veces a que ese agente externo confundiera surol con el de un activista, perdiendo definición profesional, o bien con el de un misionero llevando la buena nueva a los paganos. Y nuevamente, en la base lo que hay es una noción de desigualdad: el agente externo posee la verdad, el conocimiento. Los miembros de la comunidad no los tienen. Esta, como he dicho, es en el fondo una visión clasista. Y es también una visión separatista, que mantiene las diferenci­as, al sustentarse en ellas.

Es interesante ver que en este sentido no podemos aceptar en la PSC las concepciones paradigmáticas basadas sólo en las dimensiones ontológica, epistemológica y metodoIógica, a la manera de lo que platearon Lincoln y Guba en 1985 (Naturalistic Inquiry). Para la PSC, un paradigma tiene dos dimensiones mas: la ética, que está directamente ligada a la definición del otro y al respeto por el, que supone también el respeto por si mismo, y la política, que introduce el carácter público de la finalidad de la acción. Y no menos interesante, apasionante diria, es la actual discusión y producción sobre lo que podría definirse como una ontología y quizás una epistemoIogía de la reIación, que a partir de aIgunos filósofos de la liberación (DusseI, Scannone) y otros filósofos a secas, tales como Levinas y Buber, se comienzan a plante ar en América Latina (Moreno, 1993; Guareschi, 1996; Montero, en prensa).

Dicho esto, debo agregar que la preocupación epistemológica no es lo mas frecuente. La mayoría de los autores suele preocuparse mas de los aspectos metodológicos, procedimentales, o teóricos que de las relaciones de producción del conocimiento. Esto lleva a la adopción implí­cita de posiciones epistemológicas y ontológicas, sin ningún cuestionamiento o reflexión sobre ellas. Cuando la psicología comienza a indagar en esos campos, empieza a ser y a hacer un poco filosofía. Si

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bien la psicología suele detenerse en los procesos mediante los cuales la persona produce el conocimiento, se relaciona con el otro, seconstruye a si misma y construye o destmye a ese otro.

PREGUNTA: ¿Cómo evalúa Ud. el proceso de institucionalización y legitimación, por el Estado, de la PSC?


RESPUESTA: Creo que ese proceso no es de ninguna manera homogéneo y que hay profundas variaciones entre regiones y entre países. Por ejemplo, en Venezuela, en los anos 70, hubo un intenso movimiento dirigido a la comunidad desde el Estado. La política gubemamental tuvo una fuerte orientación hacia Ia incorporación de Ias comunidades. Fue una época de gran riqueza para Venezuela, que permitió la generación de muchísimos programas de corte "comunitario". Se crearon instituciones gubemamentales como Fundacomún (una organización de ayuda a Ia comunidad) y Fundasocial (institución para ayuda social), que disponían de abundantes fondos. Esto se tradujo en planes de "remodelación de barrios (marginaIes)", de "desarrollo comunal", de "organización comunitaria", de cooperativismo, que a Ia vez que creaban una cierta conciencia comunitaria, también generaban un creciente clientelismo político. Pero al mismo tiempo, comenzaron a surgir organizaciones no gubemamentaIes, que también recibían subsidios del Estado, así como de organismos internacionaIes, y que promovían igualmente el comunitarismo como movimiento social destinado a la transformación del propio ambiente y al mejoramiento de la calidad de vida. Algunas de esas organizaciones todavía existen y han cumplido una intensa y fructífera labor, a la vez que han crecido y se han diversificado. Otras desaparecieron. Del impulso comunitario estatal es muy poco lo que queda. La política neoliberal barrió con las políticas sociales que entonces sustentaban esas tendencias de desarrollo social, si bien una comunidad autogestora pareceria algo que a prímera vista encajaria muy bien den­tro del nuevo modelo, al menos en su capacidad de gerenciar su propia transformación.

A partir de esta experiencia, la evaluación que puedo hacer es doble:

Por una parte creo que hubo, con todos sus defectos y limitaciones, una educación comunitaria difusa, que aun pervive y facilita ciertas formas de acción comunitaria y ciertos movimientos de fortalecimiento y desarrollo de la sociedad civil. De hecho, esa política tuvo un efecto positivo sobre la emergente sociedad civil venezolana, al hacerla cons-

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ciente de si misma y de sus posibilidades. El Movimiento de Integración de la Comunidad (ahora desaparecido), la Escuela de Vecinos (aun exis­tente), las Asociaciones de Vecinos, surgen en ese momento y con altos y bajoshan cumplido una función de defensa de los intereses colectivos frente a un Estado muchas veces abusivo, a la vez que ensenaron que el espacio político era mas que un espacio partidista. Sus limitaciones residen en su propia vulnerabilidad a la penetración de los partidos polí­ticos, con la consiguiente conversión en reproducciones a escala de lo que ocurre en otros ámbitos de lo público. Igualmente, un efecto perver­so ha sido eI surgimiento de asociaciones que se unen para la privatización del espacio público (cierre de calles, por ejemplo), ganando para si una cierta seguridad, pero reduciendo la libertad. La otra evaluación es ne­gativa, en cuanto se aumentó el clientelismo político, pues la política de mejora de barrios pasó por la administración de ingentes recursos distribui dos en muchos casos como prebendas partidarias, del partido político en posición de poder.



En los casos en que se legitima a la PSC, institucionalizándola, si bien se fortalecen ciertas organizaciones, logrando en el mejor de los casos dar mejores servicios, al mismo tiempo, si no se adopta una pers­pectiva participativa, se incrementará la dependencia y pasividad de las personas, disminuyendo su capacidad de organización social y reforzando un tipo de relación en la cual el individuo se enfrenta sólo a la institución, sin organizaciones intermedias en qué apoyarse que faciliten la tarea de la institución y den sostén a la persona. Se contribuye asi a reforzar el individualismo aislante y se debilitan las redes sociales. Esas redes, por el contrario pueden ser de gran ayuda para las instituciones de servicio público (hospitales, escuelas, centros de recreación, bibliotecas, etc.), llegando a constituir extensiones de ellas en la comunidad, a la vez que introducen los puntos de vista y la ación de la comunidad en las instituciones.

Y como he dicho antes, la posición de la PSC tiene un carácter Iiberador, en el sentido de fortalecer a la persona dentro del escenario de los grupos organizados en una comunidad, y también en la periferia o área de influencia de esos grupos, y de colocar en la comunidad el cen­tro del control de sus decisiones y actos, y del poder de llevarlos a cabo y de negociar para lograrlo. Un sujeto pasivo, que recibe beneficios de­cididos fuera de su control, que aun cuando sean un servicio público le son otorgados en función de una lógica, de unas normas y de unos rituales (burocráticos) cuyo sentido se le escapa y le supera, es exactamente lo contrario de lo que plantea esta rama de la psicologia. Seria mas de lo

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que hasta ahora ha dominado no sólo el campo de la psicología, sino asimismo, la relación entre ciudadanía y Estado, en la mayor parte del mundo. Es también dialógica, lo cual supone interacción, intercambio, diálogo y no un monólogo directivo que va en una sola dirección. En este sentido decimos que la PSC es también una forma de psicología política pues supone un desarrollo de la ciudadanía, de la sociedad civil.

PREGUNTA: ¿Cuál es el futuro de la ensenanza de la PSC? ¿Cuáles son las cualidades necesarias implicadas en la formación de un psicólogo social comunitario?
RESPUESTA: El futuro parece presentarse promisorio y además ya está ocurriendo, ya está convirtiéndose en presente. Los cursos con esta orientación están aumentando. En Colombia, en México han sido creados o están en proceso de crearse cursos de maestría y de doctorado en psicología comunitaria. Y a su vez, cursos de postgrado en psicología social (maestrías, doctorados) han comenzado a abrir salidas en PSC, tal ha ocurrido con la Maestría en Psicología Social de la Universidad Cen­tral de Venezuela, y con la recientemente creada Maestría en PS de la Universidad Nacional de Mar del Plata. Otro tanto se está intentando hacer en la Universidad Nacional de Rosario, en Argentina. En Estados Unidos, donde ya existían tales cursos, en algunas Universidades de prestigio se ha introducido esta línea. Y por supuesto, continúan existiendo la maestría y el doctorado de la Universidad de Puerto Rico. En 1996 dicté un curso de PSC en el Doctorado en Psicología de la Universidad Autónoma de Barcelona, en Espana, y en el nivel de la licenciatura (pre­grado), en esa misma Universidad, ai igual que en la Autónoma de Madrid se ha incluido la asignatura, ensenando sus diversas variantes, como ocurre en numerosas Universidades de la América, no sólo Latina, sino también anglosajona.

Creo que es previsible ver un aumento de cursos de postgrado en PSC y también en PC en general, en los próximos anos. Hay una deman­da creciente por los servi cios de psicólogos sociales comunitarios, para trabajar tanto en instituciones gubernamentales como no gubemamentales y en organizaciones privadas. La decisión política, religiosa o ética de muchos psicólogos y psicólogas comunitarias los ha llevado hasta abora, a privilegiar el trabajo con comunidades de bajos recursos, pobres o carenciadas en algún sentido; sin embargo, no es ese el único ámbito de acción de la PSC, comunidades con otros niveles socioeconómicos,

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organizaciones empresariales, están demandando los servicios de este tipo de profesional.

En cuanto a las cualidades necesarias implicadas en la formación de un psicólogo social comunitario, creo que la pregunta puede responderse en dos sentidos: las que se necesita para llegar a serlo, las necesarias para ensenar a serlo. En el primer caso, aparte de aquellas que todo estudiante necesita, en mi experiencia docente he decidido privilegiar una en particular: el compromiso. Esto supone una formación ética (trabájese con quien se trabaje), que lleva a una concepción respetuosa del Otro y de si mismo. Es saber a quien deseamos prestar nuestros servicios, quien los necesita, con qué grupos y comunidades deseamos y debemos, como profesionales, trabajar. Para qué queremos hacerIo. Cuál es nuestro deber como profesionales, para con las personas que solicitan nuestros servicios y cuál es nuestro deber con nuestra propia comunidad científica. Creo que esto es fundamental y se también, que no es fácil desarrollarlo. Pero en mi práctica docente trato de poner ese aspecto en claro desde el inicio del curso, e incluso, dado que en la Escuela de Psicología de la Universidad Central de Venezuela, donde soy docente e investigadora, la PSC es una asignatura optativa dentro de la cátedra de Psicología Social Aplicada, si un estudiante no siente el compromiso necesario para trabajar con las comunidades con las cuales realizamos nuestras tareas, le doy la oportunidad de cambiarse a otra de las asignatu­ras que ofrece esa cátedra.

Para que esto sea posible, en el primer mes de c1ases trabajamos aspectos éticos y conceptuales de la PSC y sólo después comienza la familiarización mutua de estudiantes y comunidad, para la cual, si es posible, invitamos a personas de los grupos organizados de la comunidad a que vengan a nuestras aulas a hablar de sus problemas y de las soluci­ones que han implementado o desean llevar a cabo. Y luego comienzan las visitas y contactos con la comunidad.

Lógicamente, es necesario estudiar, leer, reflexionar sobre lo leído, vivido y hecho, pero lo fundamental es la concepción dialógica, hori­zontal, democrática, del otro. Y eso es algo que no se expresa en las respuestas a un examen o en el discurso intelectual del aula de clases, pero que se transparenta y es evidente en como nos relacionamos con esos otros que integran una comunidad, en cómo trabajamos con ellos, planificamos con ellos, analizamos, discutimos y reflexionamos con ellos. El tono de la voz, la postura asumida, el interés manifestado, Ias preguntas que se hacen, dicen mas que cien elaborados discursos llenos de las palabras "correctas" y de las citas "adecuadas". Lo que mas detesto (y

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me excuso por personalizar el punto, pero así es), es el autoritarismo encubierto y la hipocresía. Las posiciones oportunistas de quienes se acercan a una comunidad para obtener un beneficio, congraciándose ahora para luego desaparecer con su botÍll de datos o de conocimientos. A eso lo llamo "investigación extractiva".

¿Qué hay que tener entonces para ensenar PSC? Exactamente lo mismo que pedimos a nuestros estudiantes. Y además paciencia y experiencia, pues es necesario saber calmar la ansiedad de los estudiantes cuando las cosas que se esperan no suceden, como en la investigación tradicional, cuando se las "planifica", sino cuando las comunidad está lista para llevadas a cabo, pues las comunidades tienen su tiempo, que es diferente del tiempo de las investigaciones académicas. Por eso es necesario prever formas de "cierre", de evaluación, que permitan a los estudiantes, sujetos a los lapsos universitarios, poder poner un fin a su parte del trabajo, comprendiendo que la vida de la comunidad sigue en otro ritmo. Y es necesario también ensenarles que el/la psicóloga comunitaria debe prepararlo todo, pensar en todo, para poder improvisar de acuerdo con la comunidad. Que realmente se investiga en la acción, con la participación interventiva de personas de las comunidades. Es decir, entender que hay limites a su práctica y, como 10 plante aba Fals Borda en 1981, que se debe ser modesto, pues no se produce conocimiento sólo en el campo de la ciencia, ni hay conocimiento, por pequeno que sea, que no sea útil.

PREGUNTA: ¿Cuál es el futuro de la práctica de la PSC?


RESPUESTA: Me inclino a pensar que irá en aumento. Y esto lo funda­mento en el hecho de que cada día veo mas oportunidades de trabajo, al menos en mi país, para los psicólogos comunitarios. Ya aparecen anuncios en los diarios solicitando psicólogos especializados en el trabajo con comunidades, a los cuales se ofrecen sueldos competitivos. Y lo mas interesante es que se exige la formación específica. No se trata como he visto muchas veces, de una etiqueta, en la cuallo comunitario puede ser cualquier cosa.

Si queremos hacer prospección sobre este campo, podríamos pensar en que la orientación de la psicología comunitaria, esa ética de la relación y del respeto del otro, el trabajo entendido como co-participación en situaciones de grupos comunitarios, pasará a ser visto no sólo como una posibilidad, sino como una necesidad para el desarrollo no sólo económico

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y social, sino también político de la ciudadanía. Y en tal sentido, nuevos espacios se abrirán a la práctica comunitaria. Actualmente podemos ver cuatro grandes espacios delimitados con cierta claridad: la organización y desarrollo de las comunidades; la salud comunitaria; la participación comunitaria en la educación; el enfoque comunitario en las organizaciones. Creo que proximamente veremos el desarrollo de una política comunitaria. Y por otra parte, el enfoque asistencialista, igual­mente, por reflejo de lo que ocurre en la PSC y por exigencia social, igualmente mantendrá su demanda de prácticas comunitarias (psicologia en la comunidad, psicologia para la comunidad, como dice Maria de Fátima Quintal de Freitas). Recientemente he leido un interesante articulo (en vias de publicación), de Mariane Krause, en Chile, don­de señala como el movimiento comunitario en su país está derivan­do de una PSC orientada en sentido liberador, hacia una de carácter asistencialista. Por otra parte, en los EE.UU. hay una corriente cada vez mas fuerte en pro de la PSC liberadora, a la manera que es hecha en América Latina.

PREGUNTA: En relación con la emergencia de los fundamentalismos y localismo, regionales y étnicos, los valores éticos que nortean la PSC, especialmente la solidaridad y el comunitarismo, no favorecerian las comunidades apartheid?
RESPUESTA: Ese peligro está presente independientemente de la pre­sencia de la PSc. EI apartheid no es un movimiento que surja dentro de las comunidades, sino una imposición hecha desde una mayoria domi­nante (grupo que ejerce el poder asimétricamente en función de su control de los recursos), sobre una minoria oprimida, a la cual se excluye, e incluso recluye en âmbitos específicos. La solidaridad y el comunitarismo se dirigen a lograr una participación equitativa en los bienes sociales. Las comunidades son parte de una sociedad mayor, algo que no se debe olvidar. Y sus necesidades e intereses se relacionan con los de esa sociedad. La conexión política de la psicologia comunitaria destaca su carácter democratizador, fortalecedor de Ia sociedad civil, que desarrolla ciudadanía. No se trata de generar acciones aisladas que llevan a una autosuficiencia que corta nexos con la sociedad. Se trata de obtener el goce cabal de los derechos ciudadanos, sin olvidar el cumplimiento de los deberes correlativos.

Los fundamentalismos, los regionalismos separatistas, no necesaria-

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mente pasan por el comunitarismo y ciertamente no parecen orientarse por una concepción ética liberadora del otro y del si mismo. Dicho esto, podría pensarse que dentro de tales movimientos cabrian organizaciones comunitarias, ajustadas a los objetivos y credo de la sociedad mayor. Pero, ciertamente, no hay que pensar que los principios orientadores de la PSC estén siempre presentes en toda ación comunitaria. También pueden haber efectos perversos, como el que antes he descrito, en el cual buscando seguridad y tranquilidad, una comunidad impide ellibre tránsito de los demás ciudadanos por calles que son espacios públicos. Alli podemos ver la aplicación de procedimientos cooperativos con una lógica individualista. Sin embargo, la presencia de tales efectos debe llevar a correcciones del modelo, no a la parálisis ni a desecharlo, pues allado de esos excesos, están los efectos positivos del fortalecimiento ciudadano


PREGUNTA: ¿En qué sentido se puede hablar de comunidad, teniendo en cuenta el individualismo dominante en las grandes metrópolis, in­centivado por una tecnología que coloca la tela [ESTA EXPRESION NO LA ENTIENDO BIEN] como mediación de las relaciones de los individuos entre sí y con el mundo?


RESPUESTA: Aunque siempre afirmamos que la vida social es dinámica, pareciera que terminamos reduciéndola siempre a algunos de sus aspec­tos. Quizás esto se debe a nuestra necesidad de simplificación para faci­litar la comprensión de algo tan complejo. Individualismo y colectivismo han convivido siempre. Según las circunstancias históricas y culturales puede predominar uno u otro, pero los dominios absolutos no existen en la vida social. Si así fuese seria estática, no habria cambios sociales. Y si de algo podemos estar seguros es de que los habrá. Todo se transfor­ma. Nuestra utopía como agentes de cambio social es la de imprimir una dirección específica a esas transformaciones, en tal sentido que favorezcan a todos y logren la mayor igualdad posible en el goce de beneficios públicos y en la capacitación de todos para obtenerlos.

La orientación sociocultural e histórica hacia una u otra tendencia, puede facilitar u obstaculizar el trabajo comunitario. En las sociedades latino­americanas me parece que hay una orientación mas colectivista y por ello me parece que las personas comprenden con mayor rapidez los beneficios de unirse para lograr algo que beneficie a todos. En países europeos me parece que esto es mas dificil. Dictando un curso de PSC en el Doctorado en Psicología de laUniversidad Autónoma de Barcelona, en 1996, me

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encontré con una expresión de esto: la dificultad para los estudiantes de comprender el concepto y el sentido de comunidad; su dificultad para identificar comunidades en su entorno y, el temor a la pérdida de la individualidad en la pertenencia y reconocimiento de una comunidad. Es decir, la comunidad vista como algo temible, invasor de la privacía, uniformador, anulador de la persona. Creo que por esa razón lo que en Europa se llama comunidad responde a un criterio diferente de lo que en América denominamos así. Comunidad en muchos programas europeos es lo colectivo en general, o lo extrano: los gitanos pueden tener comunidades, pero no los buenos ciudadanos definidos de acuerdo a alguna norma, que creen comunicarse directamente con el Estado a través de sus instituciones. Quien apela al sentido de comunidad o es, o termina siendo un disidente, un contraventor.

PREGUNTA:La muerte dei sujeto en las teorias modernas y la disolución sociológica de la clase trabajadora como sujeto de historia ¿afecta la idea de comunidad como espacio de transformación social y como utopía social?
RESPUESTA: De mis anteriores respuestas se puede desprender que no es así, puesto que la comunidad no es un fenómeno restringido a las clases trabajadoras. La Escuela de Vecinos, en mi país, es una creación de la clase media alta, que ha prestado sus servicios a todos los niveles socioeconómicos. El movimiento vecinal, tan activo y eficiente en muchos casos, se manifiesta en la clase media al igual que en sectores de muy altos ingresos y en barrios obreros ymarginaIes, además de sectores campesinos. Creo que la elección ética que hemos hecho muchos psicólogos y psicólo­gas comunitarios de trabajar con personas de bajos recursos, ha generado la creencia de que esta es una psicología que sólo se aplica en ese ámbito. Pero no es así. El movimiento comunitario es mas extenso. Por esa razón sus expresiones son muy variadas y puede generar incluso respuestas paradójicamente individualistas. de un individualismo comunitario, valga decir.

PREGUNTA:Una experiencia significativa en psicología comunitaria?


RESPUESTA: Hay tantas. En Rosario, Argentina, la labor desarrollada por el Centro deAsistencia a la Comunidad en la cual vecinos, estudiantes

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y psicólogos trabajan en la solución de problemas comunitarios, es un buen ejemplo. La Escuela de Vecinos, en Venezuela, que antes he men­cionado, provee adiestramiento en cuatro áreas: organización comunitaria, comunicación, conocimiento de leyes y rescate y fomento de la cultura popular. Ese es otro buen ejemplo. Su uso de los medios de comunicación ha sido óptimo. La experiencia de autoconstrucción comunitaria asistida por Euclides Sánchez y Esther Wiesenfeld y realizada por los vecinos de CasaIta III en Caracas, es un relato de éxito: de ser marginales cuyas cabanas desaparecieron ai haber un deslizamiento del cerro en que estaban construidas, los miembros de esa comunidad en el lapso de diez afios pasaron a ser propietarios de apartamentos en edificios construidos y disefiados por ellos. Ellos negociaron a ayuda gubernamental, a supervisaron, defendieron sus derechos y hoy viven en el lugar que sofiaron.

Este es un excelente ejemplo. El Grupo Social CESAP (Centro ai Servicio de la Acción Popular), un conjunto de organizaciones no gubernamentales, también en Venezuela, trabaja con exitosas empresas comunitarias rurales y urbanas en diversas zonas del pais. En Costa Rica, los campesinos de la Bahia de Pavones han logrado hasta ahora impedir el despojo de sus tierras, enfrentándose organizadamente a po­derosos intereses económicos. En mi propio trabajo, como psicóloga comunitaria he tenido muchas satisfacciones provenientes del trabajo con comunidades que se han organizado para transformar su ambiente. Desde 1990 trabajo predominantemente en San José de La Urbina, un barrio de 25.000 personas, obreras, en el cual grupos comunitarios orga­nizados vienen trabajando desde hace mas de veinte afios y han logrado crear una biblioteca-ludoteca, un dispensario de Salud, un Centro de salud y ahora construyen otro nuevo, además de las múltiples acciones llevadas a cabo para mejorar la educación y sanear el media ambiente. Esta es una pregunta sin fin, con una respuesta sin fino Hay muchas experiencias comunitarias exitosas. América está llena de ellas.

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AUTODESCRIPCIÓN DEL SELF EN EL TST:

POSSIBILIDADES Y LÍMITES

Núria Codina

RESUMO: Este trabalho esclarece como o TST (Twenty StatementsTest) de Kulm foi concebido, quais são suas principais vantagens e inconvenientes, em que âmbitos sua aplicação é valorizada e quais as perspectivas que o instrumento possui. Destacam-se assim vários aspectos teóricos que incidem na elaboração do instrumento e nos sistemas de codificação das respostas. Aponta-se, entre os inconvenientes, que a análise das respostas, de Kulm e seus seguidores, geralmente simplificam e distorcem a realidade registrada; e entre as suas vantagens está a de que, ao ser minimamente estruturado e pedir como respostas auto descrições narrativas, o TST supera em certos aspectos os instrumentos estruturados e não estruturados. A respeito das aplicações, observa-se que as características estruturais do instrumento são valorizadas nos estudos comparativos do self, transculturais e longitudinais. Finalmente, considera-se que as possibilidades da prova dependem da coerência entre o registro, a análise das respostas e os objetivos do estudo. Em particular, e com vistas ao futuro, explica-se que o TST é um instrumento moldável que pode registrar características específicas do self sem renunciar a suas vantagens de teste minimamente estruturado e que as autodescrições refletem aspectos da complexidade do self ainda não investigados.
PALAVRAS-CHAVE: Self, TST (Twenty Statements Test), psicologia social, subjetividade, análise qualitativa.

INTRODUCCIÓN


En la investigación del self, una de las primeras aproximaciones que se propuso formalizar las relaciones entre la teoria y el análisis empírico es la elaborada por Manford Kuhn. La prueba que diseñó para estudiar el self, la conocida por las siglas TST (Twenty Statements Test), ha sido considerada la aportación más influyente en el estudio del fenómeno1.

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Una muestra de tal influencia lo constituye el hecho de que, ya en 1958, cuando sólo contaba con ocho afios de existencia, la prueba nacida en la Universidad de Iowa captó la suficiente atención para que en el encuentro de la American Sociological Society se dedicara una sección al estudio del self bajo el título "Iowa studies of self attitudes"2.

Sin embargo, el impacto de la aportación de Kuhn en el campo de la literatura psicológica es más bien modesto. Esto, además de poderse argumentar por el predominio de unas orientaciones teóricas no coinci­dentes con los planteamientos del autor, se explica fundamentalmente por otros dos motivos. Uno es que muchas investigaciones no han sido publicadas, como es el caso de las Tesis Doctorales defendidas en la Universidad de Iowa Y otro motivo es que la mayoría de los trabajos han aparecido publicados en una revista más consultada por cierto sector de sociólogos que por psicólogos, The Sociological Quarterly3.

Pero las deficiencias en la difusión y en el interés por consultar los trabajos desarrollados en torno a esta metodología no ha quedado en un simple desconocimiento de la técnica, de las bases teóricas que la sustentan o de las constataciones que se han derivado a partir de sus aplicaciones. Las consecuencias de esto son que existen interpretaciones poco fundamentadas sobre las cuestiones conceptuales (éstas las consi­deraremos enun próximo trabajo) y se tiene un conocimiento confuso sobre la técnica de Kuhn. Las inexactitudes más frecuentes son las rela­tivas a: las instrucciones que encabezan la prueba; el tiempo fijado para responder al cuestionario; la categorización de las respuestas; las bases teóricas en las que se apaya el instrumento; o, las aplicaciones de la prueba.

Teniendo en cuenta el estado actual de conocimientos sobre el planteamiento de Kuhn, consideramos necesario aclarar sus orígenes, límites y posibilidades.

EL ENFOQUE DE M. KUHN


En los intereses y planteamientos científicos de Kuhn confluyen las influencias de distintos científicos sociales que conoció, a través de seminarios y grupos de discusión, mientras era estudiante de la Universidad de Wisconsin. Spitzer, Couch y Stratton4, autores de una monografia sobre la investigación del self en la tradición de Kuhn, consideran que Young, le alejó de los principios de conducta sostenidos por la psicología dominante en la época y le aproximó al interaccionismo

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simbólico; Stouffer y Ross, respectivamente, le aportaron las nociones de indicador simbólico y estatus, que serán elementos destacados en su teoria del self, y, Linton, le llevó a apreciar la importancia de las relaci­ones entre cultura y personalidad, así como del proceso de socialización, las cuales también inciden en su concepto de self. Además de la influen­cia que ejercieron estos y otros autores, en los planteamientos de Kubn también fueron relevantes sus experiencias prácticas en el âmbito del counseling en California e Iowa y sus estudios sobre la organización del grupo religioso "Old Order Amish" de Iowa.

Así, en uno de sus primeros trabajos científicos, su tesis doctoral (1941), Kuhn analizó ya desde el interaccionismo simbólico las aportaciones de George H. Mead, Cooley y Dewey. Pero su aportación más importante al respecto la desarrolla apartándose de algunos planteamientos básicos de esta corriente.

A este distanciamiento contribuye el hecho de que cuando Kubn in­vestiga la posibilidad de operacionalizar el self y crear un instrumento para medirlo empíricamente, esta posibilidad no se contempla en los análisis del self que se promueven desde del interaccionismo simbóli­cos. Pero Ias divergencias no se limitan a la forma de aprehender el fenómeno. De acuerdo con los objetivos de este trabajo observamos que las discrepancias afectan a cómo conciben la ciencia y el self. Kuhn defiende una ciencia que dé cabida a una investigación empírica que pernúta contrastar los desarrollos especulativos y deductivos, y, de esta forma, superar el problema deI escaso consenso en Ia formalización que precede a los estudios empíricos del interaccionismo simbólico. Por lo que se refiere a la noción de self, mientras Khun sostiene que éste tiene una consistencia derivada y mantenida en las afiliaciones sociales, des­de el interaccionismo simbólico se enfatiza el carácter procesual y flui­do del fenómeno6 .

Dado que Kuhn es partidario de un modo de entender e investigar el self que no es asimilable con los puntos de vista de sus antecesores, en su modelo explicativo utiliza las expresiones de "otros orientacionales" y "yo". El "otro" del interaccionismo simbólico, siguiendo a Mead, está ubicado en un rol y una situación específica. En cambio, los "otros orientacionales" (los contemporáneos, los presentes, los ausentes, los pasados, los próximos, etc.) tienen un carácter biográfico, establecen con el sujeto una relación emocional y psicológica básica; le proporcionan su vocabulario (conceptos, categorias y roles más generaIes) y le ayudan a mantener o a cambiar su "yo" a través de la relación comunicativa que mantienen con él7 . De este modo, Kuhn ve el self como una estructura

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integrada por identidades nacidas de los roles y los estatus, los intereses y las aversiones, las autoevaluaciones, etc.

De acuerdo con estas premisas teóricas, poco después de su llegada a la Universidadde Iowa (1946), Kuhn realizó repetidas observaciones sobre la organización de la personalidad y la intemalización de roles y estatus de los miembros de la "Old Order Amish". Paralelamente, medi­ante el análisis de contenido estudió las narraciones autobiográficas y autodescriptivas de sus alumnos. A partir de estas exploraciones, en 1949, adoptó una postura intermedia entre la entrevista informal y las pruebas de personalidad de respuesta abierta y cerrada (por ejemplo: Rorschach, TAT, completamiento de frases, o, MMP1) y elaboró un cuestionario con 13 ítems que hacían referencia a los roles desempenados y las orientaciones de valor.

A través de preguntas como "What Person Would You Most to Be Like?", el cuestionario imponía cierta estructura en los estímulos y minimizaba la restricción de respuestas posibles. Unos meses más tarde, en la primavera de 1950 solicita a sus alumnos que escriban narraciones como respuesta a la pregunta "Who Are You?". Con estas descripciones, entre las que se encontró con una que llevaba el título "Who Am I?", analizó las dimensiones o temas que contenian los escri­tos. Una dificultad que experimentó en este procedimiento era deter­minar las unidades de análisis a partir de las autodescripciones, pues dichas unidades podían ir desde simples palabras a párrafos. Para dar solución a este problema sin renunciar a la aproximación narrativa, consideró que el sujeto puede describirse a sí mismo a través de veinte respuestas separadas. Después de estas pruebas preliminares, finalmente en octubre de 1950 administró por primera vez la prueba denominada Twenty Statements Test, más conocida por las siglas TST, o, WAI, correspondiendo en este último caso a las siglas de la pregunta estímu­lo de la prueba: "What Am I?".

EL PROCEDIMIENTO EMPfRlCO DE KUHN


Aunque se considera que Kuhn es el artífice del TST y su estudio de 1950, un importante punto de partida en la historia del instrumento8, aqui veremos la prueba tal como la explican Kuhn y McPartland, pues el trabajo más citado en relación al TST es el publicado por ambos autores en 1954 en la American Sociological Review.

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La prueba plantea tan solo una pregunta a la que los sujetos deben responder en un tiempo de doce minutos. El cuestionario se presenta en una sola hoja encabezada por la siguiente instrucción:
"Más abajo, en esta misma hoja, encontrará enumerados veinte espacios en blanco. Por favor, escriba en ellos veinte respuestas a la pregunta ¿quién soy yo? Se trata simplemente de escribir veinte respuestas diferentes a esta pregunta. Conteste como si las respuestas se las diera a Ud. mismo y no a otra persona. Escriba las respuestas en el orden que se le ocurran. No se preocupe de su lógica o importancia. Proceda lo más rápidamente posible, el tiempo es limitado"9
El análisis de las respuestas que siguen Kuhn y McPartland aparen­temente es bastante simple. En coherencia con la teoría, el sistema de codificación se basa en la idea de que las personas se definen a sí mismas haciendo afirmaciones consensuales y no consensuales (denominadas también subconsensuales). Las primeras se refieren "a grupos y clases cuyos límites y condiciones de membrecía son materia de conocimiento común" y que están socialmente definidos (por ejemplo: estudiante, chica, marido, de Barcelona, estudiante de...). Las respuestas no consensuales se refieren "a grupos, elases, atributos, rasgos u otras cuestiones que requieren de la interpretación por parte del emisor para precisar la relación que tienen con otras personas" (por ejemplo: feliz, aburrido, bastante buen estudiante, buen hijo, interesante, etc.)10.

Esta categorización, según sus artífices, permite conocer el grado de anclaje social de la persona. La teoría predice que las respuestas consensuales respecto a un objeto, coinciden con las que dan sobre el mismo objeto los otros que están en contacto. Son respuestas que se dirigen a una audiencia amplia, a un otro general o social. Por lo que se refiere a las no consensuales, éstas reducen la audiencia a un grupo o categoría especial de otros significativos. Se desprende de ello que una alta puntuación de locus (puntuación de lugar, muchas respuestas consensuales) indica que la persona está anelada en la pauta general de la vida social, mientras que una puntuación baja lleva a pensar que se comporta de manera menos estandarizada11.

Otras dos cuestiones que el modelo teórico asume y la prueba pre­tende registrar es que las primeras respuestas del sujeto reflejan la importancia del grupo sobre la definición de sí mismo y las característi­cas más relevantes del self. De acuerdo con esto, las personas tienden a responder al cuestionario, primero con autodescripciones consensuales y cuando estas se agotan, con no consensuales.

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EI procediomiento de Kuhn y McPartland presenta otras muchas posibilidades. Los mismos autores terminan su artículo apuntando que el test podría aplicarse al estudio de la personalidad y la cultura, para lo cual deberia completarse con el estudio de las identificaciones subjeti­vas de los sujetos en términos de estatus, roles, actitudes disociadas, etc., o con la formulación de preguntas como: qué hago yo, qué desearia hacer, como miembro de un grupo X cómo me siento yo, etc.

HETEROEVALUACIÓN DE LA CONSENSUALIDAD Y LAS AUTODESCRIPCIONES


EI sistema de categorias utilizado por Kuhn y McPartland presenta algunos problemas técnicos y conceptuales12 . Los mayores inconveni­entes se refieren a la distinción entre respuestas consensuales y no consensuales, y pueden resumirse en la pregunta: ¿consenso, para quién?

EI origen de uno de estos problemas se encuentra en los conocimientos que posee y los criterios que utiliza el investigador para categorizar las respuestas de los sujetos. Por ejemplo, la descripción "soy dromedario", posiblemente, muchos analistas la interpretarian como respuesta no consensual. Sin embargo quien conozca que "dromedario" es el nombre de un supuesto grupo musical en tomo aI que se ha organizado un pequeno club de fans, podría calificarla como consensual. La atención que debe prestarse sobre esta posible fuente de error no es una cuestión baladí, ya que, como encontró Gordon13 , las personas que pertenecen a una minoria o se encuentran en una posición dominada, esta circunstancia estimula la emisión de afirmaciones que la hacen explícita. Pero volviendo al ejemplo, la respuesta "dromedario", el investigador también podrá calificarla como no consensual si entiende que el club no constituye realmenteun grupo, o, si elige una unidad de consenso superior al nú­mero de personas que integran el club. En consecuencia, la experiencia y un conocimiento amplio sobre la diversidad de posibles respuestas consensuales será fundamental, aunque no suficiente, para categorizar correctamente las respuestas.

Otro inconveniente es el relativoal supuesto de que las descripciones consensuales son las que informan sobre los componentes más impor­tantes del concepto de yo y estos vienen dados por las pertenencias grupales. Pero ¿Y las no consensuales?; ¿ cómo deben interpretarse?; ¿son menos importantes que las consensuales? En el procedimiento establecido para analizar esta dimensión, parece claro que una respuesta

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consensual, por ejemplo "soy médico", se dará cuando la persona se ve a sí misma respondiendo a las expectativas del rol de médico, una percepción que le vendrá dada por cómo la ven los otros. Sin embargo, se consideraría no consensual una descripción, como "soy ordenado", a pesar de que la persona la emitirá porque para ella es importante y/o porque se ve a sí misma, a través de los otros, cumpliendo con las expec­tativas de comportamiento que estos otros tienen sobre el rol de ordena­do. Como puede advertirse con este ejemplo, en el análisis sugerido por los autores, el investigador decide sobre consensualidad y la importancia de las respuestas. Las consecuencias de ello es que, al margen de los errores antes comentados, se pueden catalogar como consensuales o como elementos importantes del self aspectos que son irrelevantes para la persona que las ha formulado; y, a la inversa, pueden calificarse como no consensuales y, por lo tanto, en teoría poco importantes en el concepto de sí mismo descripciones que para elemisor pueden ser relevantes.

Como se ha observado, los problemas de consensualidad se deben a la definición e interpretación imprecisa de esta dimensión 14 y a la participación activa del investigadorl5. Ahora bien, en mi opinión el problema no sólo radica en los errores derivados de la ambigüedad y la subjetividad. El mayor impedimento está en el hecho de querer convertir una realidad compleja en otra dicotómica, de hacer encajar Ias respuestas de los sujetos dentro de una ordenación lógica para el investigador. Este problema se concreta en Ia pretensión de elevar a nivel de categoría conceptual una realidad que el cuestionario, con su estructura abierta, recoge con un mínimo de restricciones. En otras palabras, en el procedimiento de Kuhn tenemos lo siguiente: por una parte, lUl cuestiona­rio con el que se aprehende Ia realidad tal cual es (compleja) hasta el límite y en los aspectos que el sujeto estima que responden a la pregunta quien soy yo; y, por otraparte, la imposición de unas categorias que se refieren a unas características abstractas. En consecuencia pues, el procedimiento de Kuhn y McPartIand invita a practicar inferencias y abstracciones sobre la realidad registrada, de manera que la simplifica, altera e, incluso, sesga.

Los problemas relacionados con las prueba del TST no se agotan con lo expuesto ui se limitan a la consensualidad o subjetividad del investi­gador. La participación activa del sujeto en el proceso de recogida de datos, por razones coyunturales a la pasación de la prueba, incide en los resultados que se obtienen. Concretamente, en nuestros estudios con el TST hemos comprobado, que las descripciones tienden a ser estereoti­padas o redundantes cuando no se sabe muy bien qué responder; las

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personas presentan diferentes actitudes ante la prueba; las interpretaciones que se hacen de la pregunta quien soy yo son muy diversas; el niveI cultural y la edad de los sujetos repercute en la capacidad de las personas para expresar en palabras la visión que tienen de sí mismas, etc. Otros problemas infravalorados, tanto en las criticas como en las aplicaciones dela prueba, son los consabidos efectos experimentales y el cansancio o aburrimiento que genera la actividad requerida en el TST.
ANÁLISIS DE LAS CONSENSUALIDADES Y LAS AUTOEVALUACIONES DE LAS RESPUESTAS
El procedimiento establecido por Kuhn y McPartland en 1954, según los registros de Spitzer, Coutch y Stratton16, se aplica en la mayoria de las investigaciones que utilizan la versión original del instrumento. No obstante, siguiendo con el objetivo de analizar la consensualidad a tra­vés del TST, unos afios más tarde, McPartland por una parte y Kuhn17 por otra, dieron a conocer unos sistemas de codificación más detallados. Dichos sistemas, aunque continúan presentando problemas de ambigüedad y subjetividad, en cierto modo superan el procedimiento inicial de análisis de la consensualidad, pues la no dicotomizan la realidad y las categorias que los integran hacen una menor abstracción de los datos registrados; reflejan más el contenido de lo expresado por los sujetos. En cuanto a los objetivos de estos sistemas de codificación, debe observarse que si bien ambos consideran la dimensión consensuaI, mientras el de McPartland se centra en dicha dimensión, el de Kuhn, la contempla junto a las orientaciones conductuales que presentan Ias autodescripciones. Estas últimas consideraciones analíticas son impor­tantes, ya que parecen inspirar el desarrollo de nuevos planteamientos en el análisis de las respuestas del TST.

Sobre los datos registrados en el TST se pueden aplicar otros siste­mas de análisis que enfatizan aspectos distintos a la consensualidad, pero en estos casos, el instrumento se utiliza apartándose, en mayor o menor medida, de algunos de los objetivos iniciales con los que se presentó la prueba. Es decir, si bien en el procedimiento de Kuhn y McPartland se pretendía mostrar la estructura social del self, los análisis alternativos se centran, por ejemplo, en aspectos internos del fenómeno como la autosatisfacción o la autoevaluación. Especificamente, para estudiar las autoevaluaciones de las personas a través del TST, el propio Kuhn18 trabajó en el desarrollo de un sistema para clasificar las

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autodescripciones como autoderogación, derogación de otros objetos sociales y autoactitudes contradictorias, Aunque Kuhn nunca llegó a publicar este procedimiento de análisis, este sistema sirvió para inspirar los que más tarde desarrollaron Fitzgerald et al y Salisbury19.

Para mitigar otro de los problemas del TST, el de la subjetividad del investigador, se han planteado distintas estrategias. Por ejemplo, se ha sugerido que la codificación la realicen distintos investigadores o que se entreviste al sujeto para dilucidar el significado de las afirmaciones y ganar precisión en las inferencias20 .También se ha propuesto que la prueba del TST se complemente con la fomulación de otras preguntas. Esto último, por un lado, implica que el sujeto investigado adopte un papel más activo en el proceso de investigación, y, por otro lado presenta la posibilidad de ampliar o cambiar los propósitos iniciales de la prueba. No obstante esta práctica es más bien poco extendida, de manera que predominantemente la prueba se aplica siguiendo procedimientos de análisis heteroestructurados.

ANÁLISIS COMPARATIVO INTER E INTRAPERSONAL DE LAS AUTO­DESCRIPCIONES


En relación con una de las cualidades más destacadas del TST, la ya comentada mínima directividad en las instrucciones y escasa restricción en las respuestas, se ha visto que esta prueba presenta unas posibilidades de investigación con las que aventaja a los instrumentos estructurados y no estructurados. Aquí, por una parte, nos referiremos a una línea de investigación del self en la que más se está aplicando el instrumento. Por otra parte, consideramos la consonancia entre. ciertas características de la prueba y algunas posturas actuales sobre la discutida cuestión de la estabilidad o inestabilidad del self.

El ámbito de estudio donde la prueba parece estar adquiriendo cierto protagonismo es el que trata de descubrir en qué áreas y con qué intensidad la sociedad determina el self de sus miembros. El interés por esta temática desde un punto de vista psicológico se ha incrementado en los últimos afios21 y lo ha hecho desde perspectivas que van desde el constructivismo colectivo recientemente presentado por Kitayama, Markus, Matsumoto y Norasakkunkit, al conocido construccionismo social de Gergen22. La pluralidad de puntos de vista en el análisis del impacto del contexto sociocultural sobre el sí mismo también aparecealrededor del TST, don­de se han diferenciado varias dimensiones conceptuales para subrayar

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distintos aspectos del fenómeno. Entre estas, las más utilizadas para analizar los datos registrados en el TST están las de: individual-colectivo; dependencia-independencia; interdependiente-independiente; abstracto­concreto; individual-sociocentrico; ideocentrico-alocentrico, etc.23 Ya por el número de dimensiones diferenciadas se puede adivinar que los resul­tados y conclusiones de los estudios desarrollados en esta linea de investigación no son homogéneos. Sin embargo, mayoritariamente se está de acuerdo en que las culturas tienen distintas concepciones de persona y que éstas inciden en determinadas dimensiolles de la autopercepción. De esta manera se observa que en las autodescripciones hay aspectos basados en la sociedad y aspectos basados en la individualidad.

El interés por estudiar la influencia del entorno sobre el self y a través del TST no es nuevo. Como se ha visto, la teoria en la que se basa el TST concibe el self como el resultado de la experiencia social. Y, en coherencia con este planteamiento, en el plano empírico se ha observa­do que la pertenencia a grupos religiosos comporta que los sujetos presenten varias definiciones refiriéndose a estos grupos24, o que las diferencias en las percepciones del rol político en grupos de derechas e izquierdas se relacionan con el modo de identificarse respecto a las principales instituciones sociales25 .

En definitiva, en esta modalidad de estudio, unas investigaciones muestran que son las convicciones socioculturales y otras que son los grupos de referencia los que inciden sobre el self de los sujetos, lo que sugiere que posiblemente la influencia del entorno se da a distintos ni­veles26. Pero, dado que en estos estudios, la influencia de los contextos sobre el self se considera en el "aquí y ahora", y en un momento deter­minado, surgen preguntas como: ¿es el self una colección de atributos que con el tiempo incrementan su estabilidad?; ¿afectan los cambios del entorno en el si mismo?; ¿los aspectos individuales del self, son estáti­cos?; ¿lo son los sociales?; o ¿son inestables tanto unos como otros?

Las cuestiones que acabamos de formular nos llevan a recordar la histórica discusión sobre la estabilidad o inestabilidad del self. En esta polémica, que también se desarrolla aplicando las expresiones proceso o estructura, fundamentalmente, plantea si el self experimenta o no cambios con el transcurso del tiempo27. Lejos de estar resueltos los por­menores de este debate, desde distintas perspectivas parecen emerger posturas que apuestan por ambas características28.

En la tradición de Kuhn, inicialmente este autor concibió el self como proceso y más tarde puso el énfasis en la estructura del fenómeno. Pero

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como acertadamente precisan Spitzer, Couch y Stratton29, por una parte, la visión del self como proceso, Kuhn ni la descartó totalmen­te ni la integró en sus consideraciones estructurales, y, por otra par­te, el self como fenómeno estable es algo que, ni él ni sus seguidores llegaron a demostrar. De este modo, un buen número de ellos han utilizado el TST entendiendo que en el núcleo del self se encuentra una serie de actitudes relativamente estables pero la estabilidad y la fluidez no son totales. La postura adoptada por los estudiosos de la Escuela de Iowa no sólo coincide con las que actualmente, como hemos observado, se están manifestando desde distintas perspecti­vas, sino que se sirven de un instrumento que puede registrar el carácter estable-inestable del self con mucha más precisión que los instrumentos estructurados. De hecho, como observan McCrae y Costa30 con estos últimos mayoritariamente se defiende estabilidad del self. A nuestro entender, con los instrumentos estructurados, se practica una arriesgada inferencia, pues la ausencia de variabilidad entre pasaciones no asegura que exista estabilidad en determinados aspectos del self (significativos o no para el sujeto) que el instru­mento no contempla.

A través del TST, algunas investigaciones específicas sobre esta temática han llegado a concluir que las características más impor­tantes o centrales del self son más estables, o que mientras determi­nados aspectos del self presentan una sustancial estabilidad, otros cambian. Pero ¿cómo se explica este proceso? Entre otras variables se ha considerado que sobre él inciden: la edad, los estereotipos asociados a determinadas etapas de la vida, el compromiso con de­terminados estatus y roles, las experiencias críticas, el desempeno de nuevos roles, etc.31

Como se habrá podido advertir, en las investigaciones donde se valora más positivamente el instrumento tienen por objetivo principal establecer comparaciones. Metodológicamente esto lo llevan a término comparando los resultados de la codificación de las respuestas, de manera que se trabaja sobre unos procedi­mientos de análisis que, en alguna medida, simplifican la reali­dado Sin embargo, estos estudios generalmente elaboran unos sis­temas de categorización bastante concretos y no se interesan tanto por tipificar el self, como de explicar argumentadamente los re­sultados obtenidos en la comparación de categorías, razón por la que las distorsiones que comporta la categorización parecen ser secundarias.

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BALANCE Y PERSPECTIVAS


Eu las páginas anteriores se ha observado que el planteamiento de Kuhn tuvo un impacto considerable en el contexto científico de su épo­ca. Entre otras razones porque fue una de las primeras aproximaciones que intenta relacionar de forma sistemática el estudio teórico yempírico del self. No obstante, se ha mostrado que, extraído del contexto donde lo pone a prueba, el instrumento que elabora Kuhn tiene problemas para estimar la consensualidad del self, un aspecto central de su concepción teórica. En cambio, el instrumento parece responder bien al objetivo de observar las semejanzas y diferencias entre varios selves. A partir de estas aplicaciones del TST podrá advertirse que el instrumento no puede valorarse de forma independiente, aislado de otros elementos clave en el estudio. En efecto, las investigaciones que utilizan el TST parecen suge­rir que las posibilidades del instrumento dependen fundamentalmente de la coherencia que se establece entre: las características de la tarea planteada, el análisis de las respuestas y el objetivo de la investigación.

Un aspecto a destacar en la mencionada coherencia es el relativo al nivel de formalización con el que el investigado responde y, el investiga­dor analiza las respuestas. En la aplicación del procedimiento de Kuhn, con frecuencia, la diferencia de niveles es excesiva. Esto es, por una parte, el instrumento simplemente orienta a los sujetos para que informen acerca de cómo se ven a sí mismos, actividad que realizan mediante autodescripciones narrativas y concretas. Y, por otra parte, los investiga­dores analizan las respuestas mediante unos sistemas de categorización estructurados y abstractos, lo que comporta inferir sobre lo descrito e introducir imprecisiones. Este problema de coherencia entre lo explicitado por el sujeto en el TST y el análisis guiado por un sistema de codificación predeterminado, a nuestro entender, puede relacionarse con la dificultad de anexionar directamente un enfoque subjetivo con otro de objetivo.

Algunos de los problemas de coherencia, sin embargo, no son inamovibles. Aunque en pocas ocasiones se han intentado afrontar, el TST posee un cierto margen de flexibilidad para acercar las autodescrip­ciones más o menos espontáneas de los sujetos a los niveles de formalización y objetivos con los queel investigador desea trabajar. Así, por ejemplo: incorporar la participación de los sujetos en el análisis de sus respuestas; complementar la actividad requerida al sujeto en pregunta principal con la de jerarquizar sus respuestas según la importancia de las mismas, o estimar el número de personas que cree que estarían de acuerdo con lo descrito, son alternativas que puntualmente se han utilizado sin

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renunciar a las ventajas del TST como instrumento poco estructurado.

Asimismo, sobre la realidad que registra el TST y la mencionada coherencia hemos observado una cualidad del self que se refleja en las respuestas al instrumento, y que ha pasado inadvertida. En efecto, los resultados de los estudios comparativos muestran que el self de los sujetos de distintas sociedades o el de una misma persona en distintos momen­tos es similar pero distinto. En otras palabras, tales resultados parecen poner de manifiesto uno de los aspectos que Munné32 ha diferenciado en los fenómenos complejos; nos referimos al aspecto fractal. Limitán­donos aquí a considerar las autodescripciones que puede registrar una misma persona en el TST en distintos momentos, una de las manifestaciones de la fractalidad puede apreciarse entre afirmaciones tales como "soy amigo" y "soy buen amigo". O sea, el self de una persona es autosemejante pero no idéntico, o como explica Bütz33 en su análisis de la fractalidad del fenómeno: el self es parcialmente transitorio pues se transforma pero no se destruye.

Esta característica de self y a posibilidad de aprehenderlo empíricamente pensamos que tiene implicaciones y repercusiones im­portantes sobre los conocimientos del fenómeno y los instrumentos que reflejan esta propiedad. A título ilustrativo, una de las razones por las que el TST puede ser revalorizado es que a través del análisis compara­tivo de las autodescripciones, el instrumento puede poner de manifiesto la fractalidad y otros aspectos complejos en y entre las, denominadas por Munné34, caras del self, a saber: autoconcepto, autoestima, autoimagen y autorealización. Para ser más concisos, mediante el análisis comparativo de las autodescripciones de una persona a lo largo del tiempo o en distintas situaciones se puede investigar las variaciones en el predominio de unas caras del self frente a otras.

El self como fractalidad y el TST como instrumento que, en alguna medida, es capaz de registraria también conlleva reconsiderar algunas cuestiones ampliamente consensuadas. Así, observamos que hoy, al con­templar el self como fenómeno fractal, parece que tiene poco sentido la larga polémica que se ha sostenido (y que algunos todavía mantienen) acerca de la estabilidad o inestabilidad del self o el carácter estructural o procesual del mismo, pues el self no es ni una, ni otra cosa, sino ambas a Ia vez. También, en esta línea de observaciones, cabe cuestionar la adecuación de las expresiones utilizadas en dicha polémica.

Finalmente queremos observar que en la explotación de las posibilidades del TST es decisivo el manejo que se haga de la posición intermedia que ocupa este instrumento en el continuum estructurado y

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no estructurado. Kuhn intentó sistematizar la investigación del fenómeno y lo hizo con un instrumento minimamente estructurado, con pocas simplificaciones subjetivadas por parte del investigador, pero, en los análisis de las respuestas utiliza unos sistemas estructurados incorporan dichas simplificaciones. Ahora bien, el legado de Kuhn está ahí y su instrumento es suficientemente moldeable para elaborar y probar el al­cance y limites de otras versiones del mismo; descubrir nuevas caracte­rísticas del self, o investigar procesos psicosociales tales' como la identidad, la exclusión social, el comportamiento en el tiempo libre, etc. Consideramos que estas exploraciones TST son interesantes tanto para extender las aplicaciones del instrumento como los conocimientos so­bre el self. Y no descartamos que las competencias que muestre la prueba afecten al ámbito psicológico en general, ya que como instrumento al que se responde con breves relatos autodescriptivos, el TST es próximo a los métodos de estudio autobiográficos y autonarrativos que están siendo cada vez más aplicados en la psicología y la ciencia social contemporáneas.

Núria Codina es profesora del Dep. de Psicología Social de la Universidad de Barcelona. Profesrora de las asignaturas de

Psicología social; Psicosociología del Tiempo libre. Principales áreas de insvestigación: procesos y teorías psicosociales; el comportamiento en el tiempo libre; el selfy teorías de la complejidad.

Passeig de la Vau d'Hebrón, 171. 08035 Barcelona. Espana.

Tel. 402.11.00. ext. 3207. Fax: 402.13.66.

E-mail: NCODINA@PSI.UB.ES

ABSTRACT: This work clarifies how the Kuhn's TST (Twenty Statements Test) was conceived, its main advantages and disadvantages, in which contexts its application is useful, and what perspectives. Several theoretical aspects that influence the test’s development and its answer codification system are pointed out. Among the test' s disadvantages, it is shown that the TST answer analysis, done by Kuhn and his followers, sometimes simplifies and mixes up the reality that has been examined; one of the test's advantages is that, in several aspects, the TST is better than structured and non structured tests. Related to TST applications, it is observed that the test structure characteristics are useful in self comparative studies, either cross-cultural or longitu­dinal ones. Finally, it is considered that TST possibilities depend on the relationship among the coherence of the reality that has been registered, the test answer analysis

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and the proper objectives of the study in which TST is used. As a future perspective, it is explained that TST is a flexible test that can describe specific self characteristics without giving up its advantages as a little structured test, and it is pointed out that self-descriptions are important because they reflect aspects of the self concept complexity that have not yet been investigated.

KEY WORDS: self, TST (Twenty StatementsTest), socialpsychology, subjectivity, qualitative analysis


NOTAS


1 Spitzer, S., Couch, C y Stratton, J. The assessment of the self. Iowa City, Escort-Semoll, 1971; Backman, C. W Book review ofthe assessment of the self. Contemporary Sociology, 2, 503-504, 1973; Doise, W, Deschamps, J.C. y Mugny, G. Psicología social experimental. Barcelona, Hispano Europea, 1980.

2 Spitzer, Couch y Stratton, op. cit.

3 Backman, op. cit.

4 Spitzer, Couch y Stratton, op. cit.

5 Kuhn, M.H. y McPartland, T.S. An empirical investigation of self-attitudes. American The Sociological Review, 19,68-76, 1954; Kuhn, M.H., 1964. Majortrends in symbolic interaction theory in the past twenty five years. Sociological Quarterly, 5, 61-84, 1964.

6 Ver estas diferencias en relación con los planteamientos de Mead en: Athens, L. The self as a soliloquy. The Sociological Quarterly, 35, 521-432, 1994.

7 Kuhn y McPartland, op. cit.; Kuhn, op. cit.

8 Spitzer, Couch, Stratton, op. cit.

9 Kuhn y McPartland, op. cit. pp. 69.

10 idem, ibídem.

11 Kuhn y McPartland, op. cit.

12 Ver: Dezin, N.K. Test of the perspective. En G. P. Stone y H.A. Farbermen (eds.), Social psychology through symbolic interaction. Waltham, Ginn-Blaisdell. pp. 415-418, 1970; McPhail, C yTucker, C.W. The classification and ordering of responses to the question Who am I? The Sociological Quarterly, 13,329-347,1972; o, Turner, R. H. y Schutte, J. The true self method for studying self conception. Symbolic Interaction, 4, 1, 1-20, 1981.

13 Gordon, Ch. Self conceptions: Configurations of content. En Ch. Gordon y K.J. Gergen (eds.), The selfin social interaction. Vol 1. Nueva York, Wiley, 1968.

14 McPhail, C. Respondents' judgments of self staments. The Sociological Quarterly, 9, 202-209, 1968; o, Escobar, M. La autoidentidad: problemas metodológicos del TST. Revista Española de Investigaciones Sociológicas, 23, 31-51, 1983.

15 Tucker, C. W Some methodological problems of Kuhn's self theory. The Sociological Quarterly, 7, 345-358,1966, o McPhail, op. cit.

16 Spitzer, Couch y Stratton, op. cit.

17 McPartland, T.S. Manual for the Twenty Statements problem (revised). Kansas City, Department of Research. The Greater Kanses City Mental Health Foundation, 1959; Kuhn, M.H. Self-Attitudes by sex and professional training. The Sociological Quarterly, 39-55, 1960.

18 Kuhn, M. Mutual derogation. Manuscrito no publicado, 1950.

19 Salisbury, W.W. The self and ansiety. Tesis Doctoral no publicada. University of Iowa,

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1963; Y, Fitzgerald et al., cit. por Spitzer, Couch y Stratton, op. cit.



20 Turner y Schutte, op. cit.

21 Reid, A. y Deaux, K. Relationships between social and personal identities. segregation or integration? Journal of Personality and Social Psychology, 71, 6, 1084-1091, 1996.

22 Kitayama, S., Markus, H.S., Matsumoto, H. y Norasakkunkit, V.Individual and Collective processes in the construction of the self: Self-enhancement in the United States and self­criticism in Japan. Journal of Personality and Social Psychology, 72, 6, 1245-1267, 1997; Gergen, K. Social constructionist inquiry: context and implications. En Gergen, K. y Davis, K. (eds.) The social construction of the person. Nueva York, Springer, 1985.

23 Rhee, E., Uleman, J.S., Lee, H.K. y Roman, RJ. A Spontaneous self-descriptions and ethnic identities in individualistic and colectivistic cultures. Journal of Personality and So­cial Psychology, 69, 142-152, 1995; Bochner, S. Cross-cuItural differences in the self concept. A test of Hotsed's individualism/ collectivism. Journal of Cross Cultural Psychology, 25, 273-283, 1994;Trafimow, D., Triandis, H.C. y Goto, S.G. Some test of the distinction between the private self and the collective self. Journal of Personality and Social Psychology, 60, 649-655, 1991; Cousins, S. D. Culture and self-perception in Japan and the united States. Journal of Personality and Social Psychology, 56, 124-131. 1969.

24 Kuhn y McPartland, op. cit.

25 Brooks, R.S. The selfand political roles: A symbolic Interactionist Approach to political ideology. Sociological Quarterly, 10,22-31,1969.

26 Brewer, M.B. y Gardner, W. Who is this "we"? Levels of collective identity and self representations. Journal of Personality and Social Psychology, 71, 1,83-93, 1996.

27 Markus, H. y Wurf, E. The dynamic self concept. A social psychological perspective. Annual Review Psychology, 38, 299-337, 1987; Strauman, T.J. Stability within the self: A longitudinal Study of the structural implications of self-discrepance theory. Journal of Personality and Social Psychology, 71,6, 1142-1153, 1996.

28 Markova, I. Knowledge ofthe self through interaction. En K. Yardley y T. Honess, Self and identity. Psychosocial perspectives. Chichester, Wiley, 1987; Linville, P.\V; y Carlstón, D.E. Social cognition ofthe self. En P.G. Devine, D.L. Hamilton yT.M. Ostrom (eds.), Social cognition: lts impact on social psychology. Nueva York, Academic Press, 1994; Strauman, op. cit

29 Spitzer, Couch y Stratton, op. cit.

30 McCrae, R. R. yCosta, P. T. An age, personality and the spontaneous self-concept. Journal of Gerontology. Social Sciences, 43, 6, 177-185, 1988.

31 Kuhn, M.The relation of critical experiences and of certain characteristics of self-attitudes to subsequent changes in self attitudes. Trabajo presentado en Meetins de la American Sociological Society, Chicago, 1959; Spitzer, Couch y Stratton, op. cit.;McPhail y Tucker,op.cit.; McCrae y Costa, op. cit.; Mahoney, E. R. The processual characteristics of self-conception. The Sociological Quarterly, 14,4,517-533,1973.

32 Munné, F. Las teorias de las complejidad y sus implicaciones en las ciencias del comportamiento. Revista Interamericana de Psicologia, 29,1,1-12,1995.

33 Bütz, M.R.The fractalnature of the development of the self. Psychological Reports, 71, 1043-1063, 1992.

34 Ver. Entrevista con Frederic Munné, Psicologia & Sociedade, 1997, en prensa.

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EPISTEMOLOGIA, CAOS E PSICOLOGIA

Cezar Wagner de Lima Góis Verônica Morais Ximenes

RESUMO: Nesse trabalho apresentaremos algumas questões que estão sendo postas pelas teorias da complexidade e pelos sistemas dinâmicos complexos, além de problematizá-las no campo da psicologia. Inicialmente discutiremos a epistemologia a partir da teoria da complexidade. A segunda parte é dedicada a apresentar a teoria do caos e suas características, definidas a partir de experimentos realizados em diversas áreas do conhecimento. E na parte final relacionamos estes conceitos com a psicologia.

PALAVRAS-CHAVE: epistemologia, complexidade, caos, psicologia.

INTRODUÇÃO
Diante do quadro atual da Epistemologia, dentro do enfoque da complexidade, como ficamos nós, Psicólogos?

A tarefa em questionar certos paradigmas da Psicologia é ampla e difícil, pois são muitos os estereótipos e os preconceitos em relação a novos temas paradigmáticos, dificultando seu avanço por novos caminhos, como o de passar dos enfoques epistemológicos tradicionais para os enfoques da complexidade, aprofundar-se em direção ao complexo – processo, holismo e incerteza.

De acordo com Feigenbaum, citado por Gleick (1990), o óbvio é fácil, o que não é óbvio é para Prêmios Nobe1 e o profundo é muito complexo. Este se apresenta como uma ordem sutil e íntima, que requer uma nova razão científica e uma nova atitude para o conhecer.

A rota para o complexo passa por oscilações, duplicações, turbulências e desordem, porém termina na auto-organização e na auto-poyesis (Prigogine, 1988; Briggs e Peat, 1994).

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GÓIS, C. W., XIMENES, V. M. “Epistemologia, caos e psicologia”

Psicologia & Sociedade; 10 (1): 39-53; jan./jun.1998

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Estamos diante de um novo modo de pensar e de uma ordem nova, de grande beleza, complicada, profunda e imprevisível em sua totalidade.

O cientista e a própria ciência estão permanentemente em crise, na incerteza do ato de conhecer e na dúvida metódica que, às vezes, trans­forma-se em angústia metódica. É clara a situação dos cientistas inseri­dos em seus estudos, possuídos de admiração pelo ato de conhecer um certo fenômeno e cheios de conflitos e dilemas para explicar com honestidade a realidade estudada e o temor de não serem compreendidos e aceitos por seus companheiros de ciência, como, por exemplo: Lovelock e Bohm, da Hipótese Gaya e da Ordem Implicada, respectivamente.

É evidente o panorama histórico e conceptual da Epistemologia da Ciência na forma de problemas, investigações e enfoques, situando o progresso-de-conhecimento mediante sucessivas superações epistemo­lógicas.

Há uma rica caminhada através de problemas que impulsionam a ciência de um momento a outro do ato de conhecer, como do formalismo ao tipológico, do determinismo linear ao circular, ou mesmo provocando discussões entre funcionalismo e estruturalismo e, agora, entre o linear e o não-linear, entre o quantitativo e o qualitativo, entre ordem e caos.

Por essa caminhada chegamos à complexidade, que exige novas superações epistemológicas, uma nova postura e novos parâmetros de pensamento (Morín, 1990).

COMPLEXIDADE E EPISTEMOLOGIA
Todo conhecimento parte de uma pergunta, de uma determinada visão de realidade e de um método utilizado. Para isso exige da ciência um diálogo permanente com a realidade, baseado na dúvida metódica e no perguntar-se constantemente sobre a possibilidade de se conhecer algo, assim como de se o conhecido segue um caminho de simplificação ou de complexidade para a explicação da realidade (Morín, 1990).

Conhecer a realidade é um desafio e um desejo profundo do homem em toda a história da humanidade, desde os primeiros seres humanos quando miravam o sol, a lua e mesmo os outros animais, até ao momento atual de grande acúmulo de conhecimento. Entretanto, quanto mais se conhece, mais perguntas são feitas em diversos campos do conheci­mento, novas incertezas e mais enfoques surgem a respeito.

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Há uma admiração e uma paixão pela Deusa Episteme, um impulso primeiro para a verdade. Sabemos que não chegaremos a ela, todavia há que seguir adiante, mesmo sabendo que o conhecer é um processo, um devenir, onde a realidade está sempre um pouco mais além do que pensamos acerca dela, e que dentro das próprias teorias científicas há um enorme espaço que não o é científico, porém o é indispensável para o desenvolvimento da ciência (Popper, Kuhn, Lakatos, Feyerabend, Morín).

Estamos permanentemente diante de dois grandes problemas básicos: se a realidade que se conhece é a realidade ou algo ideal (Kant, Bergson, Hegel, Marx, etc.), e se é possível uma teoria unificada ou não a seu respeito (Einstein, Eisenberg, Bohr, Chew, Bhom, etc.). Esforços são realizados nessa direção e muito conhecimento tem sido construído, porém continuamos caminhando para o horizonte e não para um ponto final.

Uns dizem que a realidade é construída de partes fundamentais (átomo, molécula, célula, partículas fundamentais etc.) e outros dizem que não há nada fundamental (Teoria de Bootstrap, visão interacional em rede de Schew); que a vida vem da matéria (Miller, Fox, etc.) ou que a vida é uma estrutura transcendente e organizativa da matéria (auto-or­ganização, auto-regulação, Prigogine, Lovelock, Margulins, Toro, Campbell, etc.); que a realidade é determinista (Causalismo) ou que a realidade é imprevisível (Dinâmica Caótica); que Deus joga os dados (Bohr) ou que não os joga (Einstein). E assim se dão as discussões.

Estamos diante de pontos de vista e de investigações que produzem controvérsias, crendo alguns, como o propõe Capra (1980), que todo esse conhecimento pode ser organizado como um quebra-cabeça, até surgir um quadro maior, pois tratam-se de aspectos da realidade, de partes ou de níveis.

Para nós, a ciência é cumulativa e inter-relacionada, integra teorias distintas e muito mais; interliga enfoques epistemológicos mais próximos ou mais distantes (Ex. causalismo - tipologismo - formalismo; formalismo - estruturalismo - funcionalismo; causalismo - complexidade), assim como partes de teorias existentes com novos conhecimentos.

Desse modo, ao se rearrumar estabelece uma nova visão da realidade (novo enfoque epistemológico), como foi o caso dos estudos de Poincaré acerca da introdução de uma terceira variável em um campo de duas variáveis e o que aconteceu com o sistema em estudo e com a mecânica de Newton.

As teorias antigas podem se tornar obsoletas ou partes delas, ou seguem válidas em determinados campos de aplicação, mas seus fenôme-

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nos estudados continuam contendo interrogações insuspeitadas, até que alguém propõe um novo problema, como o apresentado por Poincaré em relação à teoria da gravitação de Newton, no caso do sistema de três variáveis: Terra-Lua-Sol. Com isso mudou o enfoque da realidade e delimitou o campo de aplicação das equações newtonianas.

A mecânica newtoniana segue obviamente válida, porém agora para um certo macrocosmo que se encontra contido em uma totalidade que se move por meio de uma complexidade linear e não-linear, e quem sabe mais além. Antes de Poincaré isso não havia sido pensado, o limite estava em Newton, em uma dinâmica estável e em uma matemática clássica.

Recentemente, Munné (1995) fez uma pergunta crucial frente a esses interrogantes : O que quer dizer causalidade em um sistema caótico?

O enfoque causalista sendo questionado pela não-linearidade, pelo imprevisível, não como algo obsoleto e sim porque há uma necessidade de compreendê-lo dentro de um novo conjunto de conhecimento que não está submetido às regras anteriores e nem a uma visão de realidade em equilíbrio, pois se encontra longe do equilíbrio e todavia não é de aleatoriedade.

Podemos, também, perguntar: O caos é determinista? E responder que sim (Haken, 1991; Ditto y Pecora, 1993).

Estamos inseridos em um momento novo da ciência, vivendo uma Revolução Científica, como a que ocorreu com o aparecimento da Rela­tividade e da Mecânica Quântica.

Estão ocorrendo mudanças paradigmáticas que nos levam a realidades mais complexas, que requerem novos conceitos, novos métodos e uma nova linguagem (Bohm, 1990). Novos interrogantes diante de fenômenos que agora não podem mais ser relegados.

Para onde vamos? Para mais além, construindo novos conhecimentos e visões de realidade, outras atitudes para conhecer e novos métodos para uma realidade que se apresenta muito mais complexa.

Estamos inseridos em um outro nível da realidade ou das realidades. Desde a Renascença, com Copérnico, Galileu e outros, a Epistemo­logia da Ciência e a Metodologia (Bruyne, 1987) vêm ocupando um lugar de relevância, e agora, mais do que nunca, quando enfatiza a complexidade, indo além do quantitativo, em direção a uma realidade, também, qualitativa e não-linear.

Epistemologia e Método se encontram enredados na Filosofia e na Ciência, apontando horizontes e caminhos para um diálogo (especulativo, observacional, experimental, intuitivo e participativo) cada vez más íntimo com uma realidade complexa, natural e social.

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Podemos dizer que o desenvolvimento científico é, de fato, um desenvolvimento epistemológico e metodológico, e que o sentido moral da ciência está na consciência. Esse terceiro elemento fundamenta e dá sentido ético a todo o conhecer e o conhecido.

Apoiados nessa triplicidade (Epistemologia, Metodologia e Moral) estaremos mais preparados para fazer uma "Ciência com Consciência" (Morín, 1990), e em condições de realizar uma profunda reforma do pensar, uma verdadeira revolução das estruturas do pensamento no sentido de um pensamento complexo, onde o observador está inserido na realidade estudada. Essa nova dinâmica envolve sujeito e objeto em um só processo, que é linear e não-linear, em equilíbrio, próximo ao equilíbrio e longe do equilíbrio, não aleatório, qualitativo e holístico, em permanente devenir e que, sobretudo, está em consonância com a beleza e com o mistério.


CAOS E PSICOLOGIA


As teorias da complexidade ocupam um lugar de importância, junto com a Mecânica Quântica (Planck, 1900) e a Teoria da Relatividade (Einstein, 1905). Hoje, as teorias do Caos (Lorenz, 1963), dos Fractais (Mandelbrot, 1975), das Catástrofes (Thom, 1972) e dos Conjuntos Borrosos (Zadeh, 1965), são discutidas em congressos científicos e apresentadas em diversos trabalhos publicados em revistas científicas renomadas.
"Existem quatro grupos de teorias que realizam contribuições fundamentais ao tema da complexidade. A mais surpreendente é a teoria dos fractais; a mais discutida, a das catástrofes; a mais frutífera, a teoria do caos; e a mais subversiva, a teoria dos conjuntos borrosos ou difusos." (Munné, Las Teorías de la CompIejidad y sus impícaciones en as Ciencias de Comportamiento, pág. 2)
Suas investigações estão em vários campos da ciência, na Física (Smale, Kolmogorov, Ruelle), Biologia (Kauffman, McClintock), Fisio­logia (Rapp, Ditto, Babloyantz), Matemática (Godel, Hilbert, Turing), Química (Prigogine, Stengers, Konepudi), Astronomia (Wisdom, Peale, Hénon), Ecologia (May, Oster, Yorke), e tanto mais.

Tratam de descrever as condutas não-lineares, desordenadas, seus processos e seus resultados, explicando assim fenômenos da natureza que não encontravam explicações na ciência linear, ou eram minimizados pelas epistemologias clássicas.

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O terreno da investigação dos sistemas dinâmicos complexos é fértil, amplo e cheio de perspectivas. Vários trabalhos realizados estão edificando novos modelos de explicação da realidade, como os a seguir:

• Kadanoff, Libchaber, Moses y Zocchi (anos 80), estudaram as origens físicas da turbulência;

• Zuppirali, Anderson, Mott, Landauer y Thauless (anos 80), realiza­ram estudos acerca da eletrônica dos sólidos desordenados;

• Eckmann, Mashaal y Ruelle (anos 80), concluíram que sistemas deterministas, mesmo simples, podem ser caóticos e imprevisíveis;

• Casati, Chirikov, Izrailev, Ford y Shepelyansky (anos 80), descobriram que há uma relação entre sistema caótico e sistema quântico em um sistema clássico. "Aparentemente, se um sistema clássico é caótico, seu correspondente sistema quântico não o é. ";

• Grassberger, Ziff, Jensen y Dichmann (anos 90), estudaram a percolação, isto é, como ocorre o contágio, seja na invasão de um líquido ou gás em um meio poroso, como na propagação de um incêndio ou de uma enfermidade;

• Parisi, Sherrington y Kirkpatrick (1981), utilizaram a teoria de "campo médio" (para estudos de transições de fases), em pesquisas sobre os vidros de espín, materiais magnéticos desordenados;

• Mézard y Toulouse (anos 80) revelaram a analogia existente entre materiais magnéticos e redes neuronais;

• Chaitin (1990) definiu o azar a partir da teoria algorítmica da informação;

• Jones y Matijasevic (anos 80) estudaram as equações diofânticas, considerando as respostas como axiomas;

• Nicolis, Essex, Fraedrich y Keppenne (anos 80), aumentaram a compreensão de como pode bascular-se o clima em uma duração de tempo muito curta;

• Marcus (1982) constatou que a Grande Mancha Vermelha de Júpiter é um sistema auto-regulado, criado e regulado pelas próprias mu­danças não-lineares que criam a agitação imprevisível a sua volta. É o caos estável. Um sistema complexo dando origem à turbulência e à estabilidade, ao mesmo tempo;

• Wisdom, Peale, Mignard, Laskar y Fraeschle (1989), concluíram que a dinâmica caótica desempenha um papel importante na distribuição e evolução dos asteróides, dos cometas e dos meteoritos, a demais dos grandes corpos celestes;

• Yoshisuke Ueda, estudou os circuitos elétricos que imitavam o com-

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portamento dos resortes mecânicos, mesmo com velocidade muito superior, descobrindo um conjunto belíssimo de estranhos atratores;

• Michel Hénon, realizou estudos sobre as órbitas ao redor de seu centro galáctico, que são difíceis de visualizar e de definir se são reais ou se são construções imaginárias no espaço de fases. Algumas órbitas se tornaram tão instáveis e revelaram uma desordem completa misturada com restos patentes de ordem;

• Kauffman (anos 70) realizou pesquisas sobre a auto-organização nos seres vivos e, para isso, utilizou as redes booleanas. Construiu uma equação matemática para descrever a diferenciação de um ovo fecundado em múltiplos tipos de células;

• May (anos 70) estudou a variação e a desordem em um modelo de população de insetos. Encontrou uma "estranha rota para o caos através da duplicação de períodos". A predição a longo prazo torna­se impossível;

• Schaffer y Kot (anos 80) utilizaram os atratores estranhos para estudar os casos de sarampo registrados mês a mês em Nova York, no período de 1928 a 1963;

• Cohen (1990) relata que a duplicação de períodos é um sinal de que está próximo um ataque cardíaco;

• Glass y Mackey (anos 60) denominaram as quedas de ritmo cardíaco, crises epilépticas, oscilações neuronais, mal de Parkinson, como enfermidades dinâmicas;

• Rapp (1990) revelou que os valores de maior dimensão caótica no EGG correspondem a estados de maior vigília;

• Eiser (1994) considerou as atitudes como atratores estranhos;

• Zimmerman (1991) propôs um estudo de desenvolvimento de uma organização a partir da teoria do caos;

As conclusões vão em direção a uma nova visão de realidade, onde se evidencia um diálogo mais íntimo, qualitativo e global com a natureza, um diálogo de processo e não de estado. Surge uma nova linguagem para explicar os fenômenos que antes não eram considerados pela ciência clássica com a devida importância, ou eram desconhecidos, tais como desordem, entropia, neguentropia, turbulência, auto-organização, flecha do tempo, estrutura dissipativa, estrutura geométrica do caos, fractais, interação, bifurcação, redemoinhos, atratores caóticos, espaço de fases, efeito mariposa, não-linearidade, seção de Poincaré, multiplicador de Lyapunov, caos sincronizado, órbita periódica instável, auto-poyesis e muito mais.

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As mesmas ciências tradicionais baseadas na especialização rígida, portanto fragmentadas, são investigadas e criticadas em suas concepções básicas, seja a Biologia, a Física e outras. Idéias arraigadas são refutadas a partir de conceitos complexos de interação, processo e totalidade.

Todavia, o problema que hoje se propõe é com respeito ao controle do complexo, de sua gestão, com finalidade de construção de novas tecnologias que possam manejar sistemas caóticos ou sistemas que entraram em desordem, como no caso do coração fibrilado (Ditto e Pecora, 1993), ou no caso de garantir o segredo das comunicações através da desordem (Carrol, 1989).

A grande questão é se podemos utilizar, por exemplo, no caos, suas próprias faculdades de auto-organização e ajustar alguns parâmetros de controle. Se é possível superar o imprevisível e gerenciar o caos.

Alguns estudos revelam alguns fatos que são úteis para o exame desse problema. Vejamos como se comportam os sistemas dinâmicos complexos:


• Apresentam uma grande sensibilidade às variações de suas condições iniciais;

• Têm uma flexibilidade pouco usual, mudam rapidamente de conduta em meio a uma grande multiplicidade de condutas diferentes, porém, têm, ainda que complicada, uma trajetória;

• No interior dos sistemas se encontram os atratores caóticos.

Sensibilidade às condições iniciais


O resultado final de um sistema caótico depende das mínimas variações que ocorrem em seu início;

Dois sistemas caóticos com diferenças mínimas evoluem rapidamente para estados muito diferentes.


Mudam rápido de conduta, porém tendo uma trajetória
Não apresenta uma conduta aleatória e sim modificações de ponto a ponto no espaço de fases (estado do sistema em um momento dado), que formam a complicada trajetória do sistema dinâmico, arrastada para um lugar incerto de uma região estável chamada de atrator caótico.

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Atrator Caótico

Região do espaço de fases que evidencia parâmetros fixos e a ordem no caos, uma ordem implícita em uma região do sistema dinâmico com­plexo. O atrator caótico é uma estrutura fractal, se expressa como um conjunto de órbitas periódicas e instáveis (vários períodos).

Se conhecem os atratores caóticos, o caos pode ter muitas aplicações.
Hoje, os cientistas investigam a possibilidade de controlar o caos, partindo de idéias e de instrumentos desenvolvidos desde Poincaré, como a seção de Poincaré, o multiplicador de Lyapunov, o caos sincronizado e o método OGY

Seção de Poincaré


Corte das trajetórias em um plano perpendicular normal a uma trajetória periódica C, cortada em um ponto Mo. A trajetória que passa por um ponto Po dá uma volta nas proximidades de C e volta a cortar o plano normal no ponto Pl, e assim para P2, P3, etc. O estudo desta série de pontos P permite predizer o futuro da trajetória que parte de Po. "Esta seção da trajetória por um ponto normal se denomina atualmente seção de Poincaré e a aplicação do plano em si mesmo, que ao ponto Po lhe associa seu sucessor P 1, aplicação de primeiro retorno ou aplicação de Poincaré." (Chabert e Dalmedico, 1993).

A determinação da seção de Poincaré é fundamental para o controle do caos.


Multiplicador de Lyapunov
Estabelece um só número para expressar uma perturbação em um instante dado. O tamanho de uma perturbação é dividido pelo tamanho da perturbação logo a seguir: Se calcula assim por muitos intervalos. O número final é o multiplicador de Lyapunov, que revela a quantidade de modificações resultantes de uma perturbação inicial. Se ML é menor que 1, as perturbações tendem à extinção; se ML é maior que 1, as perturbações aumentam e o sistema se torna instável.

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Circuito de caos sincronizado

Baseado em que o sistema caótico é um conjunto de condutas ordenadas sem prevalecer nenhuma, Pecora y Carroll chegaram à conclusão de que é possível sincronizar dois sistemas caóticos. Perceberam que partes do sistema caótico podem ser estáveis, e se duas destas são estimuladas por um mesmo sinal caótico, ocorre a supressão de suas diferenças e se cria uma sincronização entre elas. ''Até este descobrimento os cientistas não tinham razões para crer que a estabilidade de um subsistema pudesse ser independente da estabilidade do resto do sistema, tão pouco se lhe haviam ocorrido a que um sistema não-linear pudesse permanecer estável ao ser excitado por um sinal caótico(...). Se os multiplicadores de Lyapunov dos subsistemas sincronizadores são menores que a unidade, isto é, se são estáveis, se comportarão caoticamente, porém se encontrarão sincronizados." (Ditto e Pecora, 1993)

Método OGY
Idealizado por Edward Ott, Celso Grebogi y James A. Yorke. Consiste em levar um sistema caótico a seguir uma determinada órbita instável. Para tanto é necessário proceder assim, conforme os autores :
• Obter informações do sistema caótico na seção de Poincaré;

• Espera-se que o funcionamento do sistema esteja próximo a uma das órbitas periódicas desejadas da seção;

• Então, estimula-se o sistema a permanecer nesta órbita por meio da perturbação do parâmetro apropriado;

• Quando se modifica o parâmetro de controle, o atrator caótico fica desviado e distorcido. Se tudo vai bem, o novo atrator influi para que o sistema permaneça na trajetória desejada.


Segundo Ditto e Pecora (1993), "Podemos controlar certos sistemas de comportamento caótico. Em engenharia se começa a utilizar o caos para estabilizar laseres, circuitos eletrônicos e, inclusive, corações de animais ".

A idéia básica para o controle do caos é estimular o sistema caótico com sinais caóticos, no sentido de induzi-lo a construir uma trajetória que chegue a um final esperado, mesmo sem se conhecer as condutas que vai escolher para isto. É um dos desafios de algumas das pesquisas atuais.

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Pecara (1989) mostrou como se pode sincronizar o caos, utilizando para isso o modelo de clima de Lorenz. Em razão de que dois sistemas caóticos, por mais virtualmente idênticos que sejam, não podem sincronizar-se por estarem separados, isto é, evolucionariam para estados mui­to discrepantes, trabalhou com um subsistema (sincronizador) de um sistema caótico e o duplicou (subsistema sincronizado), os quais recebi­am o mesmo sinal caótico. O que resultou foi a sincronia entre estas duas partes estáveis de um sistema caótico. Conforme o autor, ao serem excitadas "parecerão exibir um comportamento caótico, porém tenderão a suprimir e não a amplificar as possíveis diferenças que hajam entre elas..."

Carroll (1989) construiu um circuito de caos sincronizado por primeiro. Um subsistema duplicado entra em sincronia com o outro subsistema, sendo que um se encontra no transmissor e o outro no receptor. Idealizou um sistema de comunicação que garante o segredo da mensagem, mediante a combinação de um sinal caótico com a mensagem e, depois, sua recuperação através da introdução do sinal caótico sincronizado (existente no receptor) na transmissão codificada, separando o sinal caótico da mensagem.

Ditto, Spano, Garfinkel y Weiss (1990), demonstraram que enquanto os sinais aleatórios e os sinais periódicos não conseguiam regular a atividade cardíaca de um coelho com arritmia, os sinais elétricos caóticos obtidos a partir do método OGY restabeleciam a atividade normal do coração, detendo assim a arritmia.

Hunt (1991) mostrou que o caos pode ser controlado em um circuito eletrônico. Criou o controlador que leva seu nome, que é uma variação do OGY, o qual permite controlar a elevação de "órbitas até o período 23 e excitar O sistema com freqüências até 50 000 cc." (Pecora)

Roy (1991), baseado no controlador de Hunt, construiu um controlador que permitiu controlar períodos de 23 e freqüências de 150 000 cc em um sistema de laser. "Demonstrou que podia controlar as flutuações caóticas da intensidade do laser e estabilizar oscilações instáveis de período elevado" (Ditto e Pecora). Com isto aumentou a potência dos laseres.

Novos estudos estão sendo realizados ou propostos, como os de "vibração de motores, de carrocerias de automóveis ou asas de avião ", os relacionados com " as ciências da terra e do espaço, a dinâmica dos oceanos, o clima, o estudo das manchas solares" (Haken e Wunderlin), assim como os do controle das oscilações de reações químicas.

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De acordo com Munné (1995), muitas janelas de estudos em Psicologia Social podem ser abertas a partir das teorias da complexidade, como nos seguintes casos :


  • Processo de diferenciação e integração do comportamento social;

  • Processo de negociação;

  • Dinâmica das turbas agressivas e a liderança de opinião;

  • A emergência de um líder em um grupo informal;

  • O processo de discussão grupal;

  • Os processos de aprendizagem;

  • Os ciclos da moda;

  • As atitudes como atratores, etc.

Outros estudos, também, podem ser realizados, como no caso da loucura, dos sonhos, da estrutura arquetípica, do inconsciente, das relações interpessoais, da dinâmica familiar e dos casais, da criatividade, da expressão emocional, do labirinto da personalidade, do processo de liderança e, inclusive, da identidade.

Examinando atentamente alguns conceitos em Psicologia, como o de identidade, liderança, processo de grupo, interação social, emoção e sentimento, consciência, aprendizagem, crescimento pessoal e outros, constatamos que os fatos ultrapassam a eles em termos de compreensão e controle, como se movessem em um terreno da realidade não previsto ou desconhecido dos conceitos clássicos.

Acostumados que estamos, em geral, a pensar os fenômenos psicológicos em estruturas determinadas biográficas e linearmente, bem ordenadas e explicadas de acordo com os fundamentos do controle clássico, da previsibilidade linear, da mudança de estado, da estrutura e da ordem, não prestamos atenção a algo mais que hoje se impõe frente à ciência e que requer novas epistemologias para ser explicado e maneja­do, principalmente porque se apresenta muito mais como processo, instabilidade, incerteza e totalidade, em vez de se apresentar mais como estado, equilíbrio e parte.

Por exemplo, a identidade é discutida dentro de parâmetros biográficos, dialéticos e lineares, porém os fatos demonstram a incerteza de seus percursos e em que lugar chegará, por mais que as etapas do desenvolvi­mento da personalidade tenham sido estudadas de modo profundo. Busca­mos apresentá-la como papéis, como um conjunto de identidades, como metamorfose, como o si-mesmo, porém sabemos que há algo mais, ainda não abarcado, situado em um campo afastado ou próximo ao equilíbrio, que se apresenta como incerteza, inesperado ou resistente ao conhecimento ou às metodologias usuais, no que tange à sua compreensão e manejo.

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Há, de fato, no fenômeno da identidade, um causalismo que não é do tipo clássico, bastante evidente nos estudo dos sistemas dinâmicos com­plexos, principalmente nos conceitos de estrutura dissipativa (Prigogine, 1988) e de atrator estranho (Ruelle, 1994).

Diante disso, é possível pensar a identidade como uma estrutura dissipativa, um sistema próximo ou afastado do equilíbrio e que troca permanentemente energia com o meio-ambiente para garantir sua individualidade e permanência.

A identidade é um paradoxo apreensível, até agora, só em seus aspectos parciais e não em sua totalidade, um devenir incerto em uma trajetória periódica e instável, porém tendendo à complexidade e à evolução.

É possível, inclusive, que a identidade seja um atrator caótico do sistema social, assim como foram consideradas as atitudes por Eiser (1994).

O caos ou o equilíbrio de um sistema social transcende a vontade individual dos membros da coletividade, mas o processo interativo e instável do sistema gera a emergência de identidades (líderes) que funcionam como atratores caóticos desse mesmo sistema social.

CONCLUSÃO
Transpor esse novo modo de pensar e explicar a realidade dinâmica para o terreno da Psicologia é o grande desafio para a jovem ciência psicológica. Alguns cientistas já estão se voltando, ainda que de modo inicial e incipiente, como Bateson, Zimmerman; Sacks, Wieland-Burston, Rosch, Eiser, Munné e outros. Porém, este é o caminho, se desejamos aprofundar o conhecimento acerca do psiquismo humano, cujos modelos teóricos ainda são lineares, biográficos, fechados, auto-explicativos e bem pouco interativos, muito menos não-lineares.

Há uma imensa capacidade da mente humana de estudar a si mesma e o mundo objetivo, de se compreender como objeto de si mesma e sujeito do mundo estudado e vivido, de ser parte e de ser todo, de ser criatura e de ser criador, de mudar o instante e de ser mudada por ele, seja no cotidiano comum ou no ato de investigar a si e a tudo o mais.

Parece-nos que dançamos a dança cósmica da auto-poyésis universal (Góis, 1995), que é instável, incerta, irreversível, que aumenta de complexidade e tende à evolução (neguentropia).

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Cezar Wagner de Lima Góis é Prof. de Psicologia da Universidade Federal do Ceará, doutorando em Influência Social pelo Depto. de Psicologia Social da Universidade

de Barcelona e bolsista da CAPES - Brasil.

Verônica Morais Ximenes é Psicóloga, doutoranda em Recursos Humanos pelo Depto. de Psicologia Social da Universidade de Barcelona e bolsista da CAPES - Brasil.

ABSTRACT: This paper focused some questions about the theories of complexity, the complex dynamic systems and its relations to psychology. First we discussed the epistemological view within the complexity theory, further the characteristics and some experiments of chaos. The last part, was dedicated to show some applications of these news concepts in psychology.

KEY WORDS: epistemology, complexity, chaos, psychology.

NOTAS
1 BRIGGS, John, DAVID PEAT, F. Espejo y Reflejo : del caos al ordeno Barcelona: Gedisa,1993.



2 BOHM, David A. Totalidade e a Ordem Implicada. São Paulo: Editora Cultrix.,1980.

3 BRUYNE, Paul de et al. Dinâmica da Pesquisa em Ciências Sociais. 3. ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1987.

4 CAPRA, Fritjof. Sabedoria Incomum. São Paulo: Editora Cultrix, 1988.

5 CASATI, Giulio. De los billares al caos de los átomos. Mundo Científico, Madrid, v. 11, n. 115, p. 756-762, 1991.

6 CHABERT, Jean-Luc, DALMEDICO, AMY D. Hemi Poincaré : el Precursor. Mundo Cien­tífico, Madrid, v. 11, n. 115, p. 716-720, 1991.

7 CHAITIN, Gregory G. El azar de los números. Mundo Científico, Madrid, V. 11, n 115, p. 772-777, 1991.

8 DITTO, William, PECORA, Louis. Dominar el caos. Investigación y Ciencia, Madrid, n. de octubre, p. 48-55, 1993.

9 ECKMANN, Jean-Pierre, MASHAAL, Maurice. La Física del desorden. Mundo Científi­co, Madrid, v. 11, n. 115, p. 722-730, 1991.

10 GLEICK, James. Caos: a criação de uma nova ciência. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1990.

11 GÓIS, Cezar Wagner de L. Vivência, caminho à identidade. Fortaleza: Editora Viver, 1995.

12 GRASSBERGER, Peler. La percolación o la geometria del contagio. Mundo Científico, Madrid, v.11, n.115, p.764-770, 1991.

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13 HAKEN, Hermann, WUNDERLIN, Arne. El caos determinista. Mundo cientifico, Madrid, v.l0, n.108, p. 1210-1217, 1991.

14 KADANOF, L. P., LIBCHABER, A., MOSES, E., ZOCCHI, G. Turbulencia un una caja. Mundo cientifico, Madrid, v.11, n.115, p.786-794, 1991.

15 KAUFFMAN, Stuart A. Anticaos y adaplación. lnvestigación y Ciencia, Madrid, n. de enero, p.46-531, 1992.

16 LASKAR, Jacques, FROESCHLE, Claude. El caos en el sistema solar. Mundo Cientifico, Madrid, v. 11, n. 115, p. 732-740, 1991.

17 LEWIN, Roger. Complexidade : a vida no limite do caos. Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 1994.

18 MAY, Robert M. El caos en Biología.Mundo Cientifico, Madrid, v. 11, n. 115, p. 746-754, 1991.

19 MÉZARD, Marc, TOULOUSE, G. De los vidrios de espin a las redes de neuronas. MundoCientifico, Madrid, v. 11, n. 115, p. 778-785, 1991.

20 MORÍN, Edgar. Ciência com Consciência. Lisboa: Publicações Europa-América, 1990.

21 MUNNÉ, Frederic. Las teorias de la complejidad y sus implicacíones en las cíencias del comportarniento. Revista Interamericana de Psicologia, v. 29, n. 1, p. 1-12, 1995.

22 NICOLIS, Catherine. ¿Puede bascular el clima? Mundo Cientifico, Madrid, v. 11, n. 115, p. 742- 745, 1991.

23 PRlGOGINE, Ilya. O Nascimento do Tempo. Rio de Janeiro: Edições 70, 1988.

24 RUELLE, David. Azar y Caos. Madrid: Alianza Universidad, 1993.

25 SIMÓ, Carles. Cómo entender el caos determinista. Mundo Científico, Madrid, v. 11, n. 115, p. 698-708, 1991.

26 ZUPPIROLI, Libero. La electrónica de los sólidos desordenados. Mundo Cientifico, Madrid, v. 11, n. 115, p. 709:715, 1991.

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GÓIS, C. W., XIMENES, V. M. “Epistemologia, caos e psicologia”

Psicologia & Sociedade; 10 (1): 39-53; jan./jun.1998

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REPRESENTAÇÕES SOCIAIS: PARA UMA FENOMENOLOGIA DOS SABERES SOCIAIS

Sandra jovchelovitch

RESUMO: Este trabalho discute a teoria das representações sociais através de uma avaliação das principais correntes de pensamento que caracterizam sua herança intelectual e da análise de três categorias consideradas centrais para o seu entendi­mento: as noções de representação, subjetividade e produção. A análise destes três elementos possibilita identificar não apenas a espinha dorsal da teoria, mas também o campo de críticas que se dirigem a ela O argumento central aqui é o de que a representação, longe de ser um espelhamento do mundo, expressa através de seu processo de produção tanto a subjetividade dos atores sociais que a constituem como os códigos históricos e culturais dos contextos nos quais emerge. A partir daí, o trabalho apresenta o campo central de estudos da teoria e como ela pode guiar uma intervenção crítica no campo da psicologia social e nos debates mais amplos que marcam o período em que vivemos, tanto a nível local, como a nível global.

PALAVRAS-CHAVE: representações sociais, subjetividade, produção, discurso.

INTRODUÇÃO
Neste trabalho, minha intenção é discutir a teoria das representações sociais, recuperando alguns dos postulados centrais da teoria e suas aplicações, e colocando ênfase especial em alguns elementos que me parecem ser, não só os mais importantes, mas também os que podem guiar um debate posterior com outros enfoques. Vou iniciar com uma contextualização breve da teoria e suas fontes, e a partir daí apresentar os três elementos que escolhi para discuti-Ia, quais sejam, a representação, a subjetividade, a produção. O primeiro, a noção de representação, ela mesma tem sido objeto de amplas discussões e nos permitirá uma




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